ÍNDICE
 Carta ao leitor

Velocidade: O avanço exponencial da tecnologia

Nanotecnologia: A Lilipute da ciência

Biotecnologia: As pesquisas com células e genes

Entrevista: Judah Folkman

Transgênicos: As vantagens para o consumidor

Vida digital: Serviços proliferam na rede

Entrevista: Vinton Cerf

Entrevista: Tim Berners-Lee

Artigo: Kevin Kelly

Conectividade: A ligação entre as redes sem fio

Neurotecnologia: Próteses controladas pela mente

Robótica: As máquinas ameaçam aprender

Bell Labs: A rede que imita o corpo

Entrevista: Charles Townes

Apple: Modelo de inovação

Perfil: Steve Jobs

Carros: Combustíveis e motores do futuro

Produtos: TVs, pen drives e celulares

Artigo: Michio Kaku

Engenharia: Prédios cada vez mais altos

Artigo: Jaron Lanier

Computação gráfica: O realismo na animação
   
 

NÚMEROS DO FUTURO
Impacto e velocidade

O ritmo acelerado da evolução da
tecnologia estimula previsões sobre
novos avanços. E o resultado das
estimativas é impressionante


Carlos Rydlewski e Alessandro Greco

Veja também
O tempo gasto para um produto atingir 50 milhões de usuários

No fim dos anos 90, ainda no século passado, o consagrado físico e matemático Freeman Dyson, professor emérito do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, observou que a tecnologia é apenas uma das forças que impulsionam a humanidade. E nem sempre é a mais importante. Ela divide seu poder de influência com a política, a religião e a economia, além das rivalidades militares e culturais. É tudo verdade. Mas não chega a surpreender se esse tipo de conceito tiver de ser revisto nas próximas décadas, tais são o impacto e a velocidade com que a tecnologia tem provocado mudanças na sociedade. Essas alterações são cada vez mais profundas e se aplicam tanto à maneira como as pessoas se relacionam quanto à forma como produzem. Exemplos não faltam. Em 1990, a internet nem sequer existia em termos sociais. Hoje, conecta quase 1 bilhão de pessoas no mundo e deve interligar a metade da população mundial em dez anos. Atualmente, o preço de uma transação feita pela rede de computadores já atingiu 0,01 centavo de dólar. Numa agência bancária, custaria 1,07 dólar. É por isso que o comércio eletrônico dispara a cada ano, mesmo em um país como o Brasil, que ocupa o modesto 41º lugar entre as nações tecnologicamente mais preparadas, em ranking elaborado pela IBM e pela consultoria The Economist Intelligence Unit. As máquinas também avançam. Entre 1950 e 2000, o poder de processamento dos computadores cresceu inimagináveis 10 bilhões de vezes.

O engenheiro e inventor americano Ray Kurzweil, autor de livros como Fantastic Voyage: Live Long Enough to Live Forever (algo como A Viagem Fantástica: Viva o Suficiente para Viver para Sempre), acredita que esse ritmo vai aumentar ainda mais. É verdade que Kurzweil é uma das pessoas mais otimistas quando o assunto é o avanço da tecnologia. Mas, bom engenheiro, gosta de fazer contas e já acertou em muitos prognósticos. No seu primeiro livro, The Age of Intelligent Machines (A Era das Máquinas Inteligentes), publicado em 1990, previu que em poucos anos uma rede global de computadores cobriria o planeta. Eis a web. Disse também que uma máquina poderia derrotar um campeão de xadrez até 1998. Foi isso que o Deep Blue, da IBM, fez com Garry Kasparov, em 1997.

Kurzweil continua a produzir estimativas – que devem ser vistas mais como tendências, e não necessariamente como previsões. Depois de desenvolver um novo modelo, chegou à conclusão de que a velocidade dos avanços tecnológicos tende a dobrar a cada dez anos. Estima que, no início deste século, o mundo das técnicas salte o equivalente a vinte anos de pesquisas em apenas catorze. Depois pulará mais duas décadas, mas em sete anos. O resultado final é que as tecnologias podem apresentar um progresso mil vezes maior no século XXI do que mostraram no século XX. "Os cálculos convencionais normalmente subestimam a intensidade das mudanças porque usam um raciocínio linear. E a tecnologia tem outro ritmo. Ela será o primeiro exemplo de um processo evolucionário marcado por um padrão exponencial", disse Kurzweil a VEJA. Aos descrentes, o engenheiro e escritor fornece uma idéia do que vem por aí: "Basta dizer que foram necessários catorze anos para chegar à seqüência do HIV. Já no caso do vírus da sars (síndrome respiratória aguda grave), a seqüência foi feita em somente 31 dias".

 
   
 
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