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Voluntariado
Política não.
Eles querem ajudar
O
desejo é mudar o mundo.
Só que essa revolução é feita
com trabalho voluntário
Fotos Claudio Rossi
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Lua
Gabriela Nunes da Silva, 22 |
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Voluntária
do Tamar |
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Estudante
de oceanografia em Santa Catarina, Lua Gabriela,
de Itajaí, SC, passa as férias como voluntária na
base de preservação do Tamar, em Ubatuba, no litoral
norte de São Paulo. Ela faz palestras sobre preservação
ambiental para estudantes e pescadores da região
e monitora as tartarugas que vêm desovar na praia.
"Se eu conseguir mudar a cabeça de um pescador,
o trabalho já terá valido a pena", diz a voluntária. |
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Os
jovens do século XXI continuam tão idealistas e dispostos
a mudar o mundo quanto os dos anos 60. A diferença é
que descobriram um caminho que não passa pela militância
política: o do trabalho voluntário. O enfoque diferente
entre essa geração e a anterior tem algumas explicações:
o Brasil é uma democracia estável praticamente desde
que eles nasceram. A visão ideológica bipolar desabou
junto com o Muro de Berlim quando eram crianças. O que viram
nos últimos anos só aumentou a desilusão com
os partidos políticos. Por outro lado, a opção
pelo trabalho voluntário faz notável diferença
num país com tantos contrastes sociais como o Brasil. Nos
últimos cinco anos, a participação dos jovens
em filantropia pulou de 7% para 34% em 400 entidades brasileiras.
Mais de 8 milhões com idade entre 15 e 24 anos realizam alguma
atividade voluntária. Estima-se que outros 14 milhões
estejam interessados em fazer esse tipo de trabalho, mas não
sabem como começar.
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Alice
Coutinho Costa e Lima, 17 |
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Voluntária
em hospital infantil |
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A
pernambucana Alice conta histórias, ensina desenho
e modelagem para crianças carentes da enfermaria
pediátrica de um hospital no centro de São Paulo."É
gratificante ver a reação delas. Tinha uma criança
que estava tão triste que não falava uma palavra
fazia quinze dias", conta. "A mãe tentou de tudo.
Foi só a gente começar com as atividades recreativas
que ela voltou a rir." |
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Os
jovens voluntários são movidos por três estímulos
básicos. O primeiro é a vontade de ajudar a resolver
os problemas e as desigualdades sociais do Brasil. O segundo é
o de se sentir útil e valorizado. Por fim, o desejo de fazer
algo diferente no dia-a-dia. Quando decidem ajudar, eles procuram
principalmente os projetos que envolvem crianças carentes
(os preferidos de um em cada três voluntários), os
educacionais, como dar aulas de reforço, e os de meio ambiente.
O caminho mais fácil para quem quer começar a fazer
algum trabalho voluntário está muitas vezes na própria
escola. Dezenas de colégios desenvolvem trabalhos sociais
como rotina e incluem projetos de voluntariado como disciplina optativa
no currículo escolar. Outras escolas, principalmente as religiosas,
mantêm projetos vinculados à igreja e a paróquias
de comunidades carentes. É possível também
se inscrever em ONGs especializadas em encaminhar voluntários
para entidades. Elas funcionam como uma agência de empregos,
em que o candidato indica as habilidades, o trabalho que gostaria
de fazer e o tipo de instituição em que quer atuar.
Ele então recebe uma lista de entidades compatíveis
com seu perfil tirada dos bancos de dados dessas ONGs. Simples,
não?


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