Lalau,
Lulu e os cofres públicos
Brasil
assistiu a alguns casos públicos notáveis no ano 2000.
Um senador, Jader Barbalho, do PMDB, candidato a presidente do Senado,
foi incapaz de explicar como conseguiu juntar um patrimônio
de 30 milhões de reais durante sua carreira de político.
Revelou-se que 580 candidatos nas eleições municipais
no país inteiro respondiam a processos na Justiça
por ter tomado liberdades com os cofres públicos. Acusado
de irregularidades, Celso Pitta chegou a ser afastado da prefeitura
de São Paulo. Um juiz do TRT paulista, Nicolau dos Santos
Neto, acusado de desviar dezenas de milhões de reais, foi
para a cadeia depois de oito meses foragido. Luiz Estevão
de Oliveira teve seu mandato de senador cassado, dormiu uma noite
atrás das grades. Pode dormir outras mais, se os promotores
conseguirem convencer a Justiça de que, em liberdade, Estevão
pode agir para inibir o andamento dos processos.
RODÍZIO DE PIZZA
As outras maracutaias que foram notícia durante o ano
Fernando Lemos/ Strana

Eurico:
bola dividida |
BRASÍLIA 17 DE OUTUBRO
Eurico,
o versátil
Duas CPIs, uma na Câmara dos Deputados
e outra no Senado Federal, instaladas em outubro investigam
o futebol brasileiro. As suspeitas que pesam sobre os cartolas
vão da lavagem de dinheiro à sonegação
fiscal e passam pela falsificação de passaportes
para facilitar a exportação dos craques nacionais.
Se fosse uma partida de futebol, teria ficado no zero a zero.
Muito falatório e nenhuma prova. Eurico Miranda
está escalado em ambas. Como deputado, ele integra
a comissão de investigações da Câmara.
Como presidente do Vasco, é um dos intimados a depor
na CPI do Senado.
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BRASÍLIA 3 DE AGOSTO
O
Sombra enfrentou seus acusadores
Foi
o depoimento mais esperado do ano. Eduardo Jorge Caldas
Pereira, ex-secretário-geral da Presidência,
que tinha o apelido de "Sombra" nos tempos em que trabalhava
no Palácio do Planalto, foi convocado a explicar no
Congresso Nacional suas relações com o juiz
Lalau. Ambos se falaram centenas de vezes pelo telefone, conforme
documentado pela CPI do TRT. Eduardo Jorge saiu da maratona
de mais de uma centena de perguntas dos deputados muito melhor
do que entrou. Não caiu em contradição
e apresentou uma versão consistente, lógica
e documentada para rebater as acusações existentes.
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Ed Ferreiras/ AE

Eduardo
Jorge: negativas
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Fabio Motta/ AE

Garotinho:
Turma do Chuvisco |
RIO DE JANEIRO
5
DE ABRIL
A
turma da tempestade
O
governador do Rio de Janeiro, que chegou ao posto prometendo
combater a corrupção, acabou enredado nas denúncias
envolvendo auxiliares diretos e amigos do peito que levou
para o governo. A "Turma do Chuvisco", alusão a um
doce típico de Campos, a cidade de origem de Anthony
Garotinho, foi investigada por relações
suspeitas e negócios pouco transparentes.
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| São
Paulo . 8 de dezembro |
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Nicolau:
oito meses foragido |
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O
JUIZ LALAU NA CADEIA
Com
suas contas na Suíça bloqueadas e a aposentadoria
de 15700 reais mensais suspensa, o juiz do Trabalho Nicolau
dos Santos Neto, o Lalau, entregou-se às autoridades
brasileiras. Hospeda-se atualmente em uma cela especial da
Polícia Federal em São Paulo, onde aguarda julgamento.
Durante oito meses do ano que passou, ele foi o foragido mais
procurado do Brasil. O juiz é acusado de desviar 169
milhões de reais destinados à construção
do Fórum Trabalhista de São Paulo. Numa tentativa
de tirar seu patrimônio suspeito do alcance da Justiça,
Lalau fingiu desfazer-se de bens como um apartamento luxuoso
em Miami.
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UM
PREFEITO PARA A HISTÓRIA
O
mais desastroso prefeito que São Paulo já teve em
sua história, o carioca Celso Pitta, transformou seu
mandato num período tenebroso para a cidade. Foram quatro
anos em que a maior metrópole da América do Sul esteve
abandonada pelo poder público enquanto o chefe do governo
municipal cuidava de escapar de cinco processos judiciais. Num deles,
descobriu-se que o prefeito vivia à custa de um milionário,
Jorge Yunes, com interesses nos negócios da prefeitura
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Dida Sampaio/ AE

Luiz
Estevão: desvio de verbas |
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DO
SENADO PARA A PRISÃO
Com
o mandato de senador cassado, o cidadão Luiz Estevão
de Oliveira, o "Lulu", jamais se esquecerá do dia
30 de junho. Preso pela Polícia Federal em Brasília,
ele passou a noite numa cela de 12 metros quadrados com uma
pia, um vaso sanitário, um cano que cumpre a função
de chuveiro e um colchão. Estevão é dono
de uma fortuna de 400 milhões de reais, sobre cuja
origem o Ministério Público levanta dúvidas.
Tem problemas com o Fisco, com a Justiça e com a polícia.
Amigo de infância do ex-presidente Fernando Collor,
foi preso acusado de envolvimento com o desvio de verbas para
a construção da sede do Tribunal Regional do
Trabalho em São Paulo.
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