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COLUNISTAS
dubitandum
Gustavo Ioschpe
Economista, especialista em educação “de omnibus dubitandum est”
(duvide de tudo)

DICAS
Site
Fuvest
Site com um detalhamento interessante das estatísticas dos alunos da Fuvest de 2007, incluindo perfil socieconômico. Em breve devem ir ao ar dados de 2008.
 
Livro
D. Pedro II, de José Murilo de Carvalho.
O texto deixa a desejar, mas o personagem é imperdível. Só no Brasil seria possível um príncipe de linhagem portuguesa ter mais espírito público do que a maioria dos líderes republicanos filhos da terra.
ARQUIVO
18/02/2009: Falência educacional: complô ou lógica?
03/12/2008: Violência escolar: quem é a vítima?
01/10/2008: Dinheiro não compra educação de qualidade
8/9/2008: Dever do próximo presidente: vetar a expansão curricular
29/8/2008: Preparados para perder
27/8/2008: Cegueira e Comunismo
18/8/2008: A neutralidade como dever
25/7/2008: Assim não, ministro!
05/7/2008: De pais e professores
06/6/2008: Emenda 29 e CSS: não e não
14/5/2008: Educação e capitalismo: aliados ou inimigos?
24/4/2008: Método de alfabetização: o experimento gaúcho
20/3/2008: E se plantássemos cérebros?
21/2/2008: Pesquisa livre e arejamento mental
19/2/2008: Educação é o legado mais duradouro de Cuba
14/2/2008: Errata e honestidade intelectual
13/2/2008: Pelo direito à ruindade
31/1/2008: Gustavo Ioschpe responde aos leitores
17/1/2008: Educação sem povo
15/1/2008: Educação de quem? Para quem?
2/1/2008: Os professores e a "frieza das estatísticas"
20/12/2007: Opinião dos leitores
10/12/2007: O professor desvalorizado
7/12/2007: Professor não é coitado
26/11/2007: Vestiburrar
9/11/2007: O caminho passa por consertar a escola pública
1/11/2007: Preocupe-se. Seu filho é mal educado
19/10/2007: Os leitores e a gratuidade do ensino universitário público
16/10/2007: Opinião dos leitores
05/10/2007: Contra a gratuidade nas universidades públicas
20/09/2007: Educação e a incomunicabilidade dos Brasis
29/08/2007: Quem sou, de onde vim e por que estou aqui

NOTAS
26/9/2008
23/9/2008
17/9/2008
16/9/2008
18/8/2008 - 20/8/2008
12/8/2008 - 13/8/2008
4/8/2008
15/7/2008 - 21/7/2008
14/7/2008
11/7/2008
2/7/2008
30/6/2008
25/6/2008
23/6/2008
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26/5/2008
19/5/2008
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31/3/2008
25/2/2008 - 18/3/2008
22/2/2008
07/2/2008
24/1/2008
23/1/2008
 
 Sexta-feira, 10 de dezembro de 2007
 

O professor desvalorizado

Getty Images

Meu artigo na revista VEJA dessa semana fala sobre a "coitadização" do nosso professor - um discurso infantilizador de alguns, que trata o professor brasileiro como um pobre coitado, uma vítima - objeto, e não sujeito, de sua ação.

Parte desse discurso, rotineiramente proferido por membros da categoria e suas lideranças sindicais, diz respeito à desvalorização social do professor. Diz-se que a carreira de professor é desmerecida pela sociedade, e que a baixa auto-estima resultante dessa estigmatização está entre as causas do insucesso docente e do fracasso da nossa educação. Parece-me que é um caso de, na melhor das hipóteses, causalidade reversa.

"Acredito que a sociedade brasileira entende o papel fundamental do professor na formação de seus filhos."

Digo "na melhor das hipóteses" porque efetivamente não acredito que a profissão de professor seja vítima de preconceito. Pelo contrário, aliás. Onde quer que eu vá, vejo manifestações de apreço e encorajamento aos professores. Há uma série de prêmios, regionais e nacionais, destinados à categoria. Seguidamente jornais, revistas e programas de TV se referem aos professores como heróis. Quando acontece alguma agressão a professores ela logo vira destaque e é vista com espanto e reprovação. Acredito que a sociedade brasileira entende o papel fundamental do professor na formação de seus filhos. Pesquisa realizada pelo Inep (acesse a pesquisa) com os pais de alunos revelou que 83% dos entrevistados acreditam que os professores estão preocupados em ensinar e dar boas aulas, 77% diz que o professor tem paciência para tirar dúvidas dos alunos, 89% declaram que o professor é atencioso com os pais. Quando os pais são instados a dar notas para os professores de seus filhos, estes recebem uma avaliação exemplar: 8,6 para a qualidade do ensino e 8,4 para o conteúdo ensinado.

Essa já seria uma avaliação lisonjeira para qualquer profissão, mas no caso da educação brasileira, que é um fracasso indiscutível, ela é verdadeiramente miraculosa. Os professores brasileiros têm uma situação privilegiada: mesmo sendo os principais responsáveis pelo ensino, não recebem praticamente nenhuma condenação pelo seu fracasso, que recai todo sobre os próprios filhos (os alunos) e os governantes. Deve ser um caso único em que o pai vitima o filho, já vitimado pelo péssimo ensino que recebe.

"O que a escola, e o que os profissionais fazem dentro dela, importam - e muito - para o desempenho do aluno."


Se há, em alguma região do país ou contexto específico, reclamações dirigidas aos professores que os façam sentir-se desvalorizados, só podemos dizer que é de se esperar. Poucas categorias profissionais no país apresentam resultados tão decepcionantes como a dos trabalhadores do ensino. E em nenhum outro caso esse desempenho é tão importante para o país. Durante décadas imperou a visão de que os problemas educacionais eram todos exógenos aos profissionais do ensino - causados pelas supostas faltas de interesse e de investimento da sociedade ou por problemas do próprio aluno. Atualmente, com as avaliações às quais o sistema educacional está sujeito, essa visão tornou-se insustentável. É absolutamente transparente que, com os mesmos níveis de recurso e atendendo pais e alunos dos mesmos estratos sociais, escolas diferentes têm resultados muito distintos. Sinal de que a escola, e o que os profissionais fazem dentro dela, importam - e muito - para o desempenho do aluno.

Está na hora de os nossos professores pararem de demonizar o Outro - governantes, diretores, políticos, pais, neoliberalismo, alunos - pelo insucesso da escola. Não vamos chegar a lugar nenhum com transferência de responsabilidades. E não se trata aqui de atribuir culpas - essa linguagem cabe nos confessionários religiosos, não em discussões de políticas públicas. Não interessa o que passou. O que importa é o que podemos fazer daqui pra frente. Tenho certeza de que se os professores tiverem o desprendimento de aceitarem realizar uma instrospecção honesta e conseguirem identificar suas carências, a sociedade brasileira - por meio de seus representantes eleitos, mas não apenas eles - saberá estender-lhes a mão, sem recriminações, e ajudar-lhes na melhoria das nossas escolas.

 

DÊ SUA OPINIÃO
Como você considera a profissão de professor no Brasil?

 

TESTE DE CONHECIMENTOS

Carreira do professor

1. Que porcentagem dos professores brasileiros trabalha em mais de dois empregos/escolas:
a) 87%
b) 68%
c) 51%
d) 32%
e) 18%

2. Que porcentagem dos professores brasileiros trabalha mais de 40 horas/aula por semana?
a) 64%
b) 51%
c) 30%
d) 22%
e) 15%

3. A cada dia, quantos professores faltam ao trabalho na rede estadual de SP?
a) 1%
b) 2%
c) 6%
d) 13%
e) 22%

4. Qual é o índice de absenteísmo nas escolas da rede privada do estado?
a) 1%
b) 2%
c) 6%
d) 13%
e) 22%

5. Que porcentagem dos professores brasileiros já foi agredida por um aluno?
a) 0,70%
b) 1,20%
c) 8%
d) 16%
e) 42%

6. Em relação à renda per capita média do brasileiro, quanto ganha um professor de ensino fundamental?
a) 30% menos
b) 10% menos
c) o mesmo
d) 12% a mais
e) 56% a mais

7. Na Finlândia, quanto ganha um professor do ensino fundamental em relação à renda per capita do finlandês?
a) 30% menos
b) 10% menos
c) o mesmo
d) 12% a mais
e) 56% a mais

8. Entre 2005 e 2006, os rendimentos dos professores das redes estaduais do país...
a) diminuíram 6%
b) mantiverem-se inalterados
c) aumentaram 12%
d) aumentaram 20%
e) aumentaram 30%

 

Pontos

Confira as respostas corretas aqui

 

 

 

Professor não é coitado
(artigo publicado em VEJA de 7/12/2007)

Materiais mencionados no artigo

Sinopse Estatística do Ensino Superior
Dados da PNAD tabulados por Simon Schwartzman
Perfil dos Professores Brasileiros
Absenteísmo docente no estado de São Paulo
Alunos por turma: Sinopse da Educação Básica 2005
Dados sobre a infra-estrutura das escolas
Dados sobre violência contra o professor
Salários dos professores: OECD, Education at a Glance 2005

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