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Família
Sair
de casa. Vale a pena?
A convivência
entre pais e filhos tem momentos
complicados. Mas a maioria dos teens não pensa
em morar só
Fernando Vivas

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Em
pé, Bruna, de 15 anos, e Marcela, de 9. Sentados,
os pais, Roberto e Elane
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Família
Guimarães, de Salvador |
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Limites
com rigor |
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Na
casa dos Guimarães há regras rigorosas
para as filhas, principalmente a mais velha, Bruna,
de 15 anos. Quando ela sai, os pais querem saber
aonde vai, com quem e impõem um limite: ela
precisa estar em casa até a meia-noite. O
pai, Roberto, não dorme direito até
a volta da filha. Quando ela vai a uma festa, ele
procura saber se o evento é adequado à
idade dela. "Nós vivemos em um mundo
muito violento e os jovens ainda são muito
ingênuos", diz. Ele acha cedo para a
filha namorar. Se a menina quer viajar com as amigas,
é a mãe, Elane, quem trata de convencer
o marido. "Com minha mãe eu tenho liberdade
para as conversas mais íntimas", conta
Bruna. |
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Os adolescentes ainda continuam respondões e com acessos
de mau humor, mas pelo menos começaram a entender melhor
os pais. A maioria gosta da vida familiar, convive bem com o pai
e a mãe e não pretende sair de casa tão cedo.
Autonomia e independência? Para quê, se em casa tem
a comidinha da mamãe? Os jovens pensam até em morar
sozinhos um dia, mas só quando estiverem seguros da decisão.
Para a maior parte, não vale a pena sacrificar o conforto
pela independência. Uma pesquisa que ouviu 2 425 jovens em
seis capitais e no interior de São Paulo aponta que 82% deles
têm pouca ou nenhuma vontade de morar longe dos pais. A principal
razão é o bom relacionamento dentro de casa. Apenas
7% da garotada se dá mal com o pai e só 3% não
se dão bem com a mãe. A proximidade maior tem facilitado
até a vida de namorados e namoradas. Um levantamento mostra
que 15% dos pais permitem que as filhas durmam acompanhadas em casa.
Entre os rapazes, esse número dobra.
A relação entre pais e filhos mudou e para
melhor. Até bem pouco tempo atrás o diálogo
entre gerações era muito mais difícil. Educação
significava rigidez. Assuntos como a sexualidade passavam longe
da mesa de jantar. Os filhos reprimidos dessa época se tornaram
os pais desorientados de hoje em dia. Ao mesmo tempo que se aproximaram
dos filhos, vivem um dilema. Qual a melhor conduta? Endurecer o
jogo, como no passado, e ressuscitar todo o conflito de gerações,
ou assumir uma postura liberal e correr o risco de perder as rédeas
da situação? A resposta é mais simples do que
parece. A maioria dos educadores concorda que os pais devem fazer
papel de pais, precisam censurar quando for necessário, não
ceder e agüentar firme as provocações. "Não
adianta fazer concessões ao jovem. É preciso deixar
claro o que se pretende passar para ele", afirma o psicólogo
paulista Antonio Carlos Egypto. Por melhor que seja a relação,
pais e filhos nunca serão amigos no sentido estrito da palavra.
Ao se tornar amigo, o pai corre o risco de não mais exercer
seu papel, que é orientar.
André Penner

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Da
esquerda para a direita, Carolina, de 20 anos, Maíra,
de 15, Vinícius, de 13, a mãe, Rosália,
e João, de 1 ano
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Família
Rio, de São Paulo |
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Diálogo
franco e discussão sobre autoridade |
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Mãe
de quatro filhos, Rosália Rio chegou a permitir
que a mais velha, Carolina, de 20 anos, levasse
o namorado para dormir em casa. Depois recuou. "Comecei
a achar que era uma situação meio
esquisita para os outros irmãos", diz.
O diálogo é franco com todos e ela
fica feliz que os filhos lhe contem tudo, mas acha
que, às vezes, essa proximidade pode comprometer
sua autoridade. |
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É
importante para os pais estabelecer limites aos jovens. Se não
acham correto que a garotada beba, devem dizer abertamente, ainda
que isso cause divergências. Esse conflito é importante
para o amadurecimento do adolescente. Diante de uma negativa, o
jovem é obrigado a tomar uma decisão. Ou ele vai contra
os pais e segue por sua conta e risco, arcando com as conseqüências,
ou acata a determinação. Esse tipo de ponderação
é o que leva à maturidade. "Ao não concordarem
com um hábito ou comportamento do filho, os pais estão
passando seus valores, algo em que acreditam. Para estabelecer seu
próprio jeito de viver no mundo, o adolescente precisa de
alguns princípios básicos, que são adquiridos
muitas vezes na base da divergência", explica o psicanalista
Raul Gorayeb, da Universidade Federal de São Paulo. Pais
de verdade são aqueles que exercem o papel que lhes cabe.
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