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Edição Especial . 18 de setembro de 2002
 
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Lições para uma
vida saudável

Escolas oferecem atividades diversificadas
e buscam participação de todos os alunos


Fernando Vivas
Aula de capoeira no Marista: uma das doze modalidades disponíveis

Os alunos do Colégio Marista de Salvador vivem todos os anos um dilema tentador: escolher uma entre doze modalidades esportivas e recreativas oferecidas pela escola. Tem capoeira, ginástica rítmica, natação, musculação, aeróbica e atletismo em um menu de atividades que não deixa nada a dever ao que costuma ser oferecido por clubes e academias. Não falta infra-estrutura adequada: o Marista dispõe de piscina semi-olímpica, pista de atletismo, sala de musculação (para maiores de 15 anos), ginásios com aparelhos de ginástica olímpica e quadras. "Procuramos orientar os pais a matricular a criança em uma modalidade diferente a cada ano, durante o ensino fundamental, alternando práticas coletivas e individuais", afirma o professor João Carlos Cardoso de Britto, coordenador da Secretaria de Educação Física e Esportes do colégio. "Quando chega ao ensino médio, o jovem já conhece um repertório grande de atividades e pode escolher uma para se especializar."

Por 7 reais a mais nas mensalidades, que oscilam entre 305 e 470 reais, os alunos do Marista podem, a partir da 5ª série, substituir a educação física curricular pela iniciação esportiva, sempre em turno oposto ao das aulas. A adesão de pais e alunos é grande. Segundo Achylles Scapin, diretor do Marista, entre os 1.600 alunos, 1.500 estão inscritos. Aqueles que preferem limitar-se à educação física tradicional se familiarizam com os fundamentos de esportes como o basquete, o futsal e o vôlei e participam de jogos que têm como objetivo estimular a integração entre os alunos. "Os jogos e os esportes coletivos ensinam, de forma lúdica, como ganhar e perder sem ludibriar o outro, respeitando as regras de convivência", diz o professor Britto.


Fernando Vivas
Natação no Diplomata: atividade opcional ocorre em horários alternativos

A oferta variada de atividades não é uma característica exclusiva do Marista. Segundo a pesquisa VEJA-Ipsos Marplan, 30% dos estabelecimentos de ensino médio já proporcionam a seus alunos mais de cinco modalidades esportivas. Para permitir essa diversidade, têm aumentado os investimentos em instalações mais modernas. Constatou-se, por exemplo, que na cidade 23% das escolas já dispõem de piscina. Para os alunos, multiplicam-se as possibilidades de encontrar uma forma prazerosa de ficar em forma. Para os pais, escolas bem equipadas oferecem a conveniência de concentrar em um só local a instrução formal e atividades físicas. "Nos últimos dez anos, a estrutura melhorou muito", afirma Armando Magnavita, ex-aluno e professor de educação física do Antônio Vieira. O colégio tem ginásio, quatro quadras cobertas e piscina, além de salas para musculação, ginástica olímpica e aeróbica. A excelente infra-estrutura também é uma marca registrada do Instituto Social da Bahia, que desde os anos 80 se tornou uma referência no esporte amador do Estado. Por suas quadras passaram alunos que se transformariam em atletas profissionais, como o jogador de futebol Cauê dos Santos da Mata, da seleção brasileira sub-17, e a triatleta Cláudia Mattedi.

Mas a importância da educação física na escola não está na revelação de novos talentos para o esporte profissional. "O objetivo não é formar atletas. Os pais devem ficar atentos. A especialização precoce não é benéfica à criança", afirma Roberto Collavolpe, diretor do departamento de educação física da Universidade Federal da Bahia. Ele considera positiva a variedade de opções encontradas atualmente nas escolas. "Quanto mais informações motoras a criança receber, melhor será seu desenvolvimento. Por isso, o aluno deve fazer um rodízio entre essas atividades." Collavolpe ressalta também que a educação física deve continuar no currículo mesmo no conturbado período de preparação para o vestibular. "Muitas escolas interrompem a atividade física nessa fase. É um erro parar justamente quando o jovem está lidando com as dificuldades decorrentes da adolescência."

O colégio Villa Lobos mantém a educação física em seu currículo durante toda a vida escolar do aluno. "A gente trabalha com a cultura corporal, e não exatamente com a iniciação esportiva", explica a diretora pedagógica Sarah Sodré. "Estamos mais preocupados com a relação do jovem com os outros, a integração e a construção do conhecimento." Dentro da quadra, os garotos participam de jogos nos quais têm de negociar as regras entre si e exploram temas como saúde, higiene e sexualidade. "A ênfase excessiva no esporte pode acabar marginalizando aqueles garotos que não são tão habilidosos", afirma Sarah. A turma que gosta de esportes encontra escolinhas no turno da tarde. Há aulas de lutas, como o judô, o jiu-jítsu, a capoeira e o caratê, dança do ventre, jazz e ginástica, entre outras modalidades.

Em outras instituições, a prática esportiva tem lugar de destaque na vida social, envolvendo os alunos em campeonatos internos e externos, às vezes até em outros Estados. No calendário deste ano do Liceu Salesiano de Salvador dois grandes eventos mobilizam os estudantes. O Nordestão, disputado no Recife em junho, é um campeonato anual que envolve diversas modalidades e conta com a presença de alunos de dez escolas salesianas que estão sob a jurisdição da Inspetoria Nordeste. Neste ano, a competição reuniu 1.400 estudantes. O Liceu de Salvador comemorou bons resultados no judô e no caratê. A outra competição que envolve alunos como participantes e torcedores são os Jogos dos Colégios Particulares (Jocopar), nos quais a disputa é acirrada contra instituições como o Vieira, o Instituto Social e o Marista. "A prática esportiva é um dos pilares da educação salesiana", afirma o padre Aguinaldo Lima Viana, diretor do liceu. "Costumamos dizer que uma casa sem esporte é uma casa sem alma."

 
TOME NOTA

Existem colégios que se orgulham de exibir as inúmeras opções esportivas que oferecem, como natação, esgrima e alpinismo. Detalhe: essas atividades acontecem fora do período escolar e não fazem parte do currículo. Ou seja, são cobradas à parte. Há também escolas que selecionam os melhores em cada modalidade para formar as equipes que participarão de competições externas e, com isso, dão menos atenção aos demais alunos na parte esportiva.

     
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