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ESPORTE
Lições
para uma
vida saudável
Escolas
oferecem atividades diversificadas
e buscam participação de todos os alunos
Fernando Vivas
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| Aula
de capoeira no Marista: uma das doze modalidades disponíveis
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Os
alunos do Colégio Marista de Salvador vivem todos os anos
um dilema tentador: escolher uma entre doze modalidades esportivas
e recreativas oferecidas pela escola. Tem capoeira, ginástica
rítmica, natação, musculação,
aeróbica e atletismo em um menu de atividades que não
deixa nada a dever ao que costuma ser oferecido por clubes e academias.
Não falta infra-estrutura adequada: o Marista dispõe
de piscina semi-olímpica, pista de atletismo, sala de musculação
(para maiores de 15 anos), ginásios com aparelhos de ginástica
olímpica e quadras. "Procuramos orientar os pais a matricular
a criança em uma modalidade diferente a cada ano, durante
o ensino fundamental, alternando práticas coletivas e individuais",
afirma o professor João Carlos Cardoso de Britto, coordenador
da Secretaria de Educação Física e Esportes
do colégio. "Quando chega ao ensino médio, o jovem
já conhece um repertório grande de atividades e pode
escolher uma para se especializar."
Por
7 reais a mais nas mensalidades, que oscilam entre 305 e 470 reais,
os alunos do Marista podem, a partir da 5ª série, substituir
a educação física curricular pela iniciação
esportiva, sempre em turno oposto ao das aulas. A adesão
de pais e alunos é grande. Segundo Achylles Scapin, diretor
do Marista, entre os 1.600 alunos, 1.500
estão inscritos. Aqueles que preferem limitar-se à
educação física tradicional se familiarizam
com os fundamentos de esportes como o basquete, o futsal e o vôlei
e participam de jogos que têm como objetivo estimular a integração
entre os alunos. "Os jogos e os esportes coletivos ensinam, de forma
lúdica, como ganhar e perder sem ludibriar o outro, respeitando
as regras de convivência", diz o professor Britto.
Fernando Vivas
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| Natação
no Diplomata: atividade opcional ocorre em horários alternativos
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A oferta
variada de atividades não é uma característica
exclusiva do Marista. Segundo a pesquisa VEJA-Ipsos Marplan, 30%
dos estabelecimentos de ensino médio já proporcionam
a seus alunos mais de cinco modalidades esportivas. Para permitir
essa diversidade, têm aumentado os investimentos em instalações
mais modernas. Constatou-se, por exemplo, que na cidade 23% das
escolas já dispõem de piscina. Para os alunos, multiplicam-se
as possibilidades de encontrar uma forma prazerosa de ficar em forma.
Para os pais, escolas bem equipadas oferecem a conveniência
de concentrar em um só local a instrução formal
e atividades físicas. "Nos últimos dez anos, a estrutura
melhorou muito", afirma Armando Magnavita, ex-aluno e professor
de educação física do Antônio Vieira.
O colégio tem ginásio, quatro quadras cobertas e piscina,
além de salas para musculação, ginástica
olímpica e aeróbica. A excelente infra-estrutura também
é uma marca registrada do Instituto Social da Bahia, que
desde os anos 80 se tornou uma referência no esporte amador
do Estado. Por suas quadras passaram alunos que se transformariam
em atletas profissionais, como o jogador de futebol Cauê dos
Santos da Mata, da seleção brasileira sub-17, e a
triatleta Cláudia Mattedi.
Mas
a importância da educação física na escola
não está na revelação de novos talentos
para o esporte profissional. "O objetivo não é formar
atletas. Os pais devem ficar atentos. A especialização
precoce não é benéfica à criança",
afirma Roberto Collavolpe, diretor do departamento de educação
física da Universidade Federal da Bahia. Ele considera positiva
a variedade de opções encontradas atualmente nas escolas.
"Quanto mais informações motoras a criança
receber, melhor será seu desenvolvimento. Por isso, o aluno
deve fazer um rodízio entre essas atividades." Collavolpe
ressalta também que a educação física
deve continuar no currículo mesmo no conturbado período
de preparação para o vestibular. "Muitas escolas interrompem
a atividade física nessa fase. É um erro parar justamente
quando o jovem está lidando com as dificuldades decorrentes
da adolescência."
O
colégio Villa Lobos mantém a educação
física em seu currículo durante toda a vida escolar
do aluno. "A gente trabalha com a cultura corporal, e não
exatamente com a iniciação esportiva", explica a diretora
pedagógica Sarah Sodré. "Estamos mais preocupados
com a relação do jovem com os outros, a integração
e a construção do conhecimento." Dentro da quadra,
os garotos participam de jogos nos quais têm de negociar as
regras entre si e exploram temas como saúde, higiene e sexualidade.
"A ênfase excessiva no esporte pode acabar marginalizando
aqueles garotos que não são tão habilidosos",
afirma Sarah. A turma que gosta de esportes encontra escolinhas
no turno da tarde. Há aulas de lutas, como o judô,
o jiu-jítsu, a capoeira e o caratê, dança do
ventre, jazz e ginástica, entre outras modalidades.
Em
outras instituições, a prática esportiva tem
lugar de destaque na vida social, envolvendo os alunos em campeonatos
internos e externos, às vezes até em outros Estados.
No calendário deste ano do Liceu Salesiano de Salvador dois
grandes eventos mobilizam os estudantes. O Nordestão, disputado
no Recife em junho, é um campeonato anual que envolve diversas
modalidades e conta com a presença de alunos de dez escolas
salesianas que estão sob a jurisdição da Inspetoria
Nordeste. Neste ano, a competição reuniu 1.400
estudantes. O Liceu de Salvador comemorou bons resultados no judô
e no caratê. A outra competição que envolve
alunos como participantes e torcedores são os Jogos dos Colégios
Particulares (Jocopar), nos quais a disputa é acirrada contra
instituições como o Vieira, o Instituto Social e o
Marista. "A prática esportiva é um dos pilares da
educação salesiana", afirma o padre Aguinaldo Lima
Viana, diretor do liceu. "Costumamos dizer que uma casa sem esporte
é uma casa sem alma."
TOME
NOTA |
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Existem colégios que se orgulham de exibir as inúmeras
opções esportivas que oferecem, como natação,
esgrima e alpinismo. Detalhe: essas atividades acontecem fora
do período escolar e não fazem parte do currículo.
Ou seja, são cobradas à parte. Há também
escolas que selecionam os melhores em cada modalidade para
formar as equipes que participarão de competições
externas e, com isso, dão menos atenção
aos demais alunos na parte esportiva.
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