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A CAMPEÃ
O Nobel
é o colégio
do futuro no presente
Corpo
docente qualificado, estável
e
bem remunerado explica o ótimo
desempenho da escola
Lívia
de Almeida
Fernando Vivas
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| Alunos
da 4ª- série visitam o museu Carlos Costa Pinto: ampliando o
horizonte cultural |
Uma
diminuta cancela, acionada por um sensor, impede a passagem de um
carrinho. Diante de uma tela de computador, três estudantes
da 7ª série comemoram a conclusão do projeto
que desenvolveram durante as aulas semanais de robótica:
um dispositivo que permite multar, em flagrante, motoristas infratores.
Em outros anos, as turmas montaram robôs que lutavam sumô,
jogavam futebol e conseguiam orientar-se em labirintos. O admirável
mundo novo da tecnologia está integrado ao cotidiano dos
1 000 alunos do Colégio Alfredo Nobel. Apontado pela pesquisa
VEJA-Ipsos Marplan como o melhor estabelecimento de ensino fundamental
e médio de Salvador, o Nobel está no seleto grupo
de instituições Brasil afora que incorporaram a robótica
ao currículo dos alunos da 5ª à 8ª série
do ensino fundamental. Antes disso, até a 4ª série,
a criançada tem aula de educação tecnológica,
uma espécie de introdução à disciplina.
"O objetivo não é criar geniozinhos da informática",
esclarece o diretor-geral do Nobel, Alceu Lisboa Filho, engenheiro
e professor de física. "O que estamos querendo é desenvolver
o raciocínio lógico, necessário para o bom
desempenho em todas as disciplinas e na vida." Os resultados são
visíveis, segundo Maria do Rosário Paim, coordenadora
pedagógica da 5ª à 8ª série. "A matemática
deixou de ser um bicho-papão", diz ela. "Tivemos grandes
progressos também em interpretação de texto
e história."
A
escola, que encara o futuro de olhos bem abertos, já completou
trinta anos. Começou como cursinho pré-vestibular
comandado por um quarteto de professores. Cinco anos depois, abriu
turmas de ensino médio. Por seus bancos passaram personalidades
tão diversas quanto a cantora Ivete Sangallo, o jogador de
futebol Bebeto e o economista Daniel Dantas. Chegou a ter 10.000
alunos distribuídos em seis sedes em meados da década
de 80, quando a sociedade se desfez. Na partilha, couberam a Alceu
o uso da marca e a sede do Itaigara, com 9.000
metros quadrados. No que parecia ser um atentado ao bom senso, no
início dos anos 90 ele desativou as turmas do cursinho
então com 2.400 alunos
e concentrou seus esforços no colégio. Neste ano abriu
sua faculdade, a Escola Superior de Administração,
Marketing e Comunicação, no turno da noite. Viajou
pelo mundo em busca de novas metodologias. Foi assim que surgiu
o Projeto Robótica, implantado há três anos.
"Não é possível educar no início do
século XXI apenas com professor e giz. Escola tem de ter
laboratórios, exibição de filmes e trabalhos
de campo, senão fica chata", costuma repetir o diretor.
Fernando Vivas
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| Aula
de robótica: objetivo é estimular o raciocínio lógico |
Uma
infra-estrutura adequada, explorada por professores motivados, mostra
resultados em todos os níveis de ensino. Em uma manhã
típica, é possível encontrar no prédio
do Itaigara uma turma de 1º ano do ensino médio fazendo
experiências sobre as leis de Newton no laboratório
de física. Do outro lado do corredor, na sala de biologia,
estudantes do 3º ano acompanham pelo vídeo as imagens
captadas no microscópio do professor. Quando a aula acaba,
o mesmo laboratório recebe a algazarra dos meninos do 3º
ano do ensino fundamental, que vão examinar peças
tridimensionais que reproduzem, em tamanho natural, órgãos
do corpo humano. Ao mesmo tempo, em um dos três laboratórios
de informática, duplas de adolescentes da 7ª série
podem estar resolvendo equações de segundo grau, usando
softwares israelenses. Ao terminarem, receberão um relatório
com a análise de seu desempenho. "É um importante
complemento para o trabalho que desenvolvemos em sala de aula",
afirma o professor de matemática João Pontes Ventim.
"Sinto que assim os garotos ficam mais motivados."
Mas
a alma de uma escola não está em suas instalações,
por mais vistosas que sejam. Só um corpo docente bem preparado
e organizado é capaz de garantir a excelência do ensino.
No Nobel, nota-se o esforço para alcançar essas qualidades.
A equipe docente desfruta de estabilidade e de alguns dos melhores
salários da cidade. Um professor das séries iniciais
do ensino médio recebe em média 2.200
reais, para uma carga horária de 25 horas, valor bem superior
à média praticada em Salvador, que não faria
feio nem mesmo nas capitais do Sudeste. Seus filhos têm direito
a bolsa de estudos integral. Nem toda a carga do docente é
cumprida dentro da sala de aula. As reuniões remuneradas
como hora-aula são freqüentes para todos os níveis.
O planejamento de atividades e projetos é semanal até
a 4ª série e quinzenal para as demais. Oficinas e cursos
também podem entrar na programação, dependendo
da demanda dos docentes. Quando a robótica foi introduzida
no currículo, por exemplo, os professores da 5ª à
8ª série passaram por oficinas para conhecer a disciplina.
"Todos participaram", conta Maria do Rosário. Graças
a esse esforço, a novidade se tornou uma importante ferramenta
para a realização de projetos interdisciplinares.
"Fazemos estações meteorológicas para geografia
ou discussões sobre Revolução Industrial para
história, e depois os relatórios escritos são
avaliados pelo professor de português", diz o titular de robótica,
Mário Sérgio de Almeida.
Além
dos encontros de planejamento, os mestres têm semanalmente
duas horas de reunião, à noite, para tratar dos aspectos
teóricos e práticos do cotidiano escolar. Os temas
variam. Para dar a partida nas conversas, cada coordenação
dispõe de um acervo de fitas de vídeo com entrevistas
e palestras de pedagogos sobre os mais variados temas. Critérios
de avaliação, por exemplo, foram debatidos recentemente
entre professores das quatro primeiras séries do ensino fundamental.
A coordenadora desse segmento, Lilia Resende, também organiza
rodas de leitura para os mestres. "Se nosso objetivo é formar
alunos leitores, precisamos ter em nossos quadros professores leitores,
que se deleitem com os livros", afirma.
Fernando Vivas
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| Laboratório
de biologia: aula prática facilita o aprendizado |
Os salários e as condições de trabalho capazes
de permitir que mais da metade dos docentes se dediquem exclusivamente
ao Nobel também atraíram para a equipe profissionais
bem qualificados, como a própria Lília, que ministra
cursos de atualização para docentes em programas organizados
pelo Ministério da Educação. Uma estrela da
casa é o professor de matemática Octamar Marques,
adjunto de cálculo integral do curso de engenharia civil
da Universidade Federal da Bahia. "Aqui encontrei um excelente ambiente
de trabalho com toda a estrutura de que preciso para render o máximo",
diz Marques. "Para completar, os alunos já vêm com
uma bagagem considerável." O professor é um daqueles
especialistas em pré-vestibular cujo passe é disputado
a peso de ouro nos principais colégios e cursos da cidade.
Atualmente, dá aula no Nobel e em apenas mais uma escola.
"O investimento em profissionais bem preparados é o que valoriza
uma instituição de ensino ", declara o diretor Alceu
Lisboa Filho.
Em
sala de aula, o limite do número de alunos é baixo:
nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, há
no máximo vinte crianças. Assim, existem condições
para que o professor ofereça atenção quase
individualizada aos alunos. As crianças têm a opção
de estudar em tempo integral por um acréscimo de 35 reais
na mensalidade, que garante, entre outras coisas, prática
esportiva e acompanhamento pedagógico. As turmas pequenas
permitem que, em todos os níveis, os alunos sejam avaliados
não apenas por desempenho em testes e provas, mas também
por sua atitude em relação aos estudos. Participação
em sala, iniciativa, dever de casa entregue no prazo e organização
compõem 20% da nota do boletim. Para facilitar o cotidiano
da turma que atravessa a fase mais aérea da vida escolar
os anos críticos entre a 5ª e a 8ª série
, as tarefas de casa são lançadas diariamente
na internet. "É um tremendo dedo-duro para os pais", brinca
a coordenadora Maria do Rosário Paim. A garotada não
costuma reclamar. "Precisamos estudar, sim, mas não é
uma pressão excessiva", diz Milena Carvalho Souza, 17 anos,
vice-presidente do grêmio estudantil. "O mais legal é
que é muito fácil falar com qualquer professor ou
até com o dono da escola."
Diferentemente
de outras instituições, o Nobel não se preocupa
em espremer o conteúdo do vestibular nos dois primeiros anos
do ensino médio. Toca-se o currículo normal e, na
3ª série, a garotada passa a freqüentar a escola
também na parte da tarde, para aulas de revisão, provas
e sessões de tira-dúvidas com monitores. Os resultados
têm sido bons. No ano passado, 82% dos candidatos entraram
em cursos superiores. "Não precisei me matar de estudar nem
no ano do vestibular", afirma Cássio Bruno Pigozzo, 18 anos,
aluno do Nobel desde a educação infantil e primeiro
colocado em física no vestibular 2002 da Universidade Federal
da Bahia. "Continuei na equipe de vôlei e ainda trabalhei
na loja de meu pai. Passei sem problemas porque recebi uma base
sólida e aprendi a estudar."
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