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DO FUTURO Impacto e velocidade
O ritmo acelerado da evolução da tecnologia estimula previsões
sobre novos avanços. E o resultado das estimativas é impressionante
 Carlos
Rydlewski e Alessandro Greco
No fim dos anos 90, ainda no
século passado, o consagrado físico e matemático Freeman
Dyson, professor emérito do Instituto de Estudos Avançados de Princeton,
observou que a tecnologia é apenas uma das forças que impulsionam
a humanidade. E nem sempre é a mais importante. Ela divide seu poder de
influência com a política, a religião e a economia, além
das rivalidades militares e culturais. É tudo verdade. Mas não chega
a surpreender se esse tipo de conceito tiver de ser revisto nas próximas
décadas, tais são o impacto e a velocidade com que a tecnologia
tem provocado mudanças na sociedade. Essas alterações são
cada vez mais profundas e se aplicam tanto à maneira como as pessoas se
relacionam quanto à forma como produzem. Exemplos não faltam. Em
1990, a internet nem sequer existia em termos sociais. Hoje, conecta quase 1 bilhão
de pessoas no mundo e deve interligar a metade da população mundial
em dez anos. Atualmente, o preço de uma transação feita pela
rede de computadores já atingiu 0,01 centavo de dólar. Numa agência
bancária, custaria 1,07 dólar. É por isso que o comércio
eletrônico dispara a cada ano, mesmo em um país como o Brasil, que
ocupa o modesto 41º lugar entre as nações tecnologicamente
mais preparadas, em ranking elaborado pela IBM e pela consultoria The Economist
Intelligence Unit. As máquinas também avançam. Entre 1950
e 2000, o poder de processamento dos computadores cresceu inimagináveis
10 bilhões de vezes. O engenheiro e inventor
americano Ray Kurzweil, autor de livros como Fantastic Voyage: Live Long Enough
to Live Forever (algo como A Viagem Fantástica: Viva o Suficiente para
Viver para Sempre), acredita que esse ritmo vai aumentar ainda mais. É
verdade que Kurzweil é uma das pessoas mais otimistas quando o assunto
é o avanço da tecnologia. Mas, bom engenheiro, gosta de fazer contas
e já acertou em muitos prognósticos. No seu primeiro livro, The
Age of Intelligent Machines (A Era das Máquinas Inteligentes), publicado
em 1990, previu que em poucos anos uma rede global de computadores cobriria o
planeta. Eis a web. Disse também que uma máquina poderia derrotar
um campeão de xadrez até 1998. Foi isso que o Deep Blue, da IBM,
fez com Garry Kasparov, em 1997. Kurzweil continua
a produzir estimativas que devem ser vistas mais como tendências,
e não necessariamente como previsões. Depois de desenvolver um novo
modelo, chegou à conclusão de que a velocidade dos avanços
tecnológicos tende a dobrar a cada dez anos. Estima que, no início
deste século, o mundo das técnicas salte o equivalente a vinte anos
de pesquisas em apenas catorze. Depois pulará mais duas décadas,
mas em sete anos. O resultado final é que as tecnologias podem apresentar
um progresso mil vezes maior no século XXI do que mostraram no século
XX. "Os cálculos convencionais normalmente subestimam a intensidade das
mudanças porque usam um raciocínio linear. E a tecnologia tem outro
ritmo. Ela será o primeiro exemplo de um processo evolucionário
marcado por um padrão exponencial", disse Kurzweil a VEJA. Aos descrentes,
o engenheiro e escritor fornece uma idéia do que vem por aí: "Basta
dizer que foram necessários catorze anos para chegar à seqüência
do HIV. Já no caso do vírus da sars (síndrome respiratória
aguda grave), a seqüência foi feita em somente 31 dias". | |