O
que a genética fez
no ano que passou
o
início do que deve ser o século da biologia
o passado foi o da eletrônica digital , a engenharia
genética deu passos maiores que as pernas. Revelaram-se resultados
de pesquisas básicas de enorme alcance teórico mas
pouca aplicabilidade prática imediata. Foi um ano de exageros.
Médicos de várias partes do mundo anunciaram que fariam
cópias de seres humanos, replicando a experiência escocesa
que produziu a famosa ovelha Dolly, apenas para ser desmentidos
por especialistas que lembraram que o processo é complexo,
caríssimo e de resultados altamente incertos mesmo
quando conduzido por laboratórios de altíssimo nível.
Para chegar a uma Dolly perfeita, os cientistas geraram quatro centenas
de monstros, abortados ainda na fase embrionária. Outro exagero
que marcou o ano: a pregação dos ambientalistas radicais
contra os alimentos transgênicos. Eles estão nos supermercados
há anos sem provocar nenhum problema de saúde.
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| Estados
Unidos . 26 de junho |
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A
VIDA É UM LIVRO ABERTO
No
habitual sensacionalismo que se tornou norma no anúncio de
avanços científicos, o feito divulgado em 26 de junho
foi comparado à invenção da roda, à
descoberta da penicilina e até ao desembarque do homem na
Lua. Depois de dez anos de um trabalho repetitivo e quase automático
realizado por meio da técnica conhecida como PCR, sigla em
inglês para "reação polimerase em cadeia", o
Projeto Genoma completou o seqüenciamento dos 3 bilhões
de pares de letras químicas que compõem o DNA
humano. Deu-se por desvendado 98% do código genético.
E daí? Bem, os cientistas têm agora os ingredientes
da receita com a qual a natureza produz um ser humano. Não
se sabe ainda a função de cada componente da receita
nem em que ordem se dá a montagem. Mas já é
um avanço tremendo. Um dia se saberá. O trabalho,
concluído no ano 2000, é o primeiro passo para debelar
algumas das 11 000 doenças de origem genética
que fustigam as pessoas. O trabalho foi feito em conjunto pela empresa
privada americana Celera e pelo Projeto Genoma Humano, financiado
pelo governo dos Estados Unidos e por um consórcio de instituições
internacionais. As terapias efetivas derivadas do projeto vão
levar ainda décadas para se disseminar.
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| Estados
Unidos . 29 de agosto |
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BEBÊ
PARA TRANSPLANTE
A
manipulação genética, um dos mais temidos
avanços da biotecnologia, já começou. Nos Estados
Unidos, os cientistas reprogramaram geneticamente um bebê
de proveta de modo que nascesse uma criança com um tipo de
sangue compatível com o de sua irmã. O objetivo era
fazer do bebê um doador de medula óssea
para salvar a vida da irmã, portadora de uma doença
hereditária rara. O transplante foi realizado com sucesso,
e Adam Nash, o bebê, e Molly, sua irmã de 6 anos, passam
bem. O governo inglês apresentou ao Parlamento um projeto
de lei que permite a clonagem de embriões humanos
para fornecer células e tecidos para transplante. O papa
condenou a prática, que continua proibida no resto do mundo.
A
CONTRIBUIÇÃO BRASILEIRA
Ricardo Benichio

Equipe
do Genoma brasileiro: 1 milhão de
seqüências |
O Brasil projetou-se no cenário científico em 2000
com o trabalho do Projeto Genoma Humano do Câncer,
financiado pelo Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer,
da Suíça, e pela Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de São Paulo. Os 150 pesquisadores
de trinta universidades paulistas empenhados em desvendar os genes
responsáveis pelo surgimento de tumores cancerígenos
previam atingir a marca de 1 milhão de unidades identificadas
em 29 de dezembro. Meses antes, os cientistas brasileiros anunciaram
ter decifrado o código genético do micróbio
Xylella fastidiosa, abrindo caminho para criar uma arma contra
uma resistente praga dos laranjais.
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FAZENDA
GENÉTICA
As
experiências mais interessantes realizadas no ano que
passou
ESTADOS
UNIDOS MAIO
Supersalmão
Modificado geneticamente
pela empresa americana Aqua Bounty Farms, o peixe produz hormônio
do crescimento em grande quantidade. Desse modo, além
de desenvolver-se mais rapidamente, ele se torna mais resistente
a doenças e predadores.
ESCÓCIA
MARÇO
Porco
doador
Cinco porcos foram clonados
a partir de células adultas pela PPL Therapeutics,
a mesma empresa da Escócia que desenvolveu a ovelha
Dolly. O objetivo final é utilizar coração,
fígado e pâncreas dos animais em transplantes.
CANADÁ ABRIL
Cabra-aranha
A empresa canadense Nexia
Biotechnologies implantou em células de cabra o gene
de uma aranha responsável pela fabricação
da teia. Com essa alteração, o leite da cabra
terá proteínas da teia. Por ser um material
muito leve, maleável e resistente, a teia pode ser
utilizada na indústria aeronáutica e na composição
de tendões e músculos artificiais.
ESTADOS
UNIDOS OUTUBRO
Preservação das espécies
A Advanced Cell Technology, dos Estados Unidos, clonou
um gauro, espécie de bovino em processo de extinção,
e implantou o embrião no útero de uma vaca.
O método pode ajudar a salvar da extinção
diversas outras espécies. |
AP/Noonan/Russo Communications
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JAPÃO
JANEIRO
Bezerros
A partir de células
da orelha de um touro premiado, cientistas de um instituto
de tecnologia pecuária em Kagoshima, Japão,
clonaram quatro bezerros. Antes, as clonagens eram feitas
com as células da mama, muito mais difíceis
de ser obtidas. |
AP
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ESCÓCIA SETEMBRO
Farmácia
viva
Animais geneticamente modificados
podem produzir substâncias para fabricação
de remédios:
PPL Therapeutics: criou uma
ovelha que fabrica a antitripsina, droga que combate fibrose
cística.
Universidade de Guelph: gerou
galinha que sintetiza antibióticos.
Pharming Incorporated: desenvolveu
uma vaca que produz leite com lactoferrina, empregada no tratamento
de infecções.
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