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Edição Especial . 18 de setembro de 2002
 
CARTA AO LEITOR
APRESENTAÇÃO
CRITÉRIOS
RANKING
QUANTO VALE
UM RANKING
COLÉGIO ALFRED
NOBEL
AS SURPRESAS
PROFESSORES
INSTALAÇÕES
ESPORTE
ESCOLAS BILÍNGÜES
SEGURANÇA E DISCIPLINA
TRANSPORTE
TRABALHO SOCIAL
MÉTODOS PEDAGÓGICOS
FICHÁRIO
   

CRITÉRIOS

Como foi feita a escolha

A qualidade e as condições de trabalho
do corpo docente, a pedagogia
e os equipamentos oferecidos aos alunos
definiram a classificação final


Fernando Vivas
Professores do Módulo: eles são a peça fundamental

Quando decidiu realizar o inédito ranking das melhores escolas particulares de diversas capitais brasileiras, VEJA foi procurar 100 dos mais respeitados especialistas em educação do país. A lista dos profissionais consultados abrange pedagogos, educadores, autoridades do MEC, diretores de escola, orientadores e professores de reconhecido prestígio. A revista fez a todos eles uma indagação: quais são as características comuns aos bons colégios? Depois de entrevistá-los, foi possível elaborar um questionário com 72 perguntas. Montado o roteiro, VEJA voltou a procurar os especialistas –.excluindo, dessa vez, os que tinham ligação direta com alguma escola – para que atribuíssem peso a cada um dos itens, de acordo com sua importância. Após essa etapa, foram selecionadas trinta perguntas objetivas, que podem ser formuladas a todos os tipos de estabelecimento de ensino. Foram essas trinta questões que contaram pontos na elaboração do ranking final. As outras 42 não valeram para a classificação. Isso porque, embora sejam relevantes para traçar um panorama da rede particular de ensino da cidade, tratam de temas que não influem diretamente na qualidade do projeto pedagógico ou são difíceis de avaliar objetivamente. É o caso, por exemplo, das questões relacionadas à disciplina. Não se levou em conta, no resultado do ranking, se a escola permite que os alunos entrem e saiam livremente das aulas, se o namoro é aceito, se o uniforme é obrigatório ou se os pais são avisados no mesmo dia em caso de falta. Afinal, esses fatores não indicam ser a escola boa ou ruim.

Os especialistas têm consenso num ponto fundamental: o fator decisivo para a avaliação de um estabelecimento de ensino é o quadro docente. Mais do que salas espaçosas, ginásios cobertos ou número de idiomas lecionados, a qualificação dos professores e as condições de trabalho que lhes são dadas permitem medir o nível do ensino mantido pelas escolas. "Muitos colégios dispõem de computadores modernos, laboratórios bem equipados, piscina e belos auditórios", diz Noeli Weffort, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Mas, se não tiverem também um corpo docente eficiente e estimulado, nada disso adianta." Por isso, as questões referentes aos professores ganharam o maior peso na tabulação dos resultados. A pesquisa tratou de levantar qual o salário deles, quantas horas remuneradas recebem para atividades de planejamento, há quanto tempo lecionam na escola.

Também se perguntou com que freqüência se reúnem e qual a porcentagem dos que trabalham em regime de dedicação exclusiva. "No mundo de hoje, é uma necessidade que o professor esteja permanentemente se atualizando", diz a professora Adelaide Rezende, diretora da Consultec, empresa que presta consultoria a diversas escolas de Salvador. "Saber se a escola está franqueando a seus docentes condições para que se desenvolvam culturalmente e se mantenham em dia com as transformações da educação deve ser uma das preocupações centrais dos pais na hora de escolher um colégio."

A análise das respostas levou a conclusões importantes. Descobriu-se que apenas dez das escolas participantes pagam mais de 12 reais por hora de aula a seus professores de 5ª a 8ª sériee por isso mereceram uma pontuação maior nesse quesito. Com relação ao regime de trabalho, os colégios Antônio Vieira e Módulo/Criarte são exemplos de instituição em que mais de 70% do corpo docente do ensino fundamental atua exclusivamente na escola. Outro item levado em conta na pesquisa foi a estabilidade do corpo docente. É inviável desenvolver um projeto pedagógico sério trocando boa parte do quadro de educadores a cada ano letivo. Aqui, foram bem pontuadas as escolas com professorado estável. A média de permanência dos professores do Instituto Social da Bahia e do Nossa Senhora da Conceição, entre outros, é superior a dez anos, o que possibilita a essas instituições desenvolver um trabalho contínuo.

O segundo maior peso foi atribuído a questões que dizem respeito à pedagogia. Entre elas, figuraram as seguintes:

A escola tem um coordenador para quantos professores?

Qual a freqüência das aulas de artes?

Qual a freqüência das aulas de educação física?

Quantos idiomas são lecionados?

Há aulas de sociologia ou filosofia?

Qual o limite de alunos por sala?

O levantamento revelou que o Anglo-Brasileiro não põe mais que 25 alunos em uma sala, mesmo no ensino médio. Trata-se de um diferencial positivo. "Um limite de alunos adequado é fundamental para uma boa educação", define a professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia Iracy Picanço. "Com menos gente na sala, o professor pode realizar um trabalho educativo de muito mais qualidade."

No Marista de Salvador e na Pirilampo/Impar, alunos da 1ª à 4ª série do ensino fundamental têm aulas de filosofia ou sociologia. É claro que eles não discutem conceitos de Platão. Mas é por meio dessas disciplinas que os colégios começam a desenvolver o espírito crítico e a capacidade de raciocínio dos estudantes. Finalmente, com peso menor, vieram perguntas sobre os equipamentos disponíveis – laboratórios de informática, física e química, ginásio de esportes – e itens de segurança, como a existência de controle de acesso na entrada e a presença de inspetores no pátio durante os intervalos das aulas.

O Instituto Ipsos-Marplan, contratado para aplicar o questionário, procurou todos os 171 colégios particulares da cidade com ensino fundamental, médio ou ambos. Desses, 140 responderam à pesquisa. As respostas foram fornecidas pelos diretores ou por funcionários designados por eles. Na reportagem seguinte, estão publicados os resultados dos dois rankings. São escolas com histórias, propostas e perfis bastante distintos. Apesar disso, todas as que figuram na lista, independentemente da classificação, proporcionam a seus alunos um nível de ensino acima da média encontrada nos estabelecimentos particulares de Salvador.


 

     
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