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TRANSPORTE
A distância
também conta
Longos
percursos e congestionamentos
podem prejudicar o rendimento escolar
Simone
Seara
Fernando Vivas
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| Van
do Nossa Senhora da Conceição: o colégio se responsabiliza pelo
transporte |
Todos
os dias, 31.000 crianças e adolescentes
utilizam transporte escolar em Salvador, segundo estimativa da Secretaria
de Transportes Públicos do Estado da Bahia (STP). Outros
milhares são levados à escola pelos próprios
pais. De acordo com os psicólogos, enfrentar trânsito
intenso e longos percursos na ida e na volta pode prejudicar as
crianças, principalmente as mais novas. "A longa viagem diária
pode afetar o rendimento escolar", afirma a psicopedagoga Marília
de Pádua, gerente do projeto Lego Dacta na Bahia. "A criança
chega à escola cansada e tem prejuízo até no
horário das refeições. Isso altera o ritmo
biológico e pode provocar problemas de aprendizado."
Essas
desvantagens são mais sentidas pelas crianças de até
9 anos de idade. "O maior problema é o desgaste físico",
explica a pedagoga Zulamar Aurélio, do Centro de Estudos
e Assessoria Pedagógica (Ceap). "No caso dos que utilizam
o transporte escolar, ele é ainda maior, porque os veículos
param várias vezes durante o trajeto." Mãe de Álvaro,
8 anos, e de Alexandre, 4, a própria Zulamar viu os filhos
enfrentar esse problema. Ela lembra que o mais velho queixava-se
sempre por chegar atrasado e perder as histórias contadas
pela professora. "No dia em que o tiramos do transporte escolar
e começamos a levá-lo, ele escreveu no diário
que estava feliz por não se atrasar mais."
Os
especialistas frisam, porém, que a distância não
deve ser o único critério na hora de matricular um
filho pequeno numa escola. Aí, valem o bom senso e o cálculo
do custo e do benefício entre a distância e as características
da instituição à qual se pretende entregar
um capítulo tão importante da formação
da criança. "O que os pais devem olhar primeiro é
a proposta da escola", ressalta Zulamar. "A qualidade vem antes
do critério geográfico."
A
advogada Susana Marinho Punzi, mãe de Bruno, 11, Beatriz,
9, e Lucas, 4, teve de resolver essa equação. Todos
os dias, ela leva as crianças da Avenida Paralela até
o colégio Antonio Vieira, no Garcia, num percurso de 18 quilômetros
que dura vinte minutos quando o trânsito está bom.
Ela lembra que essa viagem já foi pior quando a família
morava no bairro de Itapuã e tinha de pegar dois ônibus
para levar Bruno e Beatriz a escolas diferentes. "Bia tinha náuseas
com freqüência no trajeto para a escola, pois enfrentávamos
um sol forte", recorda a mãe. "Mas sempre tive a convicção
de que estava fazendo a coisa certa. Sigo o exemplo de meus pais,
que fizeram questão de me colocar em um colégio bom."
Numa época, até seu marido reprovava esses deslocamentos,
mas ela não tem dúvida de que, se necessário,
faria tudo de novo. E recebe o apoio dos filhos. "A distância
nunca atrapalhou meus estudos", diz Bruno. "Acho que valeu a pena."
Para
quem resolve agir como Suzana, compensa seguir alguns conselhos.
Um é dar atenção especial ao esquema de horários,
para evitar refeições perdidas ou apressadas e garantir
que a criança tenha um bom descanso ao retornar da escola.
Outro é esforçar-se para não fazer dessa viagem
um roteiro de tensões, reclamando do trânsito, cobrando
tarefas ou se queixando da obrigação. Diante de qualquer
uma dessas possibilidades, melhor seria mandar o filho para a escola
na companhia dos coleguinhas, mesmo que a perua escolar demore mais
tempo do que o carro da família no percurso. "Vivemos uma
época na qual os pais têm pouco tempo para os filhos",
diz a psicóloga Eliane Koziner. "Por isso, aqueles que podem
acompanhá-los à escola fazem muito bem se conseguem
transformar essa viagem diária num momento de intimidade
e de troca de experiências."
Para
quem não tem a opção de levar os filhos pessoalmente
ao colégio, há uma relação de detalhes
a observar. A legislação determina que o veículo
deve ter no máximo cinco anos de fabricação
e precisa afixar no vidro frontal o selo da vistoria feita pela
Secretaria de Transportes. Ao todo, são quatro vistorias
por ano. Também se exigem a padronização do
veículo, com a inscrição "escolar" do lado
de fora, cintos de segurança individuais, equipamento controlador
de velocidade e respeito rígido ao limite de passageiros.
Menores de 7 anos têm de ser assistidos por um acompanhante.
O motorista do transporte escolar recebe treinamento especializado,
com cursos de direção defensiva e de primeiros socorros.
Para receber a habilitação especial, o condutor deve
ser maior de 21 anos, não pode ter cometido infrações
graves nos últimos doze meses e precisa ter bons antecedentes.
"Não
entreguem seus filhos ao transporte clandestino porque o carro não
tem vistoria, o motorista não é treinado e as crianças
podem correr risco de acidentes", alerta Adelson Pinheiro Chagas,
da Secretaria de Transportes Públicos. De acordo com Adelson,
Salvador possui atualmente 1.262 veículos
de transporte escolar legalizados. Dois últimos conselhos
podem ajudá-lo a tomar essa decisão mais tranqüilamente.
O primeiro é comparar os veículos e também
os trajetos, para que seus filhos possam ser acomodados na perua
escolar com mais conforto. O segundo é consultar sempre a
criança sobre como ela se sente no percurso. Se ela reclamar,
vale a pena conferir pessoalmente.
TOME
NOTA |
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Mesmo que nenhuma escola próxima se enquadre no perfil
que
você procura para educar seu filho, algumas precauções
podem tornar a vida dele mais fácil. Uma opção
é escolher um estabelecimento que
tenha fácil acesso.
Se
você for levá-lo pessoalmente, aproveite o tempo
gasto no percurso para botar a conversa em dia, esclarecer
dúvidas e até mesmo comentar a lição
de casa e as dificuldades que ele enfrenta no colégio.
Se a alternativa for o
transporte escolar, certifique-se de
que o veículo é cadastrado e vistoriado pela
Secretaria de Transportes Públicos (STP).
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