| Com o fim da guerra, União Soviética estende tentáculos
vermelhos no mundo e preocupa líderes ocidentais - Stalin deve esperar
retirada das tropas dos EUA na Europa antes de agir - Milhões de refugiados
sofrem com indefinições | 
Dois democratas, um ditador: Churchill e Truman com
Stalin na Conferência de Potsdam
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e, por um lado, a rendição incondicional do Japão
colocou um celebrado ponto final aos 6 anos de guerra que açoitaram o globo,
por outro trouxe numerosas interrogações a respeito do futuro que
aguarda as dezenas de nações envolvidas nos combates. E as maiores
incógnitas orbitam sobre a União Soviética. A irrepreensível
ofensiva do Exército Vermelho na Europa oriental, que posicionou a Mãe
Rússia no Velho Continente, causa agora arrepios nas potências ocidentais,
pelo temor de que o importuno Josef Stalin coopte Estados do Leste europeu para
o comunismo. Como se não bastasse, o mandachuva do Kremlin também
mete seu taludo bigode na China, terra estratégica para os interesses dos
americanos no Pacífico. Esses dois cenários afunilam-se em uma mesma
questão: tentará Stalin estender seu poderio na esteira da recém-finada
refrega?
Não é segredo para ninguém que o "Homem
de Aço" dos bolcheviques pretende arrebanhar mais adeptos para a causa
vermelha. Entretanto, analistas internacionais acreditam que, ao menos no front
europeu, o líder soviético não agirá de imediato.
De acordo com fontes russas, Stalin deve esperar o retorno das tropas americanas
para casa - o finado presidente Franklin Roosevelt indicara que essa retirada
se estenderia por dois anos - para somente então colocar suas mangas de
fora.
Já na Ásia, a tensão entre soviéticos
e americanos é latente, em especial na China - que, com a queda nipônica,
assume a posição de potência continental. Os russos apóiam
o comunista Mao Tsé-Tung contra o nacionalista Chiang Kai-Shek, aliado
de primeira hora dos ianques. O poder da China tende a aumentar na medida em que
os Aliados pretendem neutralizar por completo o Japão, ocupando-o, desarmando-o
e tratando-o como um inimigo potencialmente perigoso. A operação
é importante porque os vitoriosos querem evitar que, a exemplo do que ocorreu
com os alemães após a Grande Guerra, a derrota gere um renascimento
do militarismo, incorporado na figura de Adolf Hitler. Na Coréia, onde
apenas União Soviética e Japão têm tropas disponíveis
para desarmar os rendidos nipônicos, a separação está
clara: os vermelhos ocuparão o Norte e os americanos, o Sul.
Voltando
para casa - Mas não é só no âmbito político
que a paz está gerando tantas indefinições. Sem comida, sem
moradia e sem pátria, milhões de refugiados estão ziguezagueando
pela Europa. Alemães estão sendo expulsos da Silésia e da
Polônia, enquanto os tedescos que fugiram dos bombardeios em suas cidades
estão voltando para recuperar seus pertences em meio ao que sobrou de suas
residências. Com medo da dominação comunista, habitantes de
países do Leste europeu estão fugindo do Exército Vermelho.
Judeus que heroicamente sobreviveram ao campos de concentração estão
procurando portos a fim de embarcar para a Palestina.
Cinco milhões
de prisioneiros de guerra russos e trabalhadores forçados também
estão voltando para a casa, sem saber o que os espera. No total, estima-se
que 20 milhões de pessoas estejam em trânsito no Velho Mundo. Estas
são auxiliadas pela Administração das Nações
Unidas para Assistência e Reabilitação (UNRRA, na sigla em
inglês). Fundada em 1943 para acudir refugiados de nações
perseguidas pelo Eixo e financiada primariamente pelos Estados Unidos, a agência
tenta colocar ordem no caos deixado pela guerra. Terá, é certo,
muito trabalho pela frente.
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