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Paulo Vitale

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É um longo reinado o do chef Alex Atala. Desde 2001 seu restaurante, o D.O.M., aberto no fim de 1999, vem sendo eleito pelo júri de Veja São Paulo como o melhor da cidade na categoria cozinha contemporânea. O próprio Atala ganhou, em 2005, pela segunda vez, o título de chef do ano. Mas o sucesso tem seu preço. Quem imagina que a rotina do chef é uma festa com gente bonita, comida e bebida da boa está certo. O problema é que é uma festa à qual ele comparece uniformizado. Sem contar que precisa, a despeito de qualquer percalço, estar sempre bem-humorado e pronto para bater papo – com quem quer que seja.

Atala, que tem 37 anos, chega ao restaurante às 10 horas da manhã e sai às 2 da madrugada. Quando dá, foge para casa entre as 18 e as 20 horas. "Às vezes, cochila no sofá", conta sua mulher, a estilista Márcia Lagos. Nada menos glamouroso. Márcia, aliás, não parece muito satisfeita com o tempo que o marido dedica à família. "Suficiente nunca é, né?"

Não se trata de choramingo de esposa. "Você sabe o que é passar uma semana sem ver os filhos, apesar de estar em São Paulo?", pergunta Atala. E muitas vezes ele não está em São Paulo. Até o fim de outubro já havia feito dezesseis viagens dentro e fora do Brasil. Chegou a pedir à mulher que mandasse os filhos ao aeroporto para matar a saudade entre um desembarque e um embarque. Talvez para se sentir mais próximo, fez no braço esquerdo sua 21ª tatuagem. Ela traz os nomes das crianças: Tomás e Joana, gêmeos de 3 anos, e Pedro, de 11. Entre as outras tatuagens há uma carpa, um alvo, estrelas e outros desenhos, alguns do tempo em que ele era punk e DJ.

Embora atrapalhe a vida familiar, o excesso de trabalho está longe de ser o maior problema do chef. "Na cozinha vivemos a pressão do tempo e da perfeição", explica. De fato. O cliente não quer saber por que seu prato está atrasado. Ele quer o prato logo. E claro que é bom receber prêmios, mas isso potencializa as expectativas do cliente e a responsabilidade da equipe. A pressão às vezes resulta em explosão, comida jogada na pia, panelas pelo piso. "Mas posso garantir que estou melhorando. Tem voado pouca coisa no D.O.M. ultimamente", diz Atala. A cozinha de vidro, com tudo à vista do cliente, é um dos fatores que o forçam a se controlar. Sorte que o segundo chef, o baiano Geovane Carneiro, de 30 anos, é uma espécie de Buda na cozinha, de tão calmo.

No salão fica ainda mais difícil sair do sério. O sorriso do chef é fundamental para o bom funcionamento da casa. "Certos clientes cancelam a reserva se souberem que ele não estará presente", conta Bruna Amêndola, gerente operacional do D.O.M. Atala não se incomoda de fazer sala, mas reluta em se tornar "bibelô de bacana". Às vezes se distrai, estaciona em uma mesa e é malhado depois. E há o outro lado da moeda: um cliente já pediu que parasse de olhar para o decote de sua mulher. Até isso ele engole bem, em troca da parte boa do sucesso: a remuneração – "um chef ganha de 5 000 a 8 000 reais, o máximo que eu podia esperar" – e o que chama de capital social – "até ir ao dentista ficou mais fácil". O pior, diz, é servir gente que não admira. "Eu gostaria de ter mandado uns clientes embora", confessa. Claro que ele não é louco de fazer isso – e muito menos de contar quem são essas pessoas.