Índice
Carta ao leitor
 
Turismo
Praia
Um mar de areia
Bahia
Praia do Forte
Maraú
Itacaré
Porto Seguro
Fernando de Noronha
As melhores praias
Pousada Maravilha
Natureza
Onde o Brasil é
mais Brazil
Pantanal
Chapadas
Foz do Iguaçu
História
Com ares de
antigamente
Tiradentes
Montanha
O quente do verão
pode ser o frio
Gramado
Hotel Serrano
Cidades
Programas urbanos
São Paulo
Crianças
Com a garotada a tiracolo
Club Med
Rio de Janeiro
Hotel Fazenda Mazzaropi
Beto Carrero World
Cruzeiros
Resorts flutuantes
Blue Dream
Jurados
A lista dos 57 eleitores
 
Gatronomia
Belém
Mais bonita e
mais gostosa
O embaixador do Pará
Belo Horizonte
A alma praiana de Beagá
O cozinheiro cresceu.
E venceu
Brasília
Panela, batom e sucesso
Comida com sotaque
Campinas
Interior cosmopolita
Curitiba
Surpresas, sim.
Sustos, jamais
Mercado gourmet
Fortaleza
Rir, comer e beber
"De aroma e de prazer"
Goiânia
O império Piquiras
Porto Alegre
Pimenta na terra
do churrasco
Recife
O Leite transborda tradição
A boemia em três versões
Rio de Janeiro
Para ver estrelas
Um luxo de simplicidade!
Salvador
A calma compensa
Qual é o seu acarajé?
São Paulo
Só dá o Rubaiyat
Entre o glamour e
a frigideira
Vale do Paraíba
Do mar até a montanha
Jurados
Quem participou
da escolha
 
 

Surpresas, sim. Sustos, jamais

Liége Fuentes


Jader da Rocha
Boulevard: cozinha equilibrada  


Veja também
NESTA REPORTAGEM
Oe melhores restaurantes
Os melhores bares

VEJA O Melhor da Cidade
Curitiba

Se a idéia é experimentar espumas, pele de pé de galinha frita, porções de qualquer coisa que não seja mastigável ou outras esquisitices que rondam certas cozinhas da atualidade, o restaurante indicado não é o Boulevard. A casa franco-italiana mais premiada do Sul do Brasil está fora da guerra entre a clássica culinária francesa e as ousadias da trupe de espanhóis encabeçada pelo catalão Ferran Adriá e incensada mundo afora por seus pratos nada ortodoxos. Considerado o melhor restaurante da cidade nas oito edições de VEJA Curitiba, o Boulevard prima pelo equilíbrio, virtude assimilada de seu chef, Celso Freire, que, aliás, também foi eleito em 2005, pela terceira vez, o chef do ano na cidade.

Freire se apropria daquilo que aprova em cada um dos lados da pendenga gastronômica internacional: o requinte dos franceses, presente em seu cardápio na forma de molhos fumês e demi-glacés, e a proposta dos espanhóis de ênfase nos produtos regionais, revelada em pratos como rabada com polenta ou coelho com quirera – mais próximos do sangue italiano do chef.

A mesma filosofia Freire levou para seu restaurante, o jovem Zea Maïs, aberto em 2004 e vencedor na categoria contemporâneo. A diferença é que, ali, ele criou opções mais leves e também mais acessíveis a bolsos menos recheados. No Boulevard, porém, a harmonia entre essas duas vertentes é a responsável por manter vivo, há quinze anos, um empreendimento inimaginável na Curitiba quase xenófoba da época de sua inauguração. É claro que nesse tempo o Boulevard construiu uma maturidade. Mas que isso não seja entendido como estagnação. Ao contrário. Deixou-se aflorar na casa a maestria do chef, formado em cozinhas de hotéis e na convivência com mestres como Laurent Suaudeau, Gualtiero Marchesi e Giancarlo Bolla, assim como se aperfeiçoou a carta de vinhos, hoje digna de elogios dos experts.


Jader da Rocha
Celso Freire: premiado pela terceira vez  

A senioridade do Boulevard se faz perceber ainda no time de atendimento: do sommelier Ronaldo, que está ali desde a abertura da casa, formado em viagens internacionais, à equipe do salão já conhecedora do perfil da clientela. O único aspecto da casa que ainda merece cuidados talvez seja a decoração, um tanto clássica demais.

Mas esse detalhe não arranha a invencibilidade do restaurante, que recentemente implementou novidades no seu dia-a-dia: um cardápio específico para o almoço, reduzido a seis opções de entrada, seis de prato principal e três de sobremesa, a escolher, num menu com preço fechado de R$ 78,00. Entre as entradas, que mudam a cada mês, salada de batatas com agrião e botarga (ovas de peixe defumadas) ou tartar de salmão com crosta de hortaliças. Os pratos principais podem ser massas ou preparações com ave, peixe ou carne, como um entrecôte com molho choron, acompanhado de batata palito frita em manteiga clarificada e sauté de vegetais. Na sobremesa, sorbet de frutas, folhado de manga ou crepe de marrom-glacê. Para o jantar, o menu é mais livre. Entrada: carpaccio de lagosta com chips de batata e vinagrete de jus de crustáceos, R$ 45,00. Prato principal: t-bone de javali semiconfinado, com molho barbecue e quirera da Lapa, R$ 64,00. Sobremesa: mil-folhas de chocolate com chutney de frutas tropicais, R$ 22,00. O sommelier sugere o Cheverny do Vale do Loire (R$ 80,00) como entrada; o tinto argentino Malbec D.O.C 2002 Luigi Bosca (R$ 78,40), para acompanhar o javali, e um Chateau Ramon (R$ 108,80) para fechar. E atenção: a partir do fim de dezembro passarão pela casa, a cada 45 dias, chefs como Claude Troisgros, Alex Atala, Sergio Arno, Salvatore Loi e Francesco Carli. Cada um comandará a cozinha durante três dias. É o início das comemorações dos quinze anos do restaurante.

 

Mercado gourmet


Fotos Jader da Rocha
ocha
O mercado de Curitiba: 42 000 pessoas visitam os 300 boxes a cada semana

Nem é preciso dizer a quem gosta de gastronomia que sempre vale a pena fazer uma visita ao mercado da cidade. No caso de Curitiba, porém, esse é um programa imprescindível. O Mercado Municipal, na Av. Sete de Setembro, no centro, tem mais de 300 boxes em seus 3 400 metros quadrados de área construída. Ali, acomodam-se bancas de queijos, peixes, cereais, frutas e legumes, além de serviços como lotérica, barbearia, tabacaria, pet shops, lojas de aquário, cabeleireiro, armarinhos, revistaria. O lugar abriga ainda exposições de arte, festas típicas de imigrantes e duas praças de alimentação, onde se pode provar uma diversidade de opções gastronômicas. De peixe frito a shiitake ao bafo, de caldinho de feijão a massas caprichadas.

Com freqüentadores acima de 35 anos e uma média de 42 000 pessoas transitando no lugar toda semana, o mercado está testando desde outubro uma inovação: manter-se aberto nas sextas-feiras até as 20 horas, num convite a uma happy hour customizada. Quem quiser pode se sentar numa mesa de bar para bebericar e petiscar. Outros podem aproveitar e fazer compras para uma refeição com amigos no fim de semana. Se der certo, o horário de funcionamento se estenderá até as 22 horas. Outra novidade prevista para 2006 é a implantação de uma ala exclusiva para produtos orgânicos, incluindo restaurante, e novos segmentos, como lan houses, cafés e livraria especializada em produtos gastronômicos. Aí, certamente o mercado vai ferver.