| |
|
|
 |
|
AS
SURPRESAS
Novos, mas
com
muita qualidade
Projetos
pedagógicos recentes e pouco
conhecidos obtêm ótimo desempenho
Ariel
Kostman
Fernando Vivas
 |
| Estudantes
da 5ª- série do Anglo: as aulas de química são sempre no laboratório
|
Ao
lado de colégios tradicionais e renomados, projetos pedagógicos
mais recentes e pouco conhecidos tiveram excelente desempenho na
pesquisa VEJA-Ipsos Marplan. Com apenas nove anos de existência,
o Anglo Brasileiro tornou-se a maior surpresa do levantamento ao
obter o segundo lugar no ranking do ensino fundamental e a quinta
colocação no ensino médio.
Fundado
em 1993, por seis professoras, o Anglo tem um perfil único
na cidade. Funciona em período integral, com aulas das 7h45
às 15 horas. As turmas são reduzidas, com no máximo
25 alunos. Por isso, é muito raro ver os alunos do colégio
do bairro de Patamares apenas sentados ouvindo o discurso do professor
ou copiando lições da lousa. Mais comum é vê-los
em círculo debatendo um tema proposto pelo mestre, na biblioteca
pesquisando ou assistindo a um filme na própria sala de aula,
já que todas são equipadas com TV e vídeo.
"Estudar em uma classe com poucos alunos é muito bom", afirma
Carolina Thomson, 14 anos de idade, da 8ª série. "O
professor pode dar atenção especial a cada um." Para
Carolina, a maior qualidade do Anglo são o ensino criativo
e a abertura para os assuntos atuais. "Todos os dias trazemos recortes
de jornais e revistas e discutimos os temas durante os quinze minutos
iniciais da aula de português."
Além
das disciplinas tradicionais, os estudantes têm a oportunidade
de aprender jardinagem, culinária, música, fotografia
e robótica, entre outras possibilidades. Em todas as séries,
as aulas de inglês são diárias, em turmas subdivididas,
o que significa no máximo doze alunos na sala. A partir da
5ª série, há a opção de espanhol
ou francês. "Quando fundamos a escola, buscávamos uma
alternativa para educar nossos próprios filhos", explica
Selene Dias Moreno, uma das sócias e professora das disciplinas
literatura, português e cinema. "Nossa intenção
é proporcionar aos alunos uma formação cultural
ampla, uma abertura para o mundo."
Fernando Vivas
 |
| Música
no Villa Lobos: a atividade é incluída no currículo até a 8ª-
série |
Para
que essa ambiciosa proposta funcione, o Anglo Brasileiro fornece
ótimas condições de trabalho ao docente. Além
de receberem salários entre os mais altos do mercado baiano,
os professores se reúnem no mínimo uma vez por semana
para planejar as aulas e avaliar o processo educativo. Possuem autonomia
suficiente para modificar conteúdos, escolher o material
didático e decidir como e quando avaliar os alunos. O aprimoramento
e a formação contínua dos educadores também
são incentivados. "A escola paga 50% do curso de especialização
que estou fazendo", afirma a professora de história e geografia
Ana Paula de Camargo. Assim como Ana, 70% do corpo docente é
exclusivo, ou seja, leciona apenas no Anglo Brasileiro. Outro diferencial
importante é a presença de muitas atividades artísticas
permeando as disciplinas tradicionais. "Para ensinar geometria,
utilizo o origami, arte que trabalha com a exatidão das formas",
explica a professora Regina Padilha. Quando vai falar sobre a civilização
greco-romana, Regina manda os alunos saírem pela cidade com
uma máquina fotográfica, para registrar manifestações
da arquitetura clássica. Tudo isso, é claro, tem um
preço. São 800 reais por mês, uma das mais caras
mensalidades de Salvador. Mesmo assim, um público crescente
de classe média alta vem proporcionando ao Anglo sólida
evolução. Os 87 alunos da época da inauguração
se multiplicaram. Nove anos depois, são 302.
Em
outro caso surpreendente, logo no primeiro ano de atividade o Colégio
Villa Lobos superou escolas tradicionais da cidade e obteve a sétima
colocação no ensino fundamental. Erguida ao lado das
Faculdades Jorge Amado, na Avenida Paralela, a instituição
foi criada por um grupo de professores egressos do Diplomata e conta
com 300 alunos, da educação infantil ao final do ensino
médio. Segundo a diretora pedagógica Sara Sodré,
são quatro os pilares da pedagogia do Villa: música,
artes, cultura corporal do movimento (em vez de educação
física tradicional) e preocupação com o meio
ambiente. O corpo docente participa de um processo de avaliação
permanente. Durante as aulas, os professores são filmados
em vídeo e depois discutem seu desempenho com os coordenadores
e os supervisores. "A intenção não é
policiar os educadores", explica o supervisor José Amarante.
"Com os vídeos, o professor pode ampliar o repertório
de soluções para as situações de sala
de aula." Na 3ª série do ensino médio, todos
os alunos preparam uma monografia. "Nós nos preocupamos em
fazer com que o aluno adote uma conduta mais próxima do contexto
universitário", descreve Teca Soub, consultora da escola.
Fernando Vivas
 |
| Aula
de balé na Pirilampo/Ímpar: escola de dança gratuita |
Oitava colocada no ensino fundamental, a Pirilampo-Ímpar
foi fundada como pré-escola pela professora e bailarina Ananice
Diniz Gonçalves, em 1983, no Imbuí. "Na época,
o bairro era apenas um areal", ela recorda. "As pessoas diziam que
eu estava maluca, mas resolvi investir." Naquele areal, Nana, como
é conhecida, construiu uma escola com o jeito que sonhava:
salas que se abrem para pátios ensolarados e até piscina
para exercícios de sensibilização. "Com base
em minha experiência como professora, percebi que faltava
estrutura física às escolas em que trabalhava", diz
Nana. "Queria um espaço mais adequado ao trabalho com crianças."
Três anos depois da inauguração, por insistência
dos pais, ela acabou abrindo turmas da 1ª à 4ª
série. O currículo inclui artes, teatro, inglês
e informática. Em 1996 foram abertas turmas de 5ª série.
Nascia assim o nome Pirilampo-Ímpar. "Os meninos chegavam
à 5ª série e ficavam com vergonha de dizer que
estudavam na Pirilampo", conta. Hoje, a escola já tem turmas
até a 8ª série do fundamental e, a partir do
próximo ano, começará a trabalhar com o ensino
médio. Alunos de todas as séries podem trocar as aulas
de educação física por cursos livres de dança,
caratê ou capoeira, ministrados numa academia de dança
instalada na própria escola, a Ebateca, que também
pertence a Nana. "Através da dança, podemos perceber
dificuldades que as crianças não conseguem expressar
com palavras", ela explica. "Muitos movimentos revelam os sentimentos."
Outra
surpresa positiva da avaliação VEJA-Ipsos Marplan
foi o Colégio Nossa Senhora da Conceição. Oferecendo
da educação infantil à 8ª série,
a escola localizada no bairro de Brotas obteve a nona colocação
no ranking do ensino fundamental. Fundado em 1954 pelas missionárias
do Santíssimo Sacramento e Maria Imaculada, o tradicional
colégio católico passa por uma fase de mudanças
em busca de modernização. Pela primeira vez em seus
48 anos, a direção foi assumida por um leigo, o professor
de história José Ricardo Rocha. A intenção
é renovar o processo pedagógico, para formar indivíduos
críticos, capazes de refletir sobre a sociedade em que vivem.
Para isso, nos últimos dois anos, 90% dos professores realizaram
atividades de capacitação em novas metodologias de
ensino. Os alunos dizem que o ensino é puxado. "Todos os
dias levo lição para casa", comenta a aluna da 7ª
série Camila Santos Sales, 13 anos. "Preciso estudar cerca
de duas horas por dia para acompanhar o ritmo."
Também
o Centro Integrado de Ensino Médio (Ciemp), ligado à
tradicional faculdade Fundação Visconde de Cairu,
se tornou uma boa surpresa do levantamento. Com a oitava colocação
no ensino médio, a escola demonstra quanto vale a pena investir
no corpo docente. Mais de 80% de seus professores também
lecionam no ensino superior e 40% têm mestrado ou doutorado
concluídos. "Nosso maior diferencial é essa qualificação
dos professores", diz o diretor Osvaldo Miranda Filho.
|