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A alma praiana de
Beagá José Edward Lima
Nélio Rodrigues/1º Plano
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| Alegria no Albano: 2 500 tulipas de chope só nas
sextas-feiras | | O
poeta e compositor mineiro Fernando Brant, que já escreveu muito verso
em mesa de botequim, resumiu bem para VEJA a relação do morador
de Belo Horizonte com esse tipo de estabelecimento: "A alma de Beagá está
nos bares, mar mineiro de cerveja e pinga". Não há, em terras mineiras,
quem discorde de Brant. "Os bares estão para os belo-horizontinos assim
como as praias estão para os cariocas e os capixabas", compara Roberto
Noronha, presidente da seção local da Associação Brasileira
de Bares e Restaurantes. Noronha, que também é professor de história
e dono de bar, está escrevendo um livro com o sugestivo título BH,
Se Não Tem Mar, Tem Bar.
E como tem. São pelo menos 10 000 bares, botecos e congêneres
um para cada grupo de 230 habitantes. Juntas, essas casas geram 40 000 empregos
diretos e 100 000 indiretos. Afinal, nem todo mundo vai a bares apenas para beber
e petiscar, embora esse seja o programa predileto de todas as faixas etárias
na capital mineira. Inclusive, diga-se, de muitas mulheres, que não dispensam
uma boa cachacinha. São dezenas
de aglomerados com opções para todos os bolsos e gostos, apelidados
pelos nativos de "passarelas do álcool". Na chamada happy hour, a maioria
deles fica lotada e muitos espalham mesas pelas calçadas. Um desses circuitos
fica na Rua Pium-i, no bairro Anchieta, onde funcionam nada menos que doze bares
entre eles a choperia Albano's, que serve em média 2 500 tulipas
de chope só nas sextas-feiras. "Em uma década de mercado já
vendemos quase 3 milhões de litros de chope", revela um dos donos da Albano's,
Rodrigo Ferraz, que é sócio de outros cinco bares na cidade.
Alguns botecos, como o Bolão, no tradicional
bairro de Santa Tereza, ficam abertos 24 horas por dia. Gente de todo canto da
cidade dá uma passada por lá na madrugada, para tomar a saideira
depois de algum programa. Outro templo da boemia belo-horizontina é o Tip
Top, o bar mais antigo em funcionamento na cidade. Aberto em 1929, no bairro de
Lourdes, é decorado com fotos antigas, que contam a história da
capital mineira, e tem cardápio especializado em petiscos alemães,
como o salsichão e o kassler.
Nos últimos anos, uma nova onda tem crescido na praia mineira: os bares
e cafés instalados em espaços culturais, sobretudo nas livrarias.
Apenas na região conhecida como Savassi, há pelo menos uma dezena
de boas casas do gênero, com destaque para o Café com Letras, o Café
da Travessa e o Status Café, Cultura e Arte. Localizadas a poucos quarteirões
umas das outras, todas têm bom menu de eventos culturais. Nessa mesma linha
foi inaugurado recentemente, no bairro Serra, o Villa Rizza Bar & Música,
que tem como mote a música mineira de qualidade. Esse bar está localizado
em um casarão da década de 20 que foi totalmente restaurado e equipado.
Não por acaso Belo Horizonte
é palco do mais famoso evento voltado exclusivamente para botequins no
país: o festival Comida di Buteco, cuja sétima edição
ocorre em maio de 2006. Durante um mês inteiro, botequeiros inveterados
fazem uma maratona etílico-gastronômica por dezenas de bares e votam
nas categorias melhor tira-gosto, melhor atendimento, cerveja mais gelada e melhor
higiene. Na edição de 2005, 85 000 pessoas votaram. "Nossa idéia
é ajudar na revitalização dessa culinária de raiz
que sai das nossas casas para ganhar os bares", filosofa um dos organizadores,
Eduardo Maya, com a autoridade de quem se diplomou na renomada escola de gastronomia
francesa Le Cordon Bleu. Não é filosofia de botequim. Desde que
o evento começou a ser realizado, há seis anos, ocorreu uma sensível
melhora no atendimento e nos cardápios dos bares, incluindo a introdução
de algumas pitadas de requinte em receitas tradicionais da trivial comida mineira.
| O cozinheiro cresceu.
E venceu
Nélio Rodrigues/1º Plano  |  |
| Ivo Faria: na cozinha desde a adolescência | |
Pela quinta vez escolhido o chef do
ano por VEJA Belo Horizonte, Ivo Faria da Costa, 52 anos, nunca teve dúvida
sobre a profissão que abraçaria. Aos 14 anos ingressou no curso
de gastronomia do Senac. Aos 17, trocou a posição de aluno pela
de instrutor e, após graduar-se em nutrição e dietética,
ganhou uma bolsa para estudar no Centre International de Glion, renomada escola
de gastronomia suíça. De volta ao Brasil, passou uns tempos comandando
a cozinha de uma rede de bares e restaurantes até que abriu o Vecchio Sogno
(Velho Sonho), em 1995. Era realmente a realização de um desejo
antigo. Ali, o chef pôde, finalmente, mostrar toda a sua capacidade e criatividade.
Instalado no subsolo da Assembléia Legislativa, o restaurante já
conquistou sete vezes o título de melhor da cidade. Em 2005 papou também
as medalhas de melhor italiano e melhor variado.
Sempre na casa, o chef gosta de mostrar sua iluminada e transparente cozinha aos
clientes e de explicar como concebe as receitas. Inquieto, renova o cardápio
a cada quatro meses, toda semana prepara uma receita extra e periodicamente promove
minifestivais temáticos. Sempre que é solicitado, brinda os clientes
com menus de confiança, compostos de receitas exclusivas e personalizadas.
"Adoro inventar novos pratos. O cardápio fixo é apenas um guia",
diz. Dessa forma, já bolou mais de 5 000 receitas. "O Ivo é supercriativo
e se esmera para atender bem e surpreender os clientes", atesta o crítico
de gastronomia Sérgio Augusto de Carvalho.
Característica marcante de sua cozinha é o uso de grande variedade
de ingredientes, combinando diferentes sabores e aromas com extrema elegância.
Entrada: terracota com batata-baroa tartufata com gamberi (creme de mandioquinha
trufado com camarões), R$ 22,00. Prato principal: tagliata de noce alla
salsa toscana com gratinato di gnocchi (capa de contrafilé fatiada, temperada
com pimenta-biquinho e acompanhada de nhoque gratinado sobre espinafre), R$ 42,00.
Sobremesa: torta de banana com sorvete de queijo-de-minas e calda de goiaba (R$
10,00). A casa integra a Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança.
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