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Religião
Garotos de fé
Os
jovens estão mais místicos,
mas definem sua religiosidade
com liberdade e sincretismo
Claudio Rossi
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José
Daniel Violante Filho, 17, de São Paulo |
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Budista |
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O
estudante paulista visitou pela primeira vez o centro
budista Buddha's Light há um ano, com os amigos.
"Fui por curiosidade", diz. Lá, praticou meditação,
gostou e se tornou freqüentador. Ele mora na Zona
Sul de São Paulo com os avós, que são católicos.
"Eles vão à missa, mas eu não me identifico com
a fé católica", comenta ele. |
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Você
acredita em Deus? O Instituto de Estudos da Religião (Iser)
fez essa pergunta a 800 brasileiros com idade entre 15 e 24 anos
e 98% deles responderam sim. Trata-se de uma maioria acachapante,
capaz de desarmar qualquer ceticismo em relação à
religiosidade dessa geração. Talvez o correto seja
dizer "espiritualidade", pois a fé é hoje muito mais
uma questão de escolha pessoal do que era nos tempos do vovô,
quando a garotada ia à igreja por imposição
familiar e social. Os jovens hoje elegem a própria fé.
"Como a decisão é deles, a religiosidade dessa geração
tende a ser muito mais forte que nas décadas passadas", diz
a antropóloga Regina Novaes, do Iser. Entre os que seguem
alguma religião, 33% escolheram por decisão pessoal,
independentemente da preferência familiar. Tanto é
assim que dois em cada dez mudaram de religião ao menos uma
vez.
Nélio Rodrigues/1º
Plano
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Joyce
de Souza Cunha Melo, 18, de BH |
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Católica |
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A
estudante mineira vai à missa uma vez por semana
e é devota de São Josemaría Escrivá, fundador do
Opus Dei. Acredita em milagres e já fez promessas,
uma delas para passar no vestibular. Ela cursa o
1º ano de administração na Universidade Federal
de Minas Gerais. Nem sempre foi assim. "Quando eu
era mais nova, era superesotérica, acreditava em
horóscopo", diz. |
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Boa
parte dos teens está olhando para a religião como
se estivesse diante de uma prateleira de supermercado. "É
como um serviço self-service, em que a pessoa escolhe a que
mais a atrai", define Mário Sérgio Cortella, professor
do departamento de teologia e ciências da religião
da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo. Os teens sentem-se à vontade para experimentar. Eles
acreditam em Cristo, nos orixás e até em duendes,
tudo ao mesmo tempo. Sobra ainda espaço para a proliferação
de crenças alternativas, cujo maior atrativo é o inusitado,
como cura por cristais, invocação de anjos e bruxaria.
Cacau Mangabeira
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William
Silva, 18, de Itacaré, Bahia |
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Evangélico |
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Nascido
numa família de católicos praticantes, William tornou-se
evangélico há seis anos. Sua igreja, a Bola de Neve,
é freqüentada sobretudo por jovens. Surfista desde
criança, ele sempre reza antes de entrar no mar
e pegar onda. Muitos de seus amigos usam drogas.
"Eu não uso porque Deus não gosta dessas coisas",
diz. "Vivo aconselhando meus amigos e às vezes consigo
convencer alguns deles a largar o vício." |
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É
curioso que isso esteja ocorrendo com os filhos de uma geração
que, trinta anos atrás, fugiu da religião institucionalizada.
O movimento atual é no sentido inverso, com o aumento nas
hostes de fiéis. Metade dos freqüentadores dos cultos
evangélicos tem menos de 24 anos. Missas católicas
são agora animadas em ritmo de rock, tecno e rap. Há
igrejas neopentecostais criadas especialmente para fiéis
mais jovens. Uma delas, a Bola de Neve, usa uma prancha de surfe
como altar. A tolerância religiosa é uma das características
bem-vindas dos novos fiéis. Nesse aspecto, o budismo, que
não exige exclusividade de seus praticantes, tornou-se a
opção preferida de quem deseja freqüentar mais
de uma religião ao mesmo tempo.
98%
dos
800 brasileiros com idade entre 15 e 24 anos ouvidos numa
pesquisa disseram acreditar em Deus
Entre os que seguem alguma religião,
33%
escolheram sua fé por
decisão pessoal, sem interferência da família
17%
deles tinham mudado
de religião ao menos uma vez |
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Uma
das características da religião é promover
a integração social. Rapazes e moças vão
à igreja ou ao templo e lá conhecem outros adolescentes
que pensam como eles. Assim, formam grupos. Assistem aos cultos
juntos, saem à noite, viajam. O lazer fica associado à
religiosidade. "A maioria de meus amigos é daqui", diz a
estudante paulista Ana Teresa Santos Cavalcante, de 17 anos, que
freqüenta a igreja evangélica Bola de Neve. "Gostamos
das mesmas coisas, fazemos os mesmos passeios, por isso nos damos
tão bem", afirma ela.
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