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    . O ano em que o Brasil deu bom exemplo
. Roberto Pompeu de Toledo
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    . Por elas, eles perdem a cabeça
. Jared Diamond
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. Henry Petroski
Globalização
    . A globalização na prática
. Thomas Friedman
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. Soninha
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    . A Ásia descobriu a democracia
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O panorama das populações

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edição 1 681 . 27 de dezembro de 2000  
ano2000  
   

O ano da vaca louca

mundo está ficando menor. Mas não sem briga. Governos foram à luta nos organismos internacionais acusando-se mutuamente de subsidiar suas indústrias. Os países ricos, maiores promotores da globalização, foram justamente os que ergueram as barreiras mais altas contra os produtos das nações em desenvolvimento. Foi um ano de total desencontro, de muita conversa e muita demagogia quando o assunto era comércio exterior. Para completar o quadro surreal, os jovens europeus e americanos, na teoria defensores dos fracos da Terra, foram às ruas protestar contra as exportações dos países mais pobres do planeta.

 
Espanha . 22 de novembro

A carne é fraca

 
Franck Prevel/AP

Quem acha que globalização rima com Nasdaq e internet vai ter um choque ao constatar que ela é responsabilizada também por subprodutos como a doença da vaca louca, que se está espalhando pela Europa. A última vítima foi a Espanha, que em novembro identificou o primeiro caso da doença em suas pastagens. Com origem na Inglaterra em 1996, a epidemia, que em teoria pode infectar também os humanos que consumirem carne de animal contaminado, chegou neste ano aos rebanhos de seis países europeus. Levou pânico aos produtores de carne, que viram o consumo do produto cair mais de 40% no continente. Todo mundo acusa todo mundo. Montada na velha rivalidade anglo-francesa, a Inglaterra denunciou a França de suspender as importações de carne inglesa. Do outro lado do Canal da Mancha, a França acusou a Inglaterra de exportar a doença que contaminou as vacas francesas. Pode sobrar, no bom sentido, para o Brasil, que exporta soja e carne branca, substitutos naturais da carne vermelha européia sob suspeita.

 
Suíça . 23 de agosto

A batalha aérea dos subsídios

 
Divulgação

Como a globalização vai terminar, está para se ver. Como ela avança todo mundo sabe. É pelo comércio internacional. O mundo globalizado criou uma agência para tratar do assunto, a Organização Mundial do Comércio (OMC), que regula as relações comerciais entre os países. Foi na OMC, sediada em Genebra, na Suíça, que se travou a batalha aérea entre a brasileira Embraer e a canadense Bombardier pelo mercado mundial de aviões a jato dimensionados para linhas regionais. Os canadenses acusaram os brasileiros de aumentar a competitividade com subsídios do governo, por meio do ProEx, o programa nacional de incentivo às exportações. Em matéria de subsídio o Brasil não é mais esperto do que ninguém. Apenas menos sutil. Acabou punido. Em agosto, a OMC autorizou o Canadá a impor retaliações comerciais contra o Brasil no valor de 1,4 bilhão de dólares. Foi a maior multa já aplicada pela organização desde sua criação, em 1995. O Brasil recorreu, mas a medida foi confirmada mais tarde. Apesar de tudo, o ano foi de vitórias no ar. Em 2000, a Embraer, que já é a quarta fabricante de aeronaves comerciais do mundo, anunciou lucro recorde de 400 milhões de reais nos primeiros nove meses do ano.

 
França . 30 de junho

A nova revolução dos bem contentes

 
Dave Thomson/AE

Eles não querem incendiar o mundo. São jovens europeus ou americanos que têm tudo. Querem agora seus quinze segundos de fama. Cada reunião de organismos internacionais ou de governos de países ricos teve à sua porta um piquete de rebeldes antiglobalização. Sob pressão deles, a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), em setembro, em Praga, teve de ser abreviada. A conferência mundial do clima na Holanda e o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, também foram pontilhados pela zoeira do pessoal anti-sistema. O clímax da nova rebeldia ocorreu no julgamento do líder pecuarista francês José Bové, em junho, na França. Bové, líder da resistência antiglobalização, foi julgado pelo quebra-quebra de uma loja do McDonald's em 1999 e condenado a três meses de cadeia. Durante o protesto, as lanchonetes americanas sofreram novos ataques.

 

 
continua

 

 
 


Fotos AP e Reuters

 

 

 
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