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TRABALHO
SOCIAL
Em busca do
bem
Ações
voluntárias permitem que alunos
tenham contato com realidades diferentes
Fernando Vivas
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| Ronda
noturna do Antônio Vieira: alunos distribuem sopa a moradores
de rua |
Incentivar
os alunos a praticar ações filantrópicas é
uma maneira encontrada pelas escolas para que crianças e
adolescentes das classes média e alta tenham a oportunidade
de entrar em contato com a realidade de comunidades carentes. Nessa
área, os colégios católicos se destacam. No
Antônio Vieira, todos passam obrigatoriamente pela Experiência
de Fraternidade. A partir da 5ª série, a cada semestre
os alunos precisam atuar em alguma instituição ligada
à escola. As opções são muitas: creches
que cuidam de crianças portadoras do vírus da Aids,
favelas, escolas localizadas na periferia. Há ainda a "ronda
noturna", na qual os voluntários distribuem sopa a moradores
de rua.
"Antes
de qualquer atividade, os alunos são devidamente preparados
pela pastoral da escola", explica o diretor-geral, padre João
Pedro Cornado. "O resultado das visitas é discutido depois
em uma reunião de reflexão." Após a visita
obrigatória, os jovens que se interessam prosseguem no trabalho
voluntário feito rotineiramente pela pastoral.
As
ações sociais do Antônio Vieira começam
dentro do colégio. Além de bolsas integrais para filhos
de professores, a instituição garante educação
de qualidade para os filhos de todos os funcionários, da
limpeza à administração. Há ainda um
curso supletivo noturno, no qual atualmente estão inscritos
1.200 alunos. Para ingressar no supletivo
gratuito, é preciso apenas passar por um teste de sondagem,
que verifica se o candidato realmente não tem condições
econômicas de arcar com os custos. Muitos dos professores
do curso noturno vêm da associação de ex-alunos.
Bem atuante, a entidade possui um banco de profissionais, como advogados
e médicos, que prestam assistência a comunidades carentes.
No
Marista de Salvador, o trabalho social também recebe atenção
especial. A escola mantém um sítio em Patamares no
qual os voluntários se reúnem para discutir os problemas
do mundo moderno. "Os alunos escolhem a temática", diz o
irmão Achylles Scapin, diretor do Marista. "Nesses encontros,
espera-se formar valores pessoais e criar novos líderes,
jovens comprometidos com as questões sociais." Todos os anos,
estudantes dos ensinos fundamental e médio visitam instituições
de caridade e depois discutem formas de auxiliar as entidades. "A
operação cabe aos próprios alunos", diz o irmão
Achylles. "Eles sabem que não estamos simplesmente dando
esmolas. A presença e o envolvimento são fundamentais."
O colégio também cede suas instalações
para um curso noturno com 300 alunos, gerido por uma parceria entre
prefeitura e governo estadual. Os professores são da rede
pública.
Mas
o trabalho voluntário também pode ser utilizado como
instrumento de aprendizagem para outras disciplinas. No Instituto
Social da Bahia (Isba), estudantes da 7ª série aproveitaram
as visitas a uma comunidade carente para desenvolver um projeto
de ciências. A primeira tarefa foi pesquisar os hábitos
alimentares dos moradores. Depois, os alunos elaboraram receitas
nutritivas com ingredientes alternativos, mais baratos, e as levaram
para os moradores. "Nossa proposta é desenvolver no aluno
a responsabilidade social e o espírito de solidariedade",
define a coordenadora Dulcineia Alves. Anualmente, o colégio
realiza sua Feira da Solidariedade, na qual o dinheiro arrecadado
é destinado a entidades filantrópicas. O Isba mantém
ainda um curso noturno gratuito para 800 alunos e três escolas
em bairros da periferia Corte Grande, Baixa da Alegria e
Sucupió. "Embora não seja obrigatório, metade
dos nossos alunos participa dessas atividades sociais", afirma a
assistente social Sizinia Duran.
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