Quando
a tecnologia falha
s
avanços da ciência contribuíram para praticamente
dobrar a expectativa de vida humana nos últimos 100 anos.
A tecnologia criou também máquinas e equipamentos
fantásticos, que tornam a vida mais fácil e agradável.
Mas, quando falham, essas máquinas podem matar. Foi o que
aconteceu com o Concorde, o primeiro e único avião
supersônico da aviação comercial, e o Kursk,
o mais moderno submarino nuclear da Marinha de guerra russa. Ao
falharem, as duas maravilhas tecnológicas deixaram mais de
duas centenas de mortes.
IGNORARAM
O DEFEITO
Schlager Roland/AFP
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Matthias Schrader/AFP
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| 155
mortos: trem pega fogo no túnel |
Um
trem de transporte de esquiadores no Monte Kitzsteinhorn,
nas proximidades de Salzburgo, na Áustria, já vinha
dando sinais de pane elétrica havia meses. Como sempre, os
técnicos menosprezaram o defeito. O trem incendiou-se
dentro de um túnel claustrofóbico. Dos 180 passageiros
a bordo, a maioria jovens que subiam a montanha ou para assistir
ou para participar de um campeonato de snowboard, 155 morreram
carbonizados ou asfixiados pelo turbilhão de fumaça.
O trem era acionado por um sistema de cabos construído em
1974 e reformado vinte anos depois.
DESPREZARAM
A VIDA
AP/Norwegian Armed Forces

Resgate do
Kursk: seqüência de erros fatais |
O
mais chocante desas tre tecnológico do ano aconteceu em agosto,
nas águas geladas do Mar de Barents, no Círculo Polar
Ártico, com o naufrágio do submarino nuclear russo
Kursk. Uma das mais modernas naves de guerra do
mundo, o Kursk foi para o fundo do mar com sua equipe de
118 tripulantes de elite como se fosse uma jangada mal-ajambrada.
Meses após a tragédia, não se sabia o que havia
provocado a explosão que levou ao naufrágio. Desde
o momento do acidente, toda a comunicação entre o
submarino e a superfície foi interrompida e as tentativas
de resgate só tiveram algum êxito uma semana depois,
quando já não havia sobreviventes. O Kursk,
um gigante de ferro de 150 metros e 14 000 toneladas, estava equipado
para destruir alvos do tamanho de um porta-aviões, mas se
encontrava desaparelhado para salvar os próprios tripulantes.
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| Estados
Unidos . 9 de agosto |
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ESQUECERAM
COMO FABRICAR PNEUS
Se
tivessem acontecido todas no mesmo dia, teriam sido o maior desastre
do ano. As capotagens misteriosas se deram, uma cada dia, em diferentes
partes do mundo. Em comum tinham o fato de ocorrer com utilitários
Ford Explorer equipados com um tipo de pneu da Firestone.
Em meados do ano, quando a Firestone e a Ford admitiram a falha,
já haviam sido registrados mais de 1 000 acidentes,
com mais de uma centena de mortos em todo o mundo. A Firestone reconheceu
que os acidentes foram provocados por um defeito dos pneus. Eles
soltavam a banda de rodagem -
a parte que fica em contato com o solo. Mais de 6,5 milhões
de pneus foram considerados defeituosos e trocados nos Estados Unidos.
A Ford relutou em admitir sua parte de culpa.
A
SEGUNDA CHANCE
Cinco
meses depois de seu primeiro acidente grave, que matou 113 pessoas
e o tirou do ar, o Concorde pode voltar a voar. Os operadores do
supersônico anunciaram em dezembro que em fevereiro deverá
ser realizado um vôo teste antes de seu retorno definitivo
à atividade. Único avião de carreira a viajar
em velocidade superior à do som, o empreendimento franco-inglês
não emplacou comercialmente, mas orgulhava-se de nunca ter
sofrido um acidente grave. Até 25 de julho. Nesse dia, a
aeronave da Air France que fazia o vôo 4590 da rota Paris-Nova
York espatifou-se contra um pequeno hotel em Gonesse, nas
redondezas da capital francesa, logo depois de decolar do Aeroporto
Charles de Gaulle. Além dos 109 passageiros, morreram quatro
hóspedes do hotel. A causa da tragédia pode ter sido
um pneu estourado ou uma turbina incendiada. Por precaução,
outros doze Concorde da Air France e da British Airways, similares
ao que caiu em Gonesse, permanecem em terra, sem levantar vôo,
à
espera de que se
esclareça o acidente ou de um atestado que lhes restitua
a confiabilidade.
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