Globalização
começa na vizinhança
crescente liderança brasileira na região foi abalada
por dois fatos em 2000. O primeiro, de natureza política,
foi o vergonhoso desmanche do governo de Alberto Fujimori. Com a
queda de Fujimori, veio a revelação de que uma quadrilha
de narcotraficantes e generais corruptos, liderada pelo braço
direito do presidente, Vladimiro Montesinos, comandou a fraude eleitoral
que reconduzira Fujimori ao governo pela terceira vez. O Brasil
esteve à frente dos países sul-americanos que deram
seu aval às eleições peruanas. O segundo revés
foi econômico. Com a inveja explícita da Argentina,
o Chile decidiu unilateralmente abrir negociações
para um acordo comercial com os Estados Unidos, enfraquecendo o
Mercosul, que já perdera muito de seu vigor com as dificuldades
da Argentina para manter de pé a paridade com o dólar.
A
CULPA É DO VIZINHO
Reuters/Rickey Rogers
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Muito
antes de ser desatada a batalha para escolher, entre Pelé
e Maradona, o jogador de futebol do século, os argentinos
já estavam combatendo os brasileiros. O esporte nacional
mais praticado pelos políticos argentinos no ano 2000 foi
culpar o Brasil pelas dificuldades econômicas enfrentadas
internamente. A moeda brasileira vale hoje 50% menos em relação
ao dólar e ao peso argentino, que tem a paridade com a moeda
americana. Com isso, ficou mais difícil exportar para o Brasil
e mais barato importar do Brasil. Para os políticos argentinos,
a culpa não é da conversibilidade, é do vizinho
contra quem, em março, os manifestantes saíram às
ruas de Buenos Aires em passeatas arrastadas por palavras de ordem
como "Made in Brazil, no".
O
CHILE SE FOI PARA O NORTE
Depois
de meses cortejando os vizinhos do Mercosul, o Chile
saiu do armário e assumiu seu caso com os Estados
Unidos. No dia 1º de dezembro, o governo chileno informou
que estava negociando tratados comerciais diretamente com
os americanos. Foi um choque para os demais membros do Mercosul
que já vinha cambaleando diante da crise argentina
e da indecisão do Brasil. Com a defecção do
Chile, o Brasil perdeu pontos na briga com os Estados Unidos sobre
o ritmo de formação da Área de Livre Comércio
das Américas (Alca). Enquanto os americanos preferem
uma integração comercial rápida da região,
o Brasil opta por consolidar a posição dos sul-americanos
para só então se associar aos parceiros mais poderosos
do norte.
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| Argentina
. 18 de dezembro |
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FÔLEGO
NOVO
Reuters
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A Argentina recebeu um presente de Papai Noel com uma semana de
antecedência. No dia 18 de dezembro o Fundo Monetário
Internacional anunciou a concessão de uma ajuda de 39,7
bilhões de dólares à
Argentina. O pacote, que dá um alívio à grave
crise econômica do país, servirá para que o
governo tape o rombo de 10 bilhões nas contas públicas,
mas o presidente Fernando de la Rúa terá mais gás
para levar adiante as reformas estruturais na Previdência
Social, no sistema tributário, além de um drástico
corte nos gastos públicos.
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