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Interior cosmopolita

Bia Baldim


Alexandre Schneider
Le Troquet: boa comida francesa desde 1976  


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Campinas

A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, não tem nada de caipira no que diz respeito à gastronomia. Dona de um número de bons restaurantes comparável ao de algumas capitais, como Curitiba ou Porto Alegre, já conta até com sede da Associação Brasileira de Sommeliers. A entidade, com 300 associados, realiza freqüentes e concorridos eventos, o que revela o interesse do público local pelo assunto.

É claro que nem sempre foi assim. O salto se deu a partir dos anos 90, quando o mercado se abriu para os importados. De 1991 a 1995, cinco delicatessens foram inauguradas. Entre os restaurantes, antes desse período, apenas o Le Troquet, fundado em 1976 pelo francês Henri Sauveur Hirigoyen, merecia destaque. A casa ainda é a melhor da cidade, segundo o júri de VEJA Campinas, mas outros bons exemplos surgiram. Um deles é o Chef Théo, do português Théo Medeiros. Criado na França, Medeiros estudou em Fontainebleau, ao sul de Paris, e fez estágios com grandes cozinheiros, como Bernard Loiseau. Com créditos assim, não é de estranhar que o júri de VEJA o tenha eleito o chef do ano da cidade.

Logicamente, a oferta de restaurantes e de profissionais de respeito só aumenta porque o interesse do campineiro pela boa comida e pela boa bebida também está crescendo. Recentemente, para se ter uma idéia, a enoteca Fasano, ligada ao famoso restaurante italiano de São Paulo, escolheu para representar seus produtos na região a Tokay Vinhos Especiais. Inaugurada em 2003, a Tokay distribui 500 rótulos e tem adega climatizada.

A proximidade de São Paulo e o crescimento econômico têm sua cota de responsabilidade nessa mudança . Nos últimos cinco anos, 23 hotéis foram abertos em Campinas. Das 500 maiores empresas do mundo, 10% têm representação lá. A região, considerada o Vale do Silício brasileiro, por abrigar diversos centros de tecnologia e pesquisa, tem sediado numerosos eventos e congressos. "O turismo de negócios é uma vocação da cidade", diz Ruy Carvalho, gerente executivo do Convention Bureau, entidade sem fins lucrativos que representa a iniciativa privada.

Diferentemente de São Paulo, no entanto, os negócios não são os únicos motivos que levam turistas a Campinas. A abertura de dois parques de diversões nas proximidades, Wet'n Wild e Hopi Hari, atrai visitantes de fim de semana, e o lazer ligado à natureza também tem incentivado avanços na oferta de bares e restaurantes. O melhor brasileiro da cidade, por exemplo, o Feijão com Tranqueira, fica em Joaquim Egídio, uma área de preservação ambiental com muitas trilhas para trekking, e começou vendendo água e sucos para os ciclistas. Barão Geraldo, outro distrito bucólico a menos de vinte minutos do centro, também agrega opções gastronômicas, como o bistrô Chef Théo. Nisso, a cidade ganha da capital paulista. A boa comida ainda está aliada à beleza natural.