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Edição Especial . 18 de setembro de 2002
 
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Regras de convivência

Escolas estabelecem limites para garantir
a segurança e a disciplina de seus alunos


Fernando Vivas
Monitor de vídeo do Apoio: imagens de todas as dependências da escola

A preocupação com a integridade dos estudantes antes e depois das aulas tem levado as escolas de Salvador a investir na prevenção de roubos, tráfico de drogas e seqüestros. Na cidade, 94% dos estabelecimentos não permitem que os alunos do ensino médio deixem suas dependências durante o turno escolar. "Mantemos os portões permanentemente fechados", conta Ângela Paranhos, diretora-geral do Colégio Diplomata, em Patamares. "Em nossa clientela há filhos de políticos e de artistas, mas praticamente todos os pais apreciam esse tipo de precaução." A escola mantém também seguranças uniformizados na entrada e em cabines, acompanhando toda a movimentação na rua. Os pais podem aprovar os portões fechados, mas a medida é impopular entre os adolescentes. "Eles reclamam muito, mas não abrimos mão", reconhece a diretora.

O Instituto Social da Bahia (Isba), em Ondina, é uma das exceções da capital, permitindo a seus alunos a livre circulação nos intervalos de aula. Mas isso só acontece porque a escola reforçou a segurança em seu entorno. A instituição mantém seis vigilantes circulando pelas imediações. Na hora da saída, eles também supervisionam a movimentação nos pontos de ônibus. "Com essa medida, conseguimos reduzir o problema de roubos de tênis, relógios e pequenos valores, que ocorriam freqüentemente", diz a irmã Maria Alice Teixeira da Silva, diretora do Isba.


Os investimentos em segurança começam a se estender também à instalação de câmeras de vídeo no ambiente escolar. Em Salvador, 21% dos colégios dispõem desse tipo de equipamento. O Antônio Vieira colocou câmeras nas áreas externas e estabeleceu uma ronda a ser feita pelos próprios funcionários nas vizinhanças de sua sede, no Garcia. No Apoio, no Corredor da Vitória, as salas e os corredores são monitorados. Toda a movimentação da escola pode ser acompanhada por telas de televisão nas dependências da direção. As imagens são gravadas e arquivadas. "Além de servir para garantir o patrimônio, o uso das câmeras também ajuda a resolver conflitos entre os alunos", afirma José Nilton Carvalho Pereira, diretor do colégio. "Ao rever as imagens, podemos descobrir, por exemplo, quem começou uma briga."

Questões de segurança, como se vê, nem sempre têm relação apenas com o mundo exterior à escola. Limites precisam ser estabelecidos também para assegurar uma convivência saudável e tranqüila entre os estudantes. Uma das práticas mais comuns na cidade é a adoção do fardamento obrigatório para todas as séries, encontrado em 96% dos colégios que responderam à pesquisa VEJA-Ipsos Marplan. Em alguns estabelecimentos, piercings, brincos e cortes exóticos de cabelo convivem pacificamente com o uniforme escolar. É o caso de tradicionais escolas católicas, como o Salesiano e o Marista. "Se os pais permitem, não sou eu que vou coibir", afirma Achylles Scapin, diretor do Marista de Salvador. Em outros, a flexibilidade é menor. "Aqui no Isba, a exigência com o fardamento é muito rígida", queixa-se Luana Bastos, aluna da 2ª série do ensino médio, apontando o item que mais causa reclamações. "A meia tem de ser lisa, a calça não pode ter nenhum detalhe." Outra razão de protesto da garotada é o veto ao namoro mais efusivo, praticado em mais de 60% das escolas da cidade. "Apesar de me sentir em casa aqui no Vieira, acho que a disciplina poderia ser menos rigorosa", diz Mariana Almeida, 14 anos, aluna da 8ª série. "Outro dia o auxiliar de disciplina chamou minha atenção só porque eu estava abraçada com um amigo."

A diretora-geral do Diplomata, Ângela Paranhos, destaca que o importante é que as regras de cada instituição sejam claras para o aluno e para a família. "Educação é um processo que exige parceria", diz. Antes da matrícula, os pais recebem um volume com o projeto político-pedagógico da instituição. "Assim eles podem decidir se essas regras são adequadas para suas crianças", complementa Ângela. O lema do Diplomata, fundado em 1993, diz tudo: "Aqui nós temos disciplina". No passado, até cabelos longos e brincos já foram proibidos. A cantina, numa certa época, vendia apenas lanches naturais. Hoje, as coisas mudaram um pouco. No pátio há espaço também para máquinas que vendem salgadinhos e refrigerantes. O colégio, segundo explica a diretora, reviu sua filosofia e chegou à conclusão de que consegue mais resultados afagando e informando do que apenas proibindo. "Mas continuamos exigindo que o estudante assuma plenamente seu papel, cumprindo os horários, realizando suas tarefas e respeitando o fardamento", acrescenta.

 

 
TOME NOTA

Algumas perguntas simples podem ajudar os pais a saber se a escola é segura.

Existe controle do acesso das pessoas que entram e saem do colégio? Os pais são avisados no mesmo dia em caso de falta?

Há inspetores nos corredores e nos pátios durante o intervalo? Há equipe de segurança externa? Colégios que respondem afirmativamente a essas questões podem não ser completamente seguros – isso não existe –, mas com certeza estão um degrau acima dos demais.

     
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