Rússia:
ano zero
da esperança
aior
país em extensão territorial do planeta e segundo
arsenal nuclear, a Rússia elegeu seu segundo presidente
da era pós-comunista, o ex-agente da KGB Vladimir Putin.
Às vésperas do novo milênio, o país
arrastou-se sob os vícios resistentes de seu passado autoritário.
No entanto, a democracia e a economia de mercado tiveram alguns
bons momentos.
O
NOVO CZAR DA RÚSSIA
Foi
a primeira oportunidade para a recém-nascida Federação
Russa escolher um presidente livre de rebeliões, pressões
e reeleições. O povo elegeu Vladimir Putin,
um ex-agente da KGB, o serviço secreto do comunismo. Putin
não fez campanha, evitou participar de debates e usou como
principal bandeira eleitoral a violenta ofensiva bélica
contra os rebeldes separatistas da Chechênia. Sua
única promessa eleitoral foi um governo forte. O novo presidente
russo interpretou com acerto a constatação de que
o Estado forte está no código genético dos
russos.
A
MULTIDÃO IMPÕE SUA FORÇA
AP

Enterro
das vítimas do Kursk: o povo se levanta para ser ouvido
|
Em
quatro séculos de autoritarismo czarista e mais setenta
anos de ditadura comunista, os poderosos da Rússia nunca
se viram obrigados a prestar contas de seus atos e omissões
ao povo. O ano 2000 entrará para a História como
aquele em que, pela primeira vez, um governante supremo da Rússia,
Vladimir Putin, foi à televisão e pediu desculpas
à população pela desastrosa atuação
do governo no episódio do naufrágio do submarino
nuclear Kursk e sua carga de 118 vidas humanas.
Meses antes, as autoridades levantaram uma onda de indignação
em todo o país ao anunciar que o número de mortos
na guerra com a Chechênia havia sido de apenas 400
homens. Pressionado por uma quase desconhecida associação
de mães dos soldados, o governo se viu obrigado a revelar
a verdade: as baixas russas chegaram a 1 000.
