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Nada é impossível
Osmar Barbosa dos Santos sempre gostou de correr. Quando era moleque, a mãe pedia que fosse à loja mais próxima, a 3 quilômetros do sítio onde moravam em Marília (SP), comprar agulha e linha de costura. Osmar ia correndo. Voltava tão depressa que a mãe lhe perguntava: "Você pegou carona?". "Cada vez que eu voltava queria ir mais rápido para ser elogiado por ela", lembra. Um dia, em 1993, o técnico de atletismo Rogério Vieira o viu disputando uma prova de rua e o chamou para outro teste. "Dá um tiro aí", disse. "Tiro? O que é isso?", assustou-se Osmar, que nunca tinha ouvido jargão de atletismo. O tiro era um pique de 400 metros, equivalente a uma volta na pista. Osmar fez em 53 segundos, tempo excepcional para quem nunca fora atleta. Começava ali, aos 25 anos, a carreira que levaria o filho de lavrador a disputar, aos 35, os 800 metros nos Jogos Olímpicos de Atenas. "Meu conselho é: se você tiver força de vontade, nada é impossível", diz Osmar, que tem chances reais de subir ao pódio: foi medalhista de bronze no mundial de atletismo em pista coberta disputado neste ano em Budapeste, na Hungria. A idade também foi o desafio de Maria Magnólia Figueiredo, só que de outra forma. Aos 40 anos e nove meses, a corredora de 400 metros potiguar, veterana dos Jogos de 1988, 1992 e 1996, classificou-se pela quarta vez para as Olimpíadas como reserva do revezamento 4 x 400 metros. Casada há 22 anos com seu técnico, José Figueiredo, e mãe de uma estudante de 19 anos, Magnólia já poderia ter parado há muito tempo, mas não quis. "A ousadia nada mais é que a concretização de algo claramente definido e decididamente desejado", diz a atleta e professora de educação física. Além de Magnólia, há apenas outros cinco brasileiros que competiram nas Olimpíadas de Seul, há 16 anos, e que ainda estarão na ativa em Atenas: os velejadores Bernardo Arndt e Torben Grael, o atirador Rodrigo Bastos, o levantador de vôlei Maurício e o nadador Rogério Romero. O mais improvável de todos é Romero, de 34 anos, que compete em um esporte em que, há algum tempo, um atleta era considerado velho aos 25. "O esporte me ensinou a acreditar em um trabalho a longo prazo", afirma.
Não é só o tempo que pode ser superado com determinação.
A história olímpica é repleta de casos de campeões
que, pelo físico, não estavam predestinados ao sucesso em sua modalidade.
A russa Svetlana Khorkina já tem duas medalhas de ouro em casa e vai para
sua terceira participação em Olimpíadas, apesar de ser alta
para a ginástica: tem 1,64 metro, 10 centímetros a mais que suas
rivais. Essa diferença é teoricamente prejudicial a seu equilíbrio
em algumas provas (em Atenas, Khorkina também terá de superar a
barreira da idade: aos 25 anos, é considerada velha para a ginástica).
A americana Wilma Rudolph teve poliomielite na infância, o que não
a impediu de ser a estrela dos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, nas provas
de velocidade do atletismo. No esporte brasileiro, talvez o exemplo mais famoso
seja o do nadador Ricardo Prado, que, apesar de seu 1,68 metro, conquistou a medalha
de prata nos 400 metros quatro estilos contra nadadores muito mais altos
e de envergadura e braçada muito maiores, portanto , em 1984, em
Los Angeles. Seu recorde sul-americano daquele dia só seria superado por
outro brasileiro em maio passado, Thiago Pereira 17 centímetros
mais alto que Prado.
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