Nasce
a cultura da internet
internet completou cinco anos de existência ampla como o mais
eficaz e revolucionário instrumento de informação
do homem moderno. Assim como no passado se acreditou que a televisão
iria acabar com o rádio e o cinema de uma só vez,
agora se imagina que a internet possa vir a ser o fim da cultura
em papel. Parece que não será. No ano em que Stephen
King, um fabuloso vendedor de livros à moda antiga, fracassou
na internet, as aventuras de Harry Potter, em papel, foram o fenômeno
literário. Mesmo a distribuição de música
gratuita pela rede, via Napster, começou e terminou no mesmo
ano que passou. Vai ficando claro que o encantado mundo da cultura
virtual não substitui nem pode existir sem o mundo das coisas
reais.
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| Estados
Unidos . 8 de julho |
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UM
LIVRO DOS BONS. E DE PAPEL
Bruno Veiga/Strana
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Reprodução

Harry
Potter e seus leitores mirins: sucesso de papel |
Quando
muitos pais já arrancavam os cabelos diante do desinteresse
dos filhos pelos livros e pela leitura, um fenômeno literário
mostrou que nem tudo está perdido. Harry Potter
and the Globet of Fire (Harry Potter e o Cálice de Fogo),
o maior sucesso infanto-juvenil de aventuras do ano, vendeu mais
de 350 000 exemplares logo no dia de seu lançamento nos Estados
Unidos. A livraria virtual Amazon.com
montou um gigantesco esquema de distribuição da obra
da escritora escocesa Joanne K. Rowling, mas o sucesso das aventuras
do mago infantil Harry Potter, que estão em seu quarto volu-me,
será computado em favor do livro em papel. Já foram
vendidos 66 milhões de exemplares, em 200 idiomas,
inclusive em português
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| Estados
Unidos . 17 de julho |
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O
PREÇO DA OBRA
Divulgação/Courtesy of General
Electric
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Independentemente do meio de difusão, o mercado literário
deu prova neste ano de que uma boa história vale ouro. O
autor mais valorizado do ano foi Jack Welch, o superexecutivo
que recriou a General Electric. O grupo Time Warner deu uma bolada
de 7 milhões de dólares a Welch pelo direito
de publicar sua autobiografia. A esperança da editora é
repetir o sucesso de Lee Iacocca, o executivo da Chrysler cuja história
vendeu 2,6 milhões de exemplares em todo o mundo.
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| Estados
Unidos . 24 de julho |
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O
JORNALEIRO CEGO
Stephen
King lançou o livro Riding The Bullet na internet
em março. Distribuído de graça, foi um sucesso:
400 000 pessoas baixaram a obra da rede em poucos dias. Outra
experiência do mago do best-seller de terror não deu
tão certo. Em julho, ele colocou na internet o seriado The
Plant. Os leitores deveriam pagar para ter cada um dos oito
capítulos da obra. Os três primeiros episódios
custariam 1 dólar e os outros 2 dólares. No começo
tudo funcionou e 170 000 cópias do primeiro capítulo
foram capturadas na rede. Mas, depois que apenas 74 000 leitores
pagaram para ter o segundo capítulo, o autor ameaçou
suspender a publicação dos outros seis previstos.
"Não se rouba um pobre jornaleiro cego", queixou-se ele.
Em outubro, Frederick Forsyth, outro escritor de best-sellers, aderiu
à internet, mas sem correr riscos. Colocou cinco contos na
rede, mas ninguém conseguiu ler o que escreveu antes de pagar
os 6 dólares pedidos pelo conjunto de textos.
INTERNET
DÁ IBOPE
Pesquisa do Ibope eRatings, empresa especializada em medições
da internet, revelou pela primeira vez um retrato surpreendente
da rede no Brasil e mostrou que ela já é muito maior
do que se imagina:
14 milhões
de brasileiros têm acesso à internet
1 em cada 10 brasileiros com mais de 16 anos surfou
na rede pelo menos uma vez nos últimos três meses
5 milhões de brasileiros conectam-se à
rede a cada 24 horas
8 horas é
a média de tempo que os brasileiros ficam conectados durante
um mês
LIGADO
NA LEITURA
O
Brasil registrou um dos mais espetaculares crescimentos no número
de computadores e de usuários da internet, apesar de ter
sido um dos últimos países a aderir à novidade.
Mesmo assim, os índices de leitura dos jornais diários
e os de venda de livros de papel quase não foram afetados.
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| Alemanha
. 1º de novembro |
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E
QUEM PAGA A CONTA?
AFP/Peter da Silva

Fanning:
música na internet tem preço |
A idéia do rapaz era genial: dar música de graça
a quem quisesse ouvir. Para isso ele desenvolveu e colocou na internet
um programa que permitia aos usuários da rede copiar as músicas
de outros usuários. Foi assim que o americano Shawn Fanning,
um estudante de 19 anos, criou o Napster e um dos maiores
casos jurídicos da nova economia. Colocou também em
xeque a poderosa indústria fonográfica mundial e seu
faturamento de 40 bilhões de dólares anuais. A maior
dificuldade para o casamento da criação artística
com a internet tem sido, como na maioria das relações
entre seres humanos, o dinheiro. No caso dos livros, os livreiros
já estão preocupados com a iniciativa de autores que
querem, eles próprios, comercializar suas obras na rede.
No caso da música, uma verdadeira guerra foi declarada entre
as grandes gravadoras, os artistas e os sites que distribuem música
de graça pela internet, como o Napster.com
e o MP3.com. Enquanto o MP3.com
fazia um acordo e começava a pagar 30 milhões de dólares
às gravadoras para continuar disponibilizando suas músicas,
o Napster só permanecia no ar graças a uma liminar
concedida pela Justiça americana. Acabou capitulando. No
início de novembro, a empresa de Fanning entrou em acordo
com a gigante do entretenimento e comunicação alemã
BMG. Muita gente aposta que vão surgir outras maneiras
de ouvir música de graça pela rede.
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