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Profissão
Na
hora de escolher a carreira, é bom
se informar, planejar a longo prazo e
não temer uma guinada no futuro
Assustados,
confusos, indecisos. É assim que muitos jovens se sentem
na hora de escolher sua profissão, às vésperas
das inscrições para os vestibulares. Aquela certeza
desde pequeno do que se vai ser quando crescer não rolou.
Surge o medo de não dar certo. E a angústia aperta
mais diante do variado leque de alternativas de curso superior.
São mais de 150 e, a cada dia, surgem novas opções
de carreiras e de oportunidades de trabalho. O que fazer? Esse turbilhão
de dúvidas não deve ser encarado como um problema
grave. Especialistas garantem que a insegurança diante da
escolha profissional é um sintoma saudável e produtivo.
Com vários caminhos abertos à sua frente, o indeciso
tem maiores chances de escolher melhor do que quem apóia
sua certeza em fantasias. Por isso, recomenda-se que essa fase da
vida seja enfrentada com tranqüilidade pelos jovens e sua família.
Afinal, toda decisão pressupõe incertezas e uma dose
de risco. E esse é o primeiro grande desafio do jovem diante
do novo e do desconhecido.
Uma
forma de diminuir a pressão é saber que essa escolha
profissional não é necessariamente definitiva. Novos
caminhos vão surgir durante a faculdade, o mercado de trabalho
pode exigir adaptações ou uma grande guinada na carreira.
"A faculdade deve ser encarada como a escolha de uma plataforma,
um alicerce para a construção da vida profissional",
afirma Rubens Gimael, especialista em desenvolvimento de carreira
da NeoConsulting. É comum encontrar engenheiros trabalhando
na área de finanças, arquitetos se dedicando à
área comercial, economistas cuidando de marketing. A mudança
não significa fracasso nem frustração, mas
sim a aceitação de desafios que a vida vai trazendo.
Escolher uma profissão representa esboçar um projeto
de vida, questionar valores, as habilidades, o que se gosta de fazer,
a qualidade de vida que se pretende ter. E esse momento de reflexão
pode render bem mais quando é compartilhado com a família.
Mas, por excesso de liberalismo, muitos pais se omitem com a desculpa
de não querer interferir na vida dos filhos.
Um
passo importante para o jovem indeciso é investigar, reunindo
informações sobre as profissões e cursos oferecidos
pelas faculdades. Há ainda a opção de buscar
apoio em empresas de orientação vocacional. As transformações
econômicas que atingiram o mundo de forma global impulsionaram
novas e promissoras carreiras. São as profissões que
envolvem inovações tecnológicas e áreas
de inteligência e conhecimento. As carreiras tradicionais,
como medicina, direito, engenharia, letras e administração,
ainda são as mais procuradas nos vestibulares. Elas se renovaram
e ganharam áreas de atuação que prometem sucesso
e bons rendimentos, como o campo de biotecnologia para os advogados
e o de meio ambiente para engenheiros. É bom também
ficar antenado com o crescimento dos setores de serviços,
lazer e entretenimento, meio ambiente e projetos sociais. Eles abriram
oportunidades atraentes de trabalho para os profissionais com formação
em biologia e educação física, que andavam
em baixa, e valorizaram cursos que antes eram considerados de segunda
linha, como relações internacionais, turismo e hotelaria.
Em
meio a tantas opções, o estudante deve ficar atento
a algumas armadilhas. A primeira delas é acreditar que cursar
uma boa faculdade vai livrá-lo do desemprego e assegurar
o sucesso profissional. Uma boa escola pode até abrir portas
no início da carreira, mas vale lembrar que existem muitos
profissionais em altos cargos nas empresas que não vieram
de cursos de primeira linha. Para os especialistas em recursos humanos,
o sucesso numa profissão depende de 30% de conhecimento e
70% de atitude. Da mesma forma, decidir-se por uma carreira apenas
porque ela está em alta no mercado normalmente é o
caminho mais rápido para o abandono de uma profissão.
"Quem não leva em conta sua afinidade com uma carreira ao
fazer uma escolha fatalmente desistirá dela quando a oferta
de trabalho cair", afirma a psicóloga Renata Mello, da equipe
de orientação profissional do Centro de Integração
Empresa Escola (CIEE), de São Paulo. O cuidado deve ser redobrado
em carreiras com um campo de atuação restrito e que
não possibilitam ao estudante mudar facilmente de área
de trabalho, como oceanografia, odontologia e telecomunicações.
No fim da década de 90, a expectativa de um mercado de trabalho
promissor na área de telecomunicações levou
à ampliação de vários cursos, como engenharia
de telecomunicações, que agora não conseguem
preencher todas as vagas. Há trabalho para profissionais
de nível técnico e de manutenção, mas
poucas vagas para cargos de direção e gerência.
Ao mesmo tempo, o jovem que já se decidiu por uma carreira
não deve desistir dela por causa do temor do desemprego
fantasma que ronda todas as profissões. "Quem faz a escolha
certa tem mais autoconfiança, sobressai e chega ao sucesso",
diz Renata Mello, do CIEE.
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Profissionais
de sucesso contam
como escolheram sua carreira |
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Daniela
Picoral

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Fernando
Reinach, 47, paulista |
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Profissão:
biólogo e geneticista, diretor
executivo da Votorantim Ventures,
professor da Universidade de São
Paulo e da Cornell University,
nos Estados Unidos |
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"Eu
tinha 16 anos quando me apaixonei
pela biologia, depois de uma aula
fascinante sobre a origem da vida.
Decidi cursar biologia e ser geneticista.
Meu pai, um engenheiro, me acusou
de estar fugindo do vestibular
de medicina. Acabei entrando nos
dois cursos e tranquei medicina
por dois anos antes de desistir.
Fiz doutorado nos Estados Unidos
e depois fui pesquisador em Cambrigde,
Inglaterra. Voltei em 1986 para
ser professor na USP. A grande
preocupação do meu
pai era como eu ia ganhar dinheiro.
Em 1990, abri a primeira empresa
de engenharia molecular no Brasil,
Biotec, e agora comando um fundo
de investimento em biologia, a
Votorantim Ventures. Quando um
dos meus filhos me disse que ia
fazer ciências sociais,
eu respondi que achava ótimo."
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Renato
Chaui

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Danielle
Dahoui, 34, carioca |
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Profissão:
restaurateur, dona do bistrô Ruella,
em São Paulo, e do Bar D'Hôtel,
no Rio |
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"Ainda
estudante no Rio, gostava de cozinhar,
mas meu sonho era fazer jornalismo.
Em 1987, entrei em jornalismo
na PUC e, logo depois, ganhei
uma bolsa de estudos na Sorbonne,
em Paris. Não cheguei a
completar o primeiro ano do curso.
Para pagar as despesas, fui ser
ajudante de cozinha. Vi que era
aquilo que queria fazer. Aprendi
muito trabalhando em vários
restaurantes na França,
durante quatro anos. Eu não
tirava o olho do chef de cozinha.
Estagiei em padaria para aprender
a fazer pães e doces, hoje
uma das minhas especialidades.
Em 1995 arrendei o horário
do almoço em um restaurante
em São Paulo. Foi um sucesso.
Alguns investidores me procuraram
e assim consegui abrir meu primeiro
restaurante, o Ruella. Não
fiz nenhum curso, mas se pudesse
voltar no tempo eu teria cursado
uma faculdade de gastronomia em
Paris." |
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Ana
Araujo

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Carla
Amorim, 38, brasiliense |
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Profissão:
designer de jóias, dona de seis
lojas no Brasil e duas no exterior |
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"Sou
apaixonada por moda e beleza desde
criança, mas, sei lá
por que, acabei cursando a faculdade
de letras e virando funcionária
pública. Nas horas livres,
desenhava e montava brincos e
colares, que eu mesmo usava. Até
que um dia caiu a ficha: por que
não transformar o que eu
mais gostava numa profissão?
Comecei aos poucos. Fazia algumas
peças e as vendia a colegas
de trabalho. Finalmente tomei
coragem, joguei o emprego para
o alto e resolvi me dedicar inteiramente
ao design de jóias. Diziam
que eu estava louca, que os brasileiros
não tinham dinheiro para
comprar jóias... Fiz um
curso de desenho e outro de ourivesaria.
Meu pai entendeu e me deu dinheiro
para começar. O mais importante
é que eu amo meu trabalho.
Quando isso acontece, nada pode
dar errado." |
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Marcelo
Gleiser, 43, carioca |
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Profissão:
professor de física e astronomia
do Dartmouth College em New Hampshire,
nos Estados Unidos |
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"Eu
jogava vôlei no Rio e fui
até campeão brasileiro
no colegial. Também estudava
muito e, desde os 15 anos, já
tinha um grupo de estudos de física.
Queria estudar física,
mas meu pai dizia que ninguém
iria me pagar pra contar estrelas.
Acabei cursando dois anos de engenharia
química. Mas minha cabeça
não era para engenharia.
Terminei me transferindo para
o curso de física e me
formei em 1981. Depois fiz mestrado
antes de sair para um doutorado
na Inglaterra. Hoje, sou professor
titular em uma das universidades
mais conceituadas dos Estados
Unidos e trabalho ativamente em
pesquisa e divulgação
científica. Acredito que
só iremos fazer muito bem
aquilo que realmente queremos
fazer. Escolher uma profissão
'viável', que não
seja realmente desejada, pode
até dar certo, mas é
um compromisso arriscado com a
vida." |
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