ÍNDICE
 Carta ao leitor

Velocidade: O avanço exponencial da tecnologia

Nanotecnologia: A Lilipute da ciência

Biotecnologia: As pesquisas com células e genes

Entrevista: Judah Folkman

Transgênicos: As vantagens para o consumidor

Vida digital: Serviços proliferam na rede

Entrevista: Vinton Cerf

Entrevista: Tim Berners-Lee

Artigo: Kevin Kelly

Conectividade: A ligação entre as redes sem fio

Neurotecnologia: Próteses controladas pela mente

Robótica: As máquinas ameaçam aprender

Bell Labs: A rede que imita o corpo

Entrevista: Charles Townes

Apple: Modelo de inovação

Perfil: Steve Jobs

Carros: Combustíveis e motores do futuro

Produtos: TVs, pen drives e celulares

Artigo: Michio Kaku

Engenharia: Prédios cada vez mais altos

Artigo: Jaron Lanier

Computação gráfica: O realismo na animação
   
 

PESQUISA
Como antecipar o futuro

O desafio do presidente dos Bell Labs,
Jeong Kim, é criar soluções que possam
ser usadas imediatamente pelo mercado e
ainda inventar o que será importante amanhã


Fotos divulgação e Bill Pierce/Getty Images
Não é mágica: uma experiência de pesquisadores dos Bell Labs faz um objeto levitar usando efeito de repulsa entre um ímã e um supercondutor, material que não oferece resistência elétrica

Em 1998, o imigrante coreano Jeong Kim ficou bilionário e arrumou um novo emprego. Vendeu a empresa que havia criado, a Yurie Systems, uma fábrica de equipamentos de comunicação, por 1 bilhão de dólares, à Lucent Technologies, onde também passou a trabalhar. Em 2005, assumiu a presidência dos Bell Labs, um dos maiores centros de pesquisa da história da indústria mundial. A entidade, com orçamento anual de 1,2 bilhão de dólares e 9 000 funcionários, tem unidades espalhadas por dez países. Mas administrar esse conglomerado é apenas uma das funções de Kim. Nos laboratórios Bell, ele tem de manter um olho no presente e outro no futuro. Precisa satisfazer as necessidades imediatas de inovação das empresas e dos consumidores, como também criar as novidades que as pessoas ainda nem sabem que serão necessárias no futuro. Tarefa nada simples. "É por isso que tenho de criar uma cultura em que o risco é aceitável", diz Kim, que durante sete anos serviu como oficial num submarino nuclear da Marinha americana. "Aqui, temos de encorajar as pessoas a pensar grande, a ter grandes idéias."

VEJA: Como antecipar tendências?
JEONG KIM: Nós temos de observar a natureza e o comportamento humano. Depois, imaginar como a tecnologia vai dar suporte a essas necessidades no futuro. É possível entender como isso funciona observando os adolescentes. Vejo pelos meus filhos. Eles vivem conectados o tempo inteiro e querem ser informados a respeito de tudo o que acontece com seu grupo. Isso a cada minuto do dia. Atualmente, um dos serviços mais populares na Coréia permite que garotos e garotas saibam onde seus amigos estão em relação a eles. Esse é um tipo de comunicação que jamais havíamos imaginado. Isso é usar a rede para criar um senso mais profundo de comunidade.

VEJA: Vem daí a idéia de criar uma rede ubíqua, marcada pela conexão total?
KIM: Sim. Os jovens usarão a rede de comunicações de uma forma tão intensa, tanto no trabalho como no lazer, que atualmente não conseguimos imaginar como isso vai acontecer. De certa forma, o novo uso da rede será estar sempre ligada. Nesse novo ambiente, veremos o valor das conexões ir muito além de somente "permitir a comunicação".

VEJA: Os sensores que imitam a audição, o olfato e a visão têm a função de tornar natural a conexão das pessoas com essa rede. Como eles vão fazer isso?
KIM: É simples. Quando encontro com alguém na rua, por que não peço seu nome de usuário e senha? Ora, porque reconheço os traços do seu rosto, o som da sua voz, pois sei a quem eles pertencem. Se alguém encontrar meu cachorro, não poderá fingir que sou eu. O bicho, usando seus sentidos, sempre saberá discernir o impostor. Esse é o papel dos sensores.

VEJA: As pesquisas sempre andam na direção desejada?
KIM: Não. O acaso é parte da natureza da inovação. Embora nossos pesquisadores sejam disciplinados e metódicos, nem todos os projetos caminham como o esperado. Na verdade, muitas das nossas mais interessantes descobertas aconteceram por acaso. Em 1965, pesquisadores usando um sistema ultra-sensível de recepção de sinais encontraram um ruído inesperado, que não tinha uma explicação óbvia. Intrigados, descobriram que era uma radiação cósmica proveniente dos primeiros momentos do surgimento do universo. Algo que para muitos comprova a teoria do Big Bang. Pela descoberta, dois pesquisadores (Arno Penzias e Robert Wilson) ganharam o Prêmio Nobel.

 
   
 
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