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Edição Especial . 18 de setembro de 2002
 
CARTA AO LEITOR
APRESENTAÇÃO
CRITÉRIOS
RANKING
QUANTO VALE
UM RANKING
COLÉGIO ALFRED
NOBEL
AS SURPRESAS
PROFESSORES
INSTALAÇÕES
ESPORTE
ESCOLAS BILÍNGÜES
SEGURANÇA E DISCIPLINA
TRANSPORTE
TRABALHO SOCIAL
MÉTODOS PEDAGÓGICOS
FICHÁRIO
   

AVALIAÇÃO

Quanto vale um ranking

Especialistas dizem que escolas podem
e devem ser avaliadas
tanto quanto
avaliam seus alunos


Fernando Vivas
Laboratório de biologia do Nobel: qualidade do corpo docente definiu a vitória

Existem 171 escolas com ensino fundamental e/ou médio completos em Salvador. Dessas, quinze não quiseram atender os pesquisadores do instituto Ipsos-Marplan e outras sete interromperam o preenchimento do questionário durante a entrevista. Cada uma teve lá suas razões. Houve também um grupo de nove colégios que decidiu organizar-se para contestar a validade da avaliação. "Não concordamos com a elaboração de um ranking", justificou a professora de geografia Marcia Kálid, uma das sócias do colégio Oficina, da Pituba, durante uma reunião entre a reportagem de VEJA e representantes dessas escolas realizada em março, no Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Salvador. "É contra nossos princípios", afirmou a professora. "Sem a nossa participação, a reportagem de vocês perde o sentido", disse na mesma ocasião Sérgio Miranda, diretor do Colégio Dois de Julho. Ficou claro que a intenção era evitar que VEJA fizesse a avaliação das escolas. A publicação deste especial mostra que o movimento só serviu para que essas instituições não pudessem ser comparadas com as melhores da cidade.

Para a secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, as escolas deveriam encarar o ranking de forma construtiva, como algo que pode ajudar a aprimorar a qualidade de ensino. "Sem dúvida, os itens utilizados na pesquisa são indicadores importantes para avaliar o desempenho de uma escola", afirma Maria Helena, que integra o Instituto de Estatísticas Educacionais da Unesco e foi uma entre os 100 especialistas consultados por VEJA para confeccionar o questionário.

A intenção deste levantamento é auxiliar os pais na difícil tarefa de escolher a escola para os filhos. Para isso, a revista buscou parâmetros objetivos que pudessem avaliar a qualidade das instituições. Como cada item tem sua pontuação, o lógico, o correto e o mais transparente é expor ao leitor os resultados. A classificação foi baseada em critérios que uma família hipotética utilizaria. O trabalho, entretanto, como já está dito na apresentação desta edição, não tem a pretensão de substituir o papel dos pais. Afinal, cada família tem valores e expectativas diferentes. Por isso, a escolha da escola ideal vai depender de uma série de outros fatores que não estão contemplados na reportagem. O que VEJA procurou fazer foi expor um grupo de escolas que, dentro de parâmetros bastante claros e objetivos, apresentam um nível de ensino acima da média. "É natural que uma avaliação como essa incomode. Afinal, todo mundo quer ser o primeiro", afirma Iza Locatelli, diretora do Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb). "Os parâmetros usados por VEJA em sua análise são aceitos internacionalmente. Além disso, a avaliação é o melhor meio de detectar e resolver problemas educacionais."

João Augusto Bamberg Conrado, diretor do Colégio Anchieta, disse que sua escola está construindo uma nova unidade e que isso tornaria ineficazes as informações que prestasse à revista. Na opinião dele, a estrutura física seria um dos pontos importantes nessa avaliação. É um equívoco. Como está explicado detalhadamente na reportagem sobre os critérios que nortearam a pesquisa – e também foi informado a todas as escolas que tocaram no assunto –, as instalações não são preponderantes na definição do ranking. O maior peso foi dado às questões sobre formação e condições de trabalho dos professores. Isso porque, de acordo com os mais de 100 especialistas ouvidos, a qualidade do corpo docente é o fator decisivo.

"O questionário de VEJA é indiscutivelmente um bom instrumento para medir a qualidade do ensino das escolas particulares", diz o ex-secretário de Educação Média e Tecnologia do MEC Ruy Leite Berger Filho. "Os critérios adotados são bem fundamentados e abordam valores importantes para uma boa educação."

Para a diretora da empresa de consultoria educacional Consultec, Adelaide Resende, a reportagem de VEJA será muito benéfica para a discussão da educação particular na Bahia. "Trabalhos como o ranking da revista, por mais que despertem polêmica, contribuem para que a sociedade possa discutir o tema do ensino." Resta aos pais que não vêem escolas reputadas nesta lista perguntar aos diretores por que elas podem avaliar seus filhos e não se submetem a uma avaliação independente.

     
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