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Vale do Paraíba
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Mais bonita e mais gostosa

Leonardo Coutinho


Octavio Cardoso
A Estação das Docas: onze bares e restaurantes com vista para a Baía de Guajará


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VEJA O Melhor da Cidade
Belém

Nunca foi difícil comer gloriosamente em Belém, seja nas mesas típicas regionais, seja nas da cozinha internacional. Nos últimos anos, no entanto, a gastronomia local se transformou de tal maneira que fica difícil fazer comparações com a que se encontrava ali no passado. Somente de 2003 para cá 62 novos bares e restaurantes se acomodaram na paisagem da cidade. Desses, dez mereceram prêmios ou destaques do júri de VEJA Belém em 2005. Ou seja, o salto não foi só na quantidade, mas também na qualidade.

A mudança é reflexo direto da notável renovação arquitetônica implementada na capital do Pará, iniciada com a reforma de parte da zona portuária, há cinco anos. Antes degradado, como costumam ser essas áreas, o lugar recebeu um investimento de 30 milhões de reais. A estrutura de ferro inglês dos antigos galpões – que, por sinal, obstruíam a vista da Baía de Guajará – ganhou paredes de vidro. Integrada à paisagem, a construção passou a abrigar um dos maiores complexos gastronômicos do país. Hoje, centenas de pessoas freqüentam diariamente o lugar. Querem saborear a boa comida das onze casas ali instaladas – de quebra, aproveitam para observar um dos mais belos crepúsculos do Brasil.

Desde essa primeira iniciativa, a conjunção entre paisagem, arquitetura e boa cozinha tornou-se uma constante em Belém. Foi a restauração de construções do centro histórico que deu à cidade, em 2003, um dos restaurantes mais disputados do momento, o Boteco das Onze. Famoso por seus pratos brasileiros, drinques vistosos e cenário de tirar o fôlego, o boteco fica na Casa das Onze Janelas, residência que no passado foi hospital e instalação militar.

O efeito da recuperação de algumas áreas verdes, como o Parque Ecológico Mangal das Garças e o charmoso Parque da Residência – antiga casa oficial dos governadores do estado –, foi idêntico. Os novos projetos arquitetônicos incluíram espaço para restaurantes que já se destacam na cena gastronômica local. Um deles, o Manjar das Garças, inaugurado neste ano, ficou entre os dez melhores da cidade no ranking de VEJA Belém.

Como era de esperar, tantas novas cozinhas atraíram chefs de fora e levaram os locais a se atualizar. Hoje se pode dizer, sem medo de errar, que a oferta e o nível dos restaurantes são fatores importantes no aumento do turismo na região – de 2004 para 2005 o número de desembarques no Aeroporto Internacional Val de Cans cresceu 46%. Só é de lamentar que a estrutura de serviços da cidade não acompanhe a estrondosa evolução de sua gastronomia.

 

O embaixador do Pará


Fotos Octavio Cardoso
doso
O chef Paulo Martins e o terraço do Lá em Casa: ingredientes típicos

Desde que abriu seu restaurante, o Lá em Casa, há 33 anos, o arquiteto Paulo Martins, eleito o chef do ano por VEJA Belém, tornou-se um embaixador da culinária de seu estado. "Em Belém não havia um restaurante de cozinha paraense", lembra-se. Um crime, certamente, uma vez que a região é farta em ingredientes e pratos que os turistas anseiam conhecer.

Martins supriu a carência com galhardia. No Lá em Casa, eleito o melhor restaurante de cozinha paraense, ele se esmera em dar uma aparência cuidadosa aos saborosos pratos regionais. Especialista numa cozinha fortemente sustentada em bases indígenas, o chef já surpreendeu o catalão Ferran Adriá, um dos mais respeitados cozinheiros do mundo, com ervas como o jambu e frutas como o cupuaçu. Não é por acaso que Adriá aponta a Amazônia como uma das regiões mais promissoras do planeta para o desenvolvimento da gastronomia. Martins sabe disso e não perde tempo. Desde 1999 ele organiza anualmente a maior festa gastronômica de sua cidade, o Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, com a participação de chefs de todo o país. Comanda, ainda, mais dois restaurantes, O Outro, de cozinha variada, e Ver-o-Pesinho, com serviço de bufê – sem falar na filial do Lá em Casa na Estação das Docas. Vale a pena conhecer o seu menu paraense (casquinha de caranguejo, feijão de santarém, molho de leite de coco, farofa de pirarucu, maniçoba, pato no tucupi e sorvete de frutas regionais, R$ 28,00).