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BILÍNGÜES
Educação
para o mundo
Brasileiros
buscam fluência em idiomas e
ensino globalizado nas escolas internacionais
Fernando Vivas
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| Aula
de natação na Pan Americana: 80% dos alunos são brasileiros
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Criadas
para atender filhos de estrangeiros e funcionários de multinacionais
de passagem pelo país, as escolas internacionais ou bilíngües
conquistam cada vez mais espaço entre os alunos brasileiros.
A procura tem como principais motivos o aprendizado de idiomas,
o conhecimento de outras culturas e a habilitação
dos jovens para completar seus estudos no exterior. Em Salvador
há apenas uma escola bilíngüe que abrange do
ensino fundamental ao médio, a Pan Americana, situada em
Patamares.
Fundada
em 1960 por um grupo de pais, tem atualmente 397 alunos, 80% brasileiros.
Os 20% restantes são de dezenove nacionalidades. O calendário
é igual ao americano, ou seja, o ano letivo começa
em agosto. Os estudantes são alfabetizados simultaneamente
em inglês e português o espanhol é opcional.
Ao completarem o ensino médio, recebem certificados que os
tornam aptos a cursar universidades no Brasil e também nos
Estados Unidos. Candidatos brasileiros são aceitos até
a 3ª série do ensino fundamental. Os que não
têm conhecimentos suficientes de inglês cursam o English
as a Second Language (ESL), paralelo às aulas, para que tenham
um aprendizado rápido da língua.
Com
exceção de história, geografia e português,
todas as disciplinas são ministradas em inglês. As
turmas são pequenas, com quinze alunos em média. Dessa
forma, contam com acompanhamento personalizado do professor. As
aulas começam às 7h45 e terminam às 15 horas.
Os alunos da educação infantil podem optar por atividades
extracurriculares, como natação ou capoeira. Já
os alunos do ensino fundamental dispõem de aulas de basquete,
vôlei, capoeira, natação, caratê, guitarra,
bateria e piano. "O estudante tem contato com a diversidade cultural,
habilita-se a trabalhar em grupo e a tomar resoluções
conjuntas, a gerenciar seu desenvolvimento, a ser independente e
eficiente, a ter noções de comunidade, além
de aprender até três idiomas", destaca Maria Elena
Kravchychyn, coordenadora do Programa Brasileiro.
Esse
tratamento vip, porém, tem um custo elevado se comparado
às mensalidades das escolas convencionais. Para ingressar
na Pan Americana, é preciso pagar um fundo de reserva de
2.000 dólares. As mensalidades
vão de 949 a 1.411 reais.
A
coordenadora Maria Helena conta que muitos dos ex-alunos ocupam
hoje posições privilegiadas no mercado internacional.
"Há um ex-aluno que trabalha no Vale do Silício, outro
que é empregado de um grande escritório de advocacia
na Alemanha e alguns que seguiram a carreira diplomática."
Apesar
dos inúmeros benefícios, a pedagoga Clara Coelho diz
que os pais devem pensar bem antes de matricular seus filhos em
uma escola bilíngüe, caso tenham a pretensão
de que eles dêem continuidade aos estudos no Brasil. "Nessas
escolas, os alunos fazem uso do inglês na leitura, na escrita
e na fala", observa. "Correm por isso o risco de perder o domínio
total do português." Outro aspecto complexo, segundo a pedagoga,
é o fato de alguns pais colocarem os filhos em uma escola
bilíngüe apenas por status. "Muitas vezes, a criança
acaba convivendo com um mundo que não condiz com sua realidade",
explica Clara. Os especialistas afirmam ainda que alunos de escolas
bilíngües podem enfrentar dificuldades no vestibular,
já que o currículo de colégios dessa natureza
é diferente.
Ex-aluna
da Pan Americana, Larissa Andrade, 18 anos, tinha receio do vestibular.
"Achava que não iria passar", conta. Segunda colocada nas
provas de duas universidades baianas nos cursos de relações
internacionais e comércio exterior, Larissa viu que o temor
era infundado. "O colégio nos dá a oportunidade de
conviver com pessoas de outras culturas", lembra. "Ganhamos conhecimentos
gerais e uma visão mais ampla do mundo."
Uma
proposta com características de educação bilíngüe
mais recente é a Escola de Educação Internacional
da Bahia. Fundada em 1997 pelo psicólogo e doutor em neurociências
Paulo Périssé, é destinada somente a brasileiros
de 2 a 10 anos e segue o calendário nacional. As disciplinas
são ministradas em português, por professores brasileiros.
Ao todo, a escola possui 250 alunos em turmas que vão da
educação infantil à 4ª série do
ensino fundamental. Cada sala abriga no máximo 25 alunos.
Embora não sejam alfabetizadas na língua inglesa,
as crianças aprendem a se comunicar nesse idioma por meio
de estímulos diários. Participam de jogos, assistem
a vídeos. "O inglês aqui entra como o diferencial",
diz a diretora Cristina Santana. "Os alunos aprendem a apreciar
a cultura dos outros sem desvalorizar a própria", complementa
Paulo Périssé.
A
mensalidade custa 377 reais e a taxa de material escolar varia de
180 a 250 reais. Os alunos que optam por fazer as atividades esportivas
oferecidas pela escola (natação, capoeira e futebol)
pagam à parte 50 reais para cada modalidade. Há a
opção de período integral. Nesse caso, os estudantes
almoçam na escola e ficam até as 17h50. Têm
acompanhamento pedagógico, atividades esportivas e aulas
de espanhol.
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