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Edição Especial . 18 de setembro de 2002
 
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Um novo mundo na escola

O desafio agora é levar os professores
a aproveitar todo o potencial oferecido
pelas novas tecnologias


Fernando Vivas
Laboratório do Isba: informática educacional desde 1990

A incrível revolução que as novas tecnologias provocaram em todo o mundo está cada vez mais presente dentro da escola. Todos os dias, canetas são substituídas por teclados e mouses de computador. Os livros, por seu lado, sofrem a concorrência da internet. Equipamentos que ontem estavam em laboratórios avançados amanhã podem tornar-se disponíveis ao lado da sala dos professores. Porém, isoladamente, os recursos tecnológicos não são uma garantia de incremento na qualidade de ensino. É preciso que o corpo docente esteja preparado para utilizá-los. "Nossa maior tarefa é cativar os professores, fazer com que eles explorem as muitas possibilidades oferecidas pela tecnologia", diz o gerente de informática do colégio Módulo, Moises Miranda.

No laboratório de informática, equipado com datashow e telão, Moises trabalha junto com os professores das disciplinas tradicionais para planejar as atividades. Os alunos da 6ª série, por exemplo, estão produzindo um site sobre a adolescência, em um projeto interdisciplinar que envolve ciências e português. Os da 5ª vão montar um CD-ROM sobre meio ambiente. O intuito do Módulo é multiplicar o uso das novas tecnologias. "Quando um professor percebe que a informática pode ajudar efetivamente em seu trabalho, os outros começam a se interessar também e passam a usar mais o laboratório", afirma Moises.

No Instituto Social da Bahia (Isba), a informática educacional está presente desde 1990. O colégio desenvolveu um modelo próprio, no qual os alunos aliam o uso das novas tecnologias ao estudo e à pesquisa nas demais disciplinas. Eles dispõem de instalações completas, com laboratórios de ciências, química, física, biologia e informática. Há ainda salas com computador, datashow e telão. Na biblioteca, computadores conectados à internet facilitam todo tipo de pesquisa. "Os trabalhos dos alunos são exibidos no site da escola", informa a coordenadora Dulcineia Alves. O colégio procura freqüentemente a assessoria de profissionais especializados para ajudar os professores a utilizar todos os recursos tecnológicos em sua plenitude.

O uso intensivo da tecnologia também é um dos diferenciais do Colégio Diplomata, em Patamares. Nessa escola, procura-se dar uso cotidiano aos novos equipamentos. "A informática não é uma aula à parte", explica a coordenadora Gabriela Romero. "É utilizada dentro da programação de cada disciplina, como mais uma ferramenta de aprendizagem." Os alunos contam com três laboratórios de informática, e as salas são equipadas com TV a cabo. Mas a infra-estrutura das boas escolas não se mede apenas pelos equipamentos eletrônicos. A exemplo do Módulo e do Isba, o Diplomata também tem um teatro com capacidade para receber espetáculos comerciais. Dentro da escola há ainda um centro de idiomas, que oferece aulas de inglês e espanhol abertas ao público em geral.

No projeto Aprender Fazendo, idealizado pelo professor de química José Lima, do colégio Antônio Vieira, tem-se um bom exemplo de como unir equipamento, trabalho social e aprendizado. Lançando mão de quatro disciplinas – matemática, química, biologia e ciências –, os alunos do ensino médio vão utilizar o laboratório escolar para produzir artigos de higiene e limpeza. Depois, sabonetes, desodorantes, detergentes, xampus e desinfetantes, entre outros itens, serão vendidos pela escola. O dinheiro arrecadado será destinado às entidades beneficentes com as quais o colégio contribui. Essa dose de realidade no currículo da escola dá forte motivação aos alunos na hora de realizar seus projetos. "No ano passado, a feira de ciências do Antônio Vieira teve 200 trabalhos inscritos", recorda José Lima.

 
TOME NOTA

É ótimo estudar em um colégio com piscinas aquecidas, ginásios cobertos e laboratórios de ciências e informática equipados com microscópios e computadores de última geração. Mas não deixe que isso se torne o fator decisivo na escolha. Em educação, apesar de todas as inovações tecnológicas, o mais importante ainda são as pessoas. A infra-estrutura precisa estar a serviço da aprendizagem, e não servir apenas como instrumento de marketing.

 

 

     
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