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Gravidez
Filhos
antes da hora
A
gravidez indesejada na adolescência
atrapalha os estudos e pode frustrar os
planos para o futuro
André Penner
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UM
GAROTÃO
Lina com o filho, João Gabriel: sem deixar de ir à
faculdade apesar do barrigão |
A gravidez
na adolescência é um desastre na vida de qualquer menina.
Uma jovem que tem seu bebê aos 16 anos se vê com a tremenda
responsabilidade de ser mãe numa época em que deveria
estar se preparando para o vestibular e dando os primeiros passos
rumo à carreira profissional. Meninas entre 15 e 19 anos
deram à luz 1 milhão de bebês no ano passado,
de acordo com os números do Ministério da Saúde.
Há um paradoxo aí, que só os hormônios
em ebulição e a impetuosidade natural da idade podem
explicar. Nunca uma geração esteve tão bem
informada sobre métodos anticoncepcionais e consciente da
necessidade de se proteger contra doenças sexualmente transmissíveis.
O índice de jovens que dizem só transar de camisinha
chegou a 90% numa pesquisa realizada pela Unesco, que ouviu 16 000
estudantes de catorze capitais brasileiras. Mas essa taxa cai drasticamente
quando o namoro fica sério. Só dois em cada dez continuam
a usar o preservativo com a assiduidade dos primeiros tempos. Daí
à gravidez indesejada basta um vacilo.
Cristiano Mariz
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MENINONA
Taís e Arthur com a filha, Isabella: gravidez aos 15
anos |
Os brasilienses Taís Vidal de Oliveira Feijó e Arthur
Duarte França começaram a namorar na escola, quando
ela tinha 14 anos e ele, 15. Um ano depois, Taís descobriu
que estava grávida. "Só pensava em como contaria para
os meus pais. Só tive coragem de falar quando já estava
com sete meses de gravidez", lembra. A filha, Isabella, nasceu em
2001. O namoro acabou um ano depois. Com ajuda de sua mãe,
que cuida da criança e paga as contas, Taís pôde
continuar a estudar. Ela começa neste semestre a cursar direito
e Arthur vai prestar vestibular para o curso de marketing. Os dois
namoram outras pessoas, mas se vêem todos os dias por causa
da filha. "A Isabella passa metade do tempo comigo e a outra metade
com o pai", diz Taís.
Qual
a responsabilidade dos pais dos adolescentes numa situação
como essa? Da mesma forma que não há uma fórmula
mágica para garantir que os filhos serão pessoas felizes
e bem-sucedidas, não há receita de como prepará-los
para a chegada precoce de um bebê. Quando ocorre a gravidez
inesperada, não adianta pressionar os jovens nem pensar em
obrigá-los a casar. A decisão de levar adiante ou
não o relacionamento deve partir do casal. Mas o apoio dos
adultos é um fator decisivo para o jovem assumir ou não
a criança. Aos 17 anos, a estudante paulista Lina Braga Santin
descobriu que estava grávida. Na época, ela terminava
o colegial, trabalhava como modelo e curtia a relação
com Luciano, de 20 anos, seu namorado desde os 13. Ter um filho
definitivamente não estava em seus planos. "Eu sonhava em
ser mãe um dia e, após o susto, comecei a ver meu
desejo se realizar", diz ela. Lina conseguiu terminar o colegial
e em seguida entrou para a faculdade de direito "com o barrigão".
Hoje, dois anos depois, ela freqüenta o curso à noite
e faz estágio à tarde. Enquanto isso, seu filho, João
Gabriel, de 1 ano e 2 meses, fica com a babá. Lina e Luciano
não estão mais namorando, mas ele mora a um quarteirão
da casa dela e sempre visita o filho.
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A
avó vira mãe |
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André Penner
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AJUDA
DA VOVÓ
Paula, Cauã e a vovó Sulamita:
manha só com os pais |
Um
resultado bem comum da maternidade precoce é
os avós se encarregarem da educação
da criança pelo menos temporariamente,
até que a mãe tenha condições
econômicas de assumir a empreitada. Há
três anos, a estudante Paula Meninel, hoje
com 20 anos, ficou grávida do namorado,
Caio, de 21. Na época, ela cursava a faculdade
de fisioterapia e teve de interromper os estudos
por causa da gravidez. Depois que Cauã
nasceu, Sulamita, esteticista de 44 anos, mãe
de Paula, passou a cuidar não apenas da
filha mas também do neto. "Como sou mais
experiente, acabei exercendo o papel de mãe
dos dois", diz Sulamita. Paula retomou os estudos
aos poucos e começou a trabalhar. Namora
o pai do garoto, que assumiu o bebê, mas
o casal não pensa em morar junto. Quem
fica mais tempo com o bebê é Sulamita.
E a avó é dura na queda e na disciplina.
"As crianças costumam fazer mais manha
com os avós, porque eles deixam os netos
fazer de tudo", observa Sulamita. "Mas comigo
é o contrário. Cauã faz manha
com os pais dele, mas me obedece, porque sabe
que eu sou brava e dou bronca." Apesar da ajuda
da mãe, Paula não pôde voltar
à vida despreocupada de estudante. "Deixei
de sair à noite, fiquei mais caseira",
diz. Hoje nem pensa em outro filho tão
cedo. "Se tiver, vai ser já perto dos 40",
afirma.
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