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Edição Especial . 18 de setembro de 2002
 
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TRABALHO SOCIAL

Em busca do bem

Ações voluntárias permitem que alunos
tenham contato com realidades diferentes


Fernando Vivas
Ronda noturna do Antônio Vieira: alunos distribuem sopa a moradores de rua

Incentivar os alunos a praticar ações filantrópicas é uma maneira encontrada pelas escolas para que crianças e adolescentes das classes média e alta tenham a oportunidade de entrar em contato com a realidade de comunidades carentes. Nessa área, os colégios católicos se destacam. No Antônio Vieira, todos passam obrigatoriamente pela Experiência de Fraternidade. A partir da 5ª série, a cada semestre os alunos precisam atuar em alguma instituição ligada à escola. As opções são muitas: creches que cuidam de crianças portadoras do vírus da Aids, favelas, escolas localizadas na periferia. Há ainda a "ronda noturna", na qual os voluntários distribuem sopa a moradores de rua.

"Antes de qualquer atividade, os alunos são devidamente preparados pela pastoral da escola", explica o diretor-geral, padre João Pedro Cornado. "O resultado das visitas é discutido depois em uma reunião de reflexão." Após a visita obrigatória, os jovens que se interessam prosseguem no trabalho voluntário feito rotineiramente pela pastoral.

As ações sociais do Antônio Vieira começam dentro do colégio. Além de bolsas integrais para filhos de professores, a instituição garante educação de qualidade para os filhos de todos os funcionários, da limpeza à administração. Há ainda um curso supletivo noturno, no qual atualmente estão inscritos 1.200 alunos. Para ingressar no supletivo gratuito, é preciso apenas passar por um teste de sondagem, que verifica se o candidato realmente não tem condições econômicas de arcar com os custos. Muitos dos professores do curso noturno vêm da associação de ex-alunos. Bem atuante, a entidade possui um banco de profissionais, como advogados e médicos, que prestam assistência a comunidades carentes.

No Marista de Salvador, o trabalho social também recebe atenção especial. A escola mantém um sítio em Patamares no qual os voluntários se reúnem para discutir os problemas do mundo moderno. "Os alunos escolhem a temática", diz o irmão Achylles Scapin, diretor do Marista. "Nesses encontros, espera-se formar valores pessoais e criar novos líderes, jovens comprometidos com as questões sociais." Todos os anos, estudantes dos ensinos fundamental e médio visitam instituições de caridade e depois discutem formas de auxiliar as entidades. "A operação cabe aos próprios alunos", diz o irmão Achylles. "Eles sabem que não estamos simplesmente dando esmolas. A presença e o envolvimento são fundamentais." O colégio também cede suas instalações para um curso noturno com 300 alunos, gerido por uma parceria entre prefeitura e governo estadual. Os professores são da rede pública.

Mas o trabalho voluntário também pode ser utilizado como instrumento de aprendizagem para outras disciplinas. No Instituto Social da Bahia (Isba), estudantes da 7ª série aproveitaram as visitas a uma comunidade carente para desenvolver um projeto de ciências. A primeira tarefa foi pesquisar os hábitos alimentares dos moradores. Depois, os alunos elaboraram receitas nutritivas com ingredientes alternativos, mais baratos, e as levaram para os moradores. "Nossa proposta é desenvolver no aluno a responsabilidade social e o espírito de solidariedade", define a coordenadora Dulcineia Alves. Anualmente, o colégio realiza sua Feira da Solidariedade, na qual o dinheiro arrecadado é destinado a entidades filantrópicas. O Isba mantém ainda um curso noturno gratuito para 800 alunos e três escolas em bairros da periferia – Corte Grande, Baixa da Alegria e Sucupió. "Embora não seja obrigatório, metade dos nossos alunos participa dessas atividades sociais", afirma a assistente social Sizinia Duran.

     
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