| |
|
|
 |
|
CRITÉRIOS
Como foi feita
a escolha
A
qualidade e as condições de trabalho
do corpo docente, a pedagogia e
os equipamentos oferecidos aos alunos
definiram a classificação final
Fernando Vivas
 |
| Professores
do Módulo: eles são a peça fundamental |
Quando
decidiu realizar o inédito ranking das melhores escolas particulares
de diversas capitais brasileiras, VEJA foi procurar 100 dos mais
respeitados especialistas em educação do país.
A lista dos profissionais consultados abrange pedagogos, educadores,
autoridades do MEC, diretores de escola, orientadores e professores
de reconhecido prestígio. A revista fez a todos eles uma
indagação: quais são as características
comuns aos bons colégios? Depois de entrevistá-los,
foi possível elaborar um questionário com 72 perguntas.
Montado o roteiro, VEJA voltou a procurar os especialistas .excluindo,
dessa vez, os que tinham ligação direta com alguma
escola para que atribuíssem peso a cada um dos itens,
de acordo com sua importância. Após essa etapa, foram
selecionadas trinta perguntas objetivas, que podem ser formuladas
a todos os tipos de estabelecimento de ensino. Foram essas trinta
questões que contaram pontos na elaboração
do ranking final. As outras 42 não valeram para a classificação.
Isso porque, embora sejam relevantes para traçar um panorama
da rede particular de ensino da cidade, tratam de temas que não
influem diretamente na qualidade do projeto pedagógico ou
são difíceis de avaliar objetivamente. É o
caso, por exemplo, das questões relacionadas à disciplina.
Não se levou em conta, no resultado do ranking, se a escola
permite que os alunos entrem e saiam livremente das aulas, se o
namoro é aceito, se o uniforme é obrigatório
ou se os pais são avisados no mesmo dia em caso de falta.
Afinal, esses fatores não indicam ser a escola boa ou ruim.
Os
especialistas têm consenso num ponto fundamental: o fator
decisivo para a avaliação de um estabelecimento de
ensino é o quadro docente. Mais do que salas espaçosas,
ginásios cobertos ou número de idiomas lecionados,
a qualificação dos professores e as condições
de trabalho que lhes são dadas permitem medir o nível
do ensino mantido pelas escolas. "Muitos colégios dispõem
de computadores modernos, laboratórios bem equipados, piscina
e belos auditórios", diz Noeli Weffort, da Faculdade de Educação
da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo. "Mas, se não tiverem também um corpo docente
eficiente e estimulado, nada disso adianta." Por isso, as questões
referentes aos professores ganharam o maior peso na tabulação
dos resultados. A pesquisa tratou de levantar qual o salário
deles, quantas horas remuneradas recebem para atividades de planejamento,
há quanto tempo lecionam na escola.
Também
se perguntou com que freqüência se reúnem e qual
a porcentagem dos que trabalham em regime de dedicação
exclusiva. "No mundo de hoje, é uma necessidade que o professor
esteja permanentemente se atualizando", diz a professora Adelaide
Rezende, diretora da Consultec, empresa que presta consultoria a
diversas escolas de Salvador. "Saber se a escola está franqueando
a seus docentes condições para que se desenvolvam
culturalmente e se mantenham em dia com as transformações
da educação deve ser uma das preocupações
centrais dos pais na hora de escolher um colégio."
A
análise das respostas levou a conclusões importantes.
Descobriu-se que apenas dez das escolas participantes pagam mais
de 12 reais por hora de aula a seus professores de 5ª a 8ª
série e por isso mereceram uma pontuação
maior nesse quesito. Com relação ao regime de trabalho,
os colégios Antônio Vieira e Módulo/Criarte
são exemplos de instituição em que mais de
70% do corpo docente do ensino fundamental atua exclusivamente na
escola. Outro item levado em conta na pesquisa foi a estabilidade
do corpo docente. É inviável desenvolver um projeto
pedagógico sério trocando boa parte do quadro de educadores
a cada ano letivo. Aqui, foram bem pontuadas as escolas com professorado
estável. A média de permanência dos professores
do Instituto Social da Bahia e do Nossa Senhora da Conceição,
entre outros, é superior a dez anos, o que possibilita a
essas instituições desenvolver um trabalho contínuo.
O
segundo maior peso foi atribuído a questões que dizem
respeito à pedagogia. Entre elas, figuraram as seguintes:
A escola tem um coordenador para quantos professores?
Qual a freqüência das aulas de artes?
Qual a freqüência das aulas de educação
física?
Quantos idiomas são lecionados?
Há aulas de sociologia ou filosofia?
Qual o limite de alunos por sala?
O
levantamento revelou que o Anglo-Brasileiro não põe
mais que 25 alunos em uma sala, mesmo no ensino médio. Trata-se
de um diferencial positivo. "Um limite de alunos adequado é
fundamental para uma boa educação", define a professora
titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal
da Bahia Iracy Picanço. "Com menos gente na sala, o professor
pode realizar um trabalho educativo de muito mais qualidade."
No
Marista de Salvador e na Pirilampo/Impar, alunos da 1ª à
4ª série do ensino fundamental têm aulas de filosofia
ou sociologia. É claro que eles não discutem conceitos
de Platão. Mas é por meio dessas disciplinas que os
colégios começam a desenvolver o espírito crítico
e a capacidade de raciocínio dos estudantes. Finalmente,
com peso menor, vieram perguntas sobre os equipamentos disponíveis
laboratórios de informática, física
e química, ginásio de esportes e itens de segurança,
como a existência de controle de acesso na entrada e a presença
de inspetores no pátio durante os intervalos das aulas.
O
Instituto Ipsos-Marplan, contratado para aplicar o questionário,
procurou todos os 171 colégios particulares da cidade com
ensino fundamental, médio ou ambos. Desses, 140 responderam
à pesquisa. As respostas foram fornecidas pelos diretores
ou por funcionários designados por eles. Na reportagem seguinte,
estão publicados os resultados dos dois rankings. São
escolas com histórias, propostas e perfis bastante distintos.
Apesar disso, todas as que figuram na lista, independentemente da
classificação, proporcionam a seus alunos um nível
de ensino acima da média encontrada nos estabelecimentos
particulares de Salvador.
|