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MÉTODOS
PEDAGÓGICOS
Caminhos para
o conhecimento
Na
hora de escolher a escola,
há alguns fundamentos que os
pais precisam conhecer
E. Queiroga/Lumiar
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| Laboratório
de informática do Apoio: escola quer que o aluno construa seu
conhecimento |
A qualidade
do ensino de uma instituição não é garantida
pela adoção de uma determinada teoria pedagógica.
Podem existir escolas que em seu discurso demonstrem estar afinadas
com as mais modernas propostas pedagógicas e que, na prática,
deixem a desejar na formação de seus alunos. Ao mesmo
tempo, estabelecimentos tradicionais, que utilizam uma metodologia
mais conservadora, podem ter êxito em seus objetivos. Por
isso, a pesquisa VEJA-Ipsos Marplan não levou em consideração
em sua avaliação a filosofia que norteia as instituições.
Na hora de escolher uma escola, entretanto, é fundamental
conhecer profundamente os princípios pedagógicos adotados
pelas diferentes instituições. É importante
levar em conta também as expectativas que cada família
nutre sobre a educação para seus filhos. Para alguns,
a escola ideal é aquela que capricha na transmissão
de informações, cobra numerosas tarefas de casa e
mantém um calendário cheio de testes e provas que
avaliam a apreensão dos conteúdos. Para outros, a
escola deve estimular o espírito crítico, a criatividade
e a capacidade do jovem de expressar seus pontos de vista. Com base
nessas considerações, é possível traçar
o perfil da instituição que melhor atende às
expectativas de cada família.
Entre
as teorias de aprendizagem, o construtivismo é a que goza
de maior aceitação no momento. Pode-se dizer até
que nove entre dez escolas se apresentam como construtivistas. Baseado
em estudos do suíço Jean Piaget sobre o desenvolvimento
do processo de aprendizagem das crianças, o construtivismo
proposto pela psicóloga argentina Emilia Ferrero prega que
o aluno precisa construir o próprio conhecimento. "O pressuposto
básico é que o processo de aprendizagem concretiza-se
em situações de interação entre aluno,
colegas e educadores, assegurando a construção de
significados a partir de relações entre o que eles
já conhecem e o que estão aprendendo de novo", diz
Rejane Maia, diretora pedagógica do Colégio Apoio.
Ao contrário do que acontece na escola tradicional, em que
o professor ensina e o aluno escuta, o construtivismo pressupõe
uma parceria e uma troca de informações entre as duas
partes envolvidas. "Como mediador, o professor precisa conhecer
de perto os alunos para elaborar hipóteses que os ajudem
a se desenvolver", acrescenta Rejane. Os materiais didáticos
são produzidos segundo as necessidades da turma. Como as
aulas não se repetem de um ano para o outro, é preciso
haver uma colaboração estreita entre os mestres e
a coordenação. Sem o investimento em muitas horas
de reunião, é difícil ser fiel ao ideal construtivista.
"Daí a preocupação com a formação
continuada dos professores", conclui Rejane.
Outro
pensador que influencia a prática das escolas é o
psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934), que preconizava
que o sujeito não nasce pronto nem é resultado exclusivo
da ação do ambiente externo. Para ele, o desenvolvimento
do indivíduo era resultado de uma interação
permanente entre os processos internos e as influências do
mundo exterior. Seu pensamento ficou sendo conhecido como sociointeracionismo.
O Colégio Madre de Deus, em Boa Viagem, fundamenta sua pedagogia
no pensamento de Vygotsky, incluindo em seu cotidiano procedimentos
adotados pela médica italiana Maria Montessori, que defendia
uma educação individualizada. Até a 4ª
série do ensino fundamental, é comum encontrar grupos
de alunos sentados no chão, realizando tarefas que exploram
a coordenação motora fina, enquanto outros trabalham
nas carteiras e a professora se dedica a dar atenção
individualizada a um estudante em dificuldades. "A afetividade é
um dos pilares de nosso trabalho", afirma a diretora Marlúcia
de Sá.
E. Queiroga/Lumiar
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| Madre
de Deus: afetividade e educação individualizada |
Fundado
em 1987, o Colégio Exponente adota o método Ramain,
criado na França por Simonne Ramain com a colaboração
de Germain Fajardo. A intenção é propiciar
uma reestruturação mental global, levando em consideração
aspectos intelectuais, motores, emocionais e sociais. "Para isso,
propomos ao aluno situações que o levem a atuar de
forma consciente", explica a diretora Maria Beliza Andrade. Os alunos
aprendem a seguir quatro passos básicos: parar, ouvir, pensar
e agir. Na prática, a metodologia se traduz em aulas sempre
relacionadas ao cotidiano do aluno. No estudo de geometria, por
exemplo, os alunos da 3ª série visitaram igrejas do
Recife para identificar nelas formas geométricas como polígonos
e linhas retas.
Além
de pesquisar a orientação pedagógica das instituições,
é bom que os pais prestem atenção ao currículo
oferecido em cada uma. As Diretrizes Curriculares Nacionais, adotadas
a partir de 1996, deram às escolas maior flexibilidade na
hora de organizar seus currículos. Além da base comum,
formada por linguagem, ciências da natureza, ciências
humanas e matemática, um quarto do conteúdo fica a
critério de cada escola. Enquanto um estabelecimento pode
optar por caprichar nas aulas de música e arte, outro colégio
pode oferecer dois idiomas estrangeiros e adotar filosofia como
disciplina obrigatória em todas as séries. Os alunos
do ensino médio do Bureau Jurídico, por exemplo, têm
aulas de fundamentos do direito. Nas séries iniciais do ensino
fundamental, o Neo Planos instituiu uma disciplina chamada "paz".
"É uma discussão sobre valores éticos e filosóficos",
explica o diretor Walevsky Adriano Lima. "Queremos formar militantes
para a paz." Na 5ª e na 6ª série, a ecologia entra
no currículo.
A
última reforma de ensino também tratou de uma maior
integração entre as disciplinas. O recurso mais utilizado
para promovê-la são os chamados projetos interdisciplinares.
Os alunos da 4ª série do Instituto Helena Lubienska
realizaram neste ano um projeto sobre o tradicional Mercado São
José. Estudaram a arquitetura do prédio, sua história,
o modo de vida dos comerciantes e, depois, fizeram comparações
entre o preço dos produtos vendidos no mercado e o de similares
encontrados em um shopping center. Dessa maneira, trabalharam história,
geografia, matemática, artes e ainda português, pois
o resultado da pesquisa gerou relatórios escritos. O Ministério
da Educação orienta as escolas também a tratar
temas como sexualidade, ecologia e multiculturalismo de forma transversal,
ou melhor, por intermédio de projetos que se relacionam com
as diferentes disciplinas e podem ser retomados em diversos momentos
da vida escolar. Os alunos aplaudem. "É muito mais fácil
aprender a partir de situações concretas", diz Raíssa
Viana, aluna da 7ª série do Apoio.
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