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AVALIAÇÃO
Quanto vale
um ranking
Especialistas
dizem que escolas podem
e devem ser avaliadas tanto
quanto
avaliam seus alunos
Fernando Vivas
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| Laboratório
de biologia do Nobel: qualidade do corpo docente definiu a vitória
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Existem
171 escolas com ensino fundamental e/ou médio completos em
Salvador. Dessas, quinze não quiseram atender os pesquisadores
do instituto Ipsos-Marplan e outras sete interromperam o preenchimento
do questionário durante a entrevista. Cada uma teve lá
suas razões. Houve também um grupo de nove colégios
que decidiu organizar-se para contestar a validade da avaliação.
"Não concordamos com a elaboração de um ranking",
justificou a professora de geografia Marcia Kálid, uma das
sócias do colégio Oficina, da Pituba, durante uma
reunião entre a reportagem de VEJA e representantes dessas
escolas realizada em março, no Sindicato dos Estabelecimentos
de Ensino de Salvador. "É contra nossos princípios",
afirmou a professora. "Sem a nossa participação, a
reportagem de vocês perde o sentido", disse na mesma ocasião
Sérgio Miranda, diretor do Colégio Dois de Julho.
Ficou claro que a intenção era evitar que VEJA fizesse
a avaliação das escolas. A publicação
deste especial mostra que o movimento só serviu para que
essas instituições não pudessem ser comparadas
com as melhores da cidade.
Para
a secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães
de Castro, as escolas deveriam encarar o ranking de forma construtiva,
como algo que pode ajudar a aprimorar a qualidade de ensino. "Sem
dúvida, os itens utilizados na pesquisa são indicadores
importantes para avaliar o desempenho de uma escola", afirma Maria
Helena, que integra o Instituto de Estatísticas Educacionais
da Unesco e foi uma entre os 100 especialistas consultados por VEJA
para confeccionar o questionário.
A
intenção deste levantamento é auxiliar os pais
na difícil tarefa de escolher a escola para os filhos. Para
isso, a revista buscou parâmetros objetivos que pudessem avaliar
a qualidade das instituições. Como cada item tem sua
pontuação, o lógico, o correto e o mais transparente
é expor ao leitor os resultados. A classificação
foi baseada em critérios que uma família hipotética
utilizaria. O trabalho, entretanto, como já está dito
na apresentação desta edição, não
tem a pretensão de substituir o papel dos pais. Afinal, cada
família tem valores e expectativas diferentes. Por isso,
a escolha da escola ideal vai depender de uma série de outros
fatores que não estão contemplados na reportagem.
O que VEJA procurou fazer foi expor um grupo de escolas que, dentro
de parâmetros bastante claros e objetivos, apresentam um nível
de ensino acima da média. "É natural que uma avaliação
como essa incomode. Afinal, todo mundo quer ser o primeiro", afirma
Iza Locatelli, diretora do Sistema Nacional de Avaliação
Básica (Saeb). "Os parâmetros usados por VEJA em sua
análise são aceitos internacionalmente. Além
disso, a avaliação é o melhor meio de detectar
e resolver problemas educacionais."
João
Augusto Bamberg Conrado, diretor do Colégio Anchieta, disse
que sua escola está construindo uma nova unidade e que isso
tornaria ineficazes as informações que prestasse à
revista. Na opinião dele, a estrutura física seria
um dos pontos importantes nessa avaliação. É
um equívoco. Como está explicado detalhadamente na
reportagem sobre os critérios que nortearam a pesquisa
e também foi informado a todas as escolas que tocaram no
assunto , as instalações não são
preponderantes na definição do ranking. O maior peso
foi dado às questões sobre formação
e condições de trabalho dos professores. Isso porque,
de acordo com os mais de 100 especialistas ouvidos, a qualidade
do corpo docente é o fator decisivo.
"O
questionário de VEJA é indiscutivelmente um bom instrumento
para medir a qualidade do ensino das escolas particulares", diz
o ex-secretário de Educação Média e
Tecnologia do MEC Ruy Leite Berger Filho. "Os critérios adotados
são bem fundamentados e abordam valores importantes para
uma boa educação."
Para
a diretora da empresa de consultoria educacional Consultec, Adelaide
Resende, a reportagem de VEJA será muito benéfica
para a discussão da educação particular na
Bahia. "Trabalhos como o ranking da revista, por mais que despertem
polêmica, contribuem para que a sociedade possa discutir o
tema do ensino." Resta aos pais que não vêem escolas
reputadas nesta lista perguntar aos diretores por que elas podem
avaliar seus filhos e não se submetem a uma avaliação
independente.
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