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Edição Especial . 18 de setembro de 2002
 
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AS SURPRESAS

Novos, mas com
muita qualidade

Projetos pedagógicos recentes e pouco
conhecidos obtêm ótimo desempenho

Ariel Kostman


Fernando Vivas
Estudantes da 5ª- série do Anglo: as aulas de química são sempre no laboratório

Ao lado de colégios tradicionais e renomados, projetos pedagógicos mais recentes e pouco conhecidos tiveram excelente desempenho na pesquisa VEJA-Ipsos Marplan. Com apenas nove anos de existência, o Anglo Brasileiro tornou-se a maior surpresa do levantamento ao obter o segundo lugar no ranking do ensino fundamental e a quinta colocação no ensino médio.

Fundado em 1993, por seis professoras, o Anglo tem um perfil único na cidade. Funciona em período integral, com aulas das 7h45 às 15 horas. As turmas são reduzidas, com no máximo 25 alunos. Por isso, é muito raro ver os alunos do colégio do bairro de Patamares apenas sentados ouvindo o discurso do professor ou copiando lições da lousa. Mais comum é vê-los em círculo debatendo um tema proposto pelo mestre, na biblioteca pesquisando ou assistindo a um filme na própria sala de aula, já que todas são equipadas com TV e vídeo. "Estudar em uma classe com poucos alunos é muito bom", afirma Carolina Thomson, 14 anos de idade, da 8ª série. "O professor pode dar atenção especial a cada um." Para Carolina, a maior qualidade do Anglo são o ensino criativo e a abertura para os assuntos atuais. "Todos os dias trazemos recortes de jornais e revistas e discutimos os temas durante os quinze minutos iniciais da aula de português."

Além das disciplinas tradicionais, os estudantes têm a oportunidade de aprender jardinagem, culinária, música, fotografia e robótica, entre outras possibilidades. Em todas as séries, as aulas de inglês são diárias, em turmas subdivididas, o que significa no máximo doze alunos na sala. A partir da 5ª série, há a opção de espanhol ou francês. "Quando fundamos a escola, buscávamos uma alternativa para educar nossos próprios filhos", explica Selene Dias Moreno, uma das sócias e professora das disciplinas literatura, português e cinema. "Nossa intenção é proporcionar aos alunos uma formação cultural ampla, uma abertura para o mundo."


Fernando Vivas
Música no Villa Lobos: a atividade é incluída no currículo até a 8ª- série

Para que essa ambiciosa proposta funcione, o Anglo Brasileiro fornece ótimas condições de trabalho ao docente. Além de receberem salários entre os mais altos do mercado baiano, os professores se reúnem no mínimo uma vez por semana para planejar as aulas e avaliar o processo educativo. Possuem autonomia suficiente para modificar conteúdos, escolher o material didático e decidir como e quando avaliar os alunos. O aprimoramento e a formação contínua dos educadores também são incentivados. "A escola paga 50% do curso de especialização que estou fazendo", afirma a professora de história e geografia Ana Paula de Camargo. Assim como Ana, 70% do corpo docente é exclusivo, ou seja, leciona apenas no Anglo Brasileiro. Outro diferencial importante é a presença de muitas atividades artísticas permeando as disciplinas tradicionais. "Para ensinar geometria, utilizo o origami, arte que trabalha com a exatidão das formas", explica a professora Regina Padilha. Quando vai falar sobre a civilização greco-romana, Regina manda os alunos saírem pela cidade com uma máquina fotográfica, para registrar manifestações da arquitetura clássica. Tudo isso, é claro, tem um preço. São 800 reais por mês, uma das mais caras mensalidades de Salvador. Mesmo assim, um público crescente de classe média alta vem proporcionando ao Anglo sólida evolução. Os 87 alunos da época da inauguração se multiplicaram. Nove anos depois, são 302.

Em outro caso surpreendente, logo no primeiro ano de atividade o Colégio Villa Lobos superou escolas tradicionais da cidade e obteve a sétima colocação no ensino fundamental. Erguida ao lado das Faculdades Jorge Amado, na Avenida Paralela, a instituição foi criada por um grupo de professores egressos do Diplomata e conta com 300 alunos, da educação infantil ao final do ensino médio. Segundo a diretora pedagógica Sara Sodré, são quatro os pilares da pedagogia do Villa: música, artes, cultura corporal do movimento (em vez de educação física tradicional) e preocupação com o meio ambiente. O corpo docente participa de um processo de avaliação permanente. Durante as aulas, os professores são filmados em vídeo e depois discutem seu desempenho com os coordenadores e os supervisores. "A intenção não é policiar os educadores", explica o supervisor José Amarante. "Com os vídeos, o professor pode ampliar o repertório de soluções para as situações de sala de aula." Na 3ª série do ensino médio, todos os alunos preparam uma monografia. "Nós nos preocupamos em fazer com que o aluno adote uma conduta mais próxima do contexto universitário", descreve Teca Soub, consultora da escola.

Fernando Vivas
Aula de balé na Pirilampo/Ímpar: escola de dança gratuita


Oitava colocada no ensino fundamental, a Pirilampo-Ímpar foi fundada como pré-escola pela professora e bailarina Ananice Diniz Gonçalves, em 1983, no Imbuí. "Na época, o bairro era apenas um areal", ela recorda. "As pessoas diziam que eu estava maluca, mas resolvi investir." Naquele areal, Nana, como é conhecida, construiu uma escola com o jeito que sonhava: salas que se abrem para pátios ensolarados e até piscina para exercícios de sensibilização. "Com base em minha experiência como professora, percebi que faltava estrutura física às escolas em que trabalhava", diz Nana. "Queria um espaço mais adequado ao trabalho com crianças." Três anos depois da inauguração, por insistência dos pais, ela acabou abrindo turmas da 1ª à 4ª série. O currículo inclui artes, teatro, inglês e informática. Em 1996 foram abertas turmas de 5ª série. Nascia assim o nome Pirilampo-Ímpar. "Os meninos chegavam à 5ª série e ficavam com vergonha de dizer que estudavam na Pirilampo", conta. Hoje, a escola já tem turmas até a 8ª série do fundamental e, a partir do próximo ano, começará a trabalhar com o ensino médio. Alunos de todas as séries podem trocar as aulas de educação física por cursos livres de dança, caratê ou capoeira, ministrados numa academia de dança instalada na própria escola, a Ebateca, que também pertence a Nana. "Através da dança, podemos perceber dificuldades que as crianças não conseguem expressar com palavras", ela explica. "Muitos movimentos revelam os sentimentos."

Outra surpresa positiva da avaliação VEJA-Ipsos Marplan foi o Colégio Nossa Senhora da Conceição. Oferecendo da educação infantil à 8ª série, a escola localizada no bairro de Brotas obteve a nona colocação no ranking do ensino fundamental. Fundado em 1954 pelas missionárias do Santíssimo Sacramento e Maria Imaculada, o tradicional colégio católico passa por uma fase de mudanças em busca de modernização. Pela primeira vez em seus 48 anos, a direção foi assumida por um leigo, o professor de história José Ricardo Rocha. A intenção é renovar o processo pedagógico, para formar indivíduos críticos, capazes de refletir sobre a sociedade em que vivem. Para isso, nos últimos dois anos, 90% dos professores realizaram atividades de capacitação em novas metodologias de ensino. Os alunos dizem que o ensino é puxado. "Todos os dias levo lição para casa", comenta a aluna da 7ª série Camila Santos Sales, 13 anos. "Preciso estudar cerca de duas horas por dia para acompanhar o ritmo."

Também o Centro Integrado de Ensino Médio (Ciemp), ligado à tradicional faculdade Fundação Visconde de Cairu, se tornou uma boa surpresa do levantamento. Com a oitava colocação no ensino médio, a escola demonstra quanto vale a pena investir no corpo docente. Mais de 80% de seus professores também lecionam no ensino superior e 40% têm mestrado ou doutorado concluídos. "Nosso maior diferencial é essa qualificação dos professores", diz o diretor Osvaldo Miranda Filho.

     
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