| |
Surpresas, sim. Sustos, jamais Liége
Fuentes
Jader da Rocha  |  |
| Boulevard: cozinha equilibrada | |
Se a idéia
é experimentar espumas, pele de pé de galinha frita, porções
de qualquer coisa que não seja mastigável ou outras esquisitices
que rondam certas cozinhas da atualidade, o restaurante indicado não é
o Boulevard. A casa franco-italiana mais premiada do Sul do Brasil está
fora da guerra entre a clássica culinária francesa e as ousadias
da trupe de espanhóis encabeçada pelo catalão Ferran Adriá
e incensada mundo afora por seus pratos nada ortodoxos. Considerado o melhor restaurante
da cidade nas oito edições de VEJA Curitiba, o Boulevard
prima pelo equilíbrio, virtude assimilada de seu chef, Celso Freire, que,
aliás, também foi eleito em 2005, pela terceira vez, o chef do ano
na cidade. Freire se apropria daquilo
que aprova em cada um dos lados da pendenga gastronômica internacional:
o requinte dos franceses, presente em seu cardápio na forma de molhos fumês
e demi-glacés, e a proposta dos espanhóis de ênfase nos produtos
regionais, revelada em pratos como rabada com polenta ou coelho com quirera
mais próximos do sangue italiano do chef.
A mesma filosofia Freire levou para seu restaurante, o jovem Zea Maïs, aberto
em 2004 e vencedor na categoria contemporâneo. A diferença é
que, ali, ele criou opções mais leves e também mais acessíveis
a bolsos menos recheados. No Boulevard, porém, a harmonia entre essas duas
vertentes é a responsável por manter vivo, há quinze anos,
um empreendimento inimaginável na Curitiba quase xenófoba da época
de sua inauguração. É claro que nesse tempo o Boulevard construiu
uma maturidade. Mas que isso não seja entendido como estagnação.
Ao contrário. Deixou-se aflorar na casa a maestria do chef, formado em
cozinhas de hotéis e na convivência com mestres como Laurent Suaudeau,
Gualtiero Marchesi e Giancarlo Bolla, assim como se aperfeiçoou a carta
de vinhos, hoje digna de elogios dos experts.
Jader da Rocha  |  |
| Celso Freire: premiado pela terceira vez | |
A senioridade do Boulevard se faz
perceber ainda no time de atendimento: do sommelier Ronaldo, que está ali
desde a abertura da casa, formado em viagens internacionais, à equipe do
salão já conhecedora do perfil da clientela. O único aspecto
da casa que ainda merece cuidados talvez seja a decoração, um tanto
clássica demais. Mas esse
detalhe não arranha a invencibilidade do restaurante, que recentemente
implementou novidades no seu dia-a-dia: um cardápio específico para
o almoço, reduzido a seis opções de entrada, seis de prato
principal e três de sobremesa, a escolher, num menu com preço fechado
de R$ 78,00. Entre as entradas, que mudam a cada mês, salada de batatas
com agrião e botarga (ovas de peixe defumadas) ou tartar de salmão
com crosta de hortaliças. Os pratos principais podem ser massas ou preparações
com ave, peixe ou carne, como um entrecôte com molho choron, acompanhado
de batata palito frita em manteiga clarificada e sauté de vegetais. Na
sobremesa, sorbet de frutas, folhado de manga ou crepe de marrom-glacê.
Para o jantar, o menu é mais livre. Entrada: carpaccio de lagosta com chips
de batata e vinagrete de jus de crustáceos, R$ 45,00. Prato principal:
t-bone de javali semiconfinado, com molho barbecue e quirera da Lapa, R$ 64,00.
Sobremesa: mil-folhas de chocolate com chutney de frutas tropicais, R$ 22,00.
O sommelier sugere o Cheverny do Vale do Loire (R$ 80,00) como entrada; o tinto
argentino Malbec D.O.C 2002 Luigi Bosca (R$ 78,40), para acompanhar o javali,
e um Chateau Ramon (R$ 108,80) para fechar. E atenção: a partir
do fim de dezembro passarão pela casa, a cada 45 dias, chefs como Claude
Troisgros, Alex Atala, Sergio Arno, Salvatore Loi e Francesco Carli. Cada um comandará
a cozinha durante três dias. É o início das comemorações
dos quinze anos do restaurante.
| Mercado gourmet
Fotos Jader da Rocha
| ocha  |
| O mercado de Curitiba: 42 000 pessoas visitam
os 300 boxes a cada semana |
Nem é preciso dizer a quem gosta de gastronomia que sempre vale a pena
fazer uma visita ao mercado da cidade. No caso de Curitiba, porém, esse
é um programa imprescindível. O Mercado Municipal, na Av. Sete de
Setembro, no centro, tem mais de 300 boxes em seus 3 400 metros quadrados de área
construída. Ali, acomodam-se bancas de queijos, peixes, cereais, frutas
e legumes, além de serviços como lotérica, barbearia, tabacaria,
pet shops, lojas de aquário, cabeleireiro, armarinhos, revistaria. O lugar
abriga ainda exposições de arte, festas típicas de imigrantes
e duas praças de alimentação, onde se pode provar uma diversidade
de opções gastronômicas. De peixe frito a shiitake ao bafo,
de caldinho de feijão a massas caprichadas.
Com freqüentadores acima de 35 anos e uma média de 42 000 pessoas
transitando no lugar toda semana, o mercado está testando desde outubro
uma inovação: manter-se aberto nas sextas-feiras até as 20
horas, num convite a uma happy hour customizada. Quem quiser pode se sentar numa
mesa de bar para bebericar e petiscar. Outros podem aproveitar e fazer compras
para uma refeição com amigos no fim de semana. Se der certo, o horário
de funcionamento se estenderá até as 22 horas. Outra novidade prevista
para 2006 é a implantação de uma ala exclusiva para produtos
orgânicos, incluindo restaurante, e novos segmentos, como lan houses, cafés
e livraria especializada em produtos gastronômicos. Aí, certamente
o mercado vai ferver. | | |