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SEPARADOS NO BERÇO O Nobel da Paz de 2000 premiou a luta pela derrocada da última fronteira da Guerra Fria. O prêmio, anunciado em outubro, foi para Kim Dae Jung, o presidente da Coréia do Sul, e para seu esforço em pôr fim aos conflitos com o regime stalinista da vizinha Coréia do Norte. O encontro dos dois presidentes, em junho, marcou o início da demolição da mais resistente e artificial fronteira da Guerra Fria. Partindo do mesmo patamar de atraso, as duas Coréias trilharam caminhos diferentes depois da divisão do país, em 1948. A do sul tornou-se um dos Tigres Asiáticos, moderna, industrializada e democrática, e enriquece com a exportação de bens manufaturados e de alta tecnologia. O norte é um país rural, de economia planificada e submetido a uma ditadura encabeçada por Kim Jong-Il.
O MERCADÃO SE ABRE A China, com 1,3 bilhão de habitantes, é o mais cobiçado mercado do planeta. Mas, apesar de participar de cerca de 7% das transações comerciais internacionais, ainda é um mistério. Neste ano ela começou a se inserir de modo formal na economia de mercado. Assinou tratados comerciais com os Estados Unidos, com a União Européia e com outros trinta países e deixou entreaberta a porta para ser aceita pela Organização Mundial do Comércio, a entidade que regula as relações comerciais no mundo. O impacto de tal medida, que pode ser concretizada nos primeiros dias de 2001, será tremendo, tanto dentro como fora da China, já que representa a abertura de um mercado onde vive um de cada cinco consumidores da terra.
EXERCÍCIO DE DEMOCRACIA Primeiro
candidato de oposição ao Partido Nacionalista a ganhar
a eleição para presidente de Taiwan em 51 anos, o
empresário Chen Shui-bian chegou
ao poder, em março, com duas promessas: acabar com a corrupção,
na esfera interna, e obrigar a China continental a negociar o status
da ilha. O sucesso na economia transformou Taiwan num Tigre Asiático,
mas não conseguiu fazer dele um país. Taiwan proclamou-se
um Estado autônomo em 1949, mas, apesar de ter governo e instituições
de poder próprios, continua a ser considerado uma província
rebelde pela China continental. Longe do calor da retórica
pública, começou neste ano um movimento, ainda frio,
de reaproximação.
A SAUDÁVEL QUEDA DO GIGANTE A falência da Daewoo Motors, em novembro, chocou a Coréia do Sul, mas deixou mais claras as regras seguidas pela economia asiática pós-crise. Terceira maior montadora de automóveis do país, a Daewoo fazia parte de um conglomerado industrial que fatura 60 bilhões por ano e emprega 200 000 pessoas em todo o mundo. Abalada pela crise financeira de 1997 e com alto grau de endividamento, a empresa não contou agora com a benevolência de um governo antes sempre disposto a socorrer grandes grupos. "Temos de acabar com a incerteza do mercado eliminando as companhias carregadas de dívidas, que têm sido um peso para nossa economia", disse o presidente Kim Dae Jung.
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