Ilustração: Evandro Luiz
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anguel
afirma que a internet não pode ser culpada pelo desinteresse
das pessoas pelos livros. Tampouco acredita que a rede possa
fazer muito pela difusão da leitura entre quem não
cultiva esse hábito. O autor observa que, muito antes
do surgimento da internet, o mundo já estava dividido
entre leitores e não-leitores. Com a autoridade de
um pesquisador interessado pela evolução das
formas primordiais de leitura, da Antiguidade aos tempos
atuais, Manguel ressalta que a tecnologia digital está
criando uma nova forma de comunicação. Baseada
nas imagens em movimento, nos sons e em outros recursos
de multimídia, essa nova forma de comunicação
não compete com a leitura nem a complementa. São
meios totalmente diferentes.
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Alberto
Manguel
A primeira ocupação de Alberto Manguel,
pela qual recebia um bom salário, foi ler em
voz alta para o mais insaciável dos leitores,
o formidável escritor argentino Jorge Luis Borges
(1899-1986). Quase cego, no final da vida, Borges já
não podia ler com os próprios olhos. Desde
então, Manguel tornou-se historiador e propagandista
da leitura como o hábito definidor da vida civilizada.
Sua obra principal, Uma História da Leitura,
editada no Brasil em 1997, é um clássico
deliciosamente erudito. Neste artigo, ele brinda os
leitores de VEJA com reflexões sobre o impacto
da internet no ato de ler. Depois de abandonar a Argentina,
onde nasceu, morou na Itália, França e
no Taiti. Aos 52 anos, tornou-se cidadão do Canadá,
onde conquistou reputação e prestígio
como intelectual. |
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