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PESQUISA
Como antecipar o futuro
O desafio do presidente
dos Bell Labs,
Jeong Kim, é criar soluções que possam
ser usadas imediatamente pelo mercado e
ainda inventar o que será importante amanhã
Fotos divulgação e Bill
Pierce/Getty Images
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| Não é mágica: uma experiência de pesquisadores
dos Bell Labs faz um objeto levitar usando efeito de repulsa
entre um ímã e um supercondutor, material que não oferece resistência
elétrica |
Em 1998, o imigrante coreano Jeong Kim ficou
bilionário e arrumou um novo emprego. Vendeu a empresa que
havia criado, a Yurie Systems, uma fábrica de equipamentos
de comunicação, por 1 bilhão de dólares,
à Lucent Technologies, onde também passou a trabalhar.
Em 2005, assumiu a presidência dos Bell Labs, um dos maiores
centros de pesquisa da história da indústria mundial.
A entidade, com orçamento anual de 1,2 bilhão de dólares
e 9 000 funcionários, tem unidades espalhadas por dez países.
Mas administrar esse conglomerado é apenas uma das funções
de Kim. Nos laboratórios Bell, ele tem de manter um olho
no presente e outro no futuro. Precisa satisfazer as necessidades
imediatas de inovação das empresas e dos consumidores,
como também criar as novidades que as pessoas ainda nem sabem
que serão necessárias no futuro. Tarefa nada simples.
"É por isso que tenho de criar uma cultura em que o risco
é aceitável", diz Kim, que durante sete anos serviu
como oficial num submarino nuclear da Marinha americana. "Aqui,
temos de encorajar as pessoas a pensar grande, a ter grandes idéias."
VEJA: Como antecipar tendências?
JEONG KIM: Nós temos de observar a natureza e o comportamento
humano. Depois, imaginar como a tecnologia vai dar suporte a essas
necessidades no futuro. É possível entender como isso
funciona observando os adolescentes. Vejo pelos meus filhos. Eles
vivem conectados o tempo inteiro e querem ser informados a respeito
de tudo o que acontece com seu grupo. Isso a cada minuto do dia.
Atualmente, um dos serviços mais populares na Coréia
permite que garotos e garotas saibam onde seus amigos estão
em relação a eles. Esse é um tipo de comunicação
que jamais havíamos imaginado. Isso é usar a rede
para criar um senso mais profundo de comunidade.
VEJA: Vem daí a idéia
de criar uma rede ubíqua, marcada pela conexão total?
KIM: Sim. Os jovens usarão a rede de comunicações
de uma forma tão intensa, tanto no trabalho como no lazer,
que atualmente não conseguimos imaginar como isso vai acontecer.
De certa forma, o novo uso da rede será estar sempre ligada.
Nesse novo ambiente, veremos o valor das conexões ir muito
além de somente "permitir a comunicação".
VEJA: Os sensores que imitam a audição,
o olfato e a visão têm a função de tornar
natural a conexão das pessoas com essa rede. Como eles vão
fazer isso?
KIM: É simples. Quando encontro com alguém
na rua, por que não peço seu nome de usuário
e senha? Ora, porque reconheço os traços do seu rosto,
o som da sua voz, pois sei a quem eles pertencem. Se alguém
encontrar meu cachorro, não poderá fingir que sou
eu. O bicho, usando seus sentidos, sempre saberá discernir
o impostor. Esse é o papel dos sensores.
VEJA: As pesquisas sempre andam
na direção desejada?
KIM: Não. O acaso é parte da natureza
da inovação. Embora nossos pesquisadores sejam disciplinados
e metódicos, nem todos os projetos caminham como o esperado.
Na verdade, muitas das nossas mais interessantes descobertas aconteceram
por acaso. Em 1965, pesquisadores usando um sistema ultra-sensível
de recepção de sinais encontraram um ruído
inesperado, que não tinha uma explicação óbvia.
Intrigados, descobriram que era uma radiação cósmica
proveniente dos primeiros momentos do surgimento do universo. Algo
que para muitos comprova a teoria do Big Bang. Pela descoberta,
dois pesquisadores (Arno Penzias e Robert Wilson) ganharam o Prêmio
Nobel.
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