Publicidade
 
 
Edição Especial . 9 de outubro de 2002
 
CARTA AO LEITOR
APRESENTAÇÃO
CRITÉRIOS
RANKING
SANTA MARIA
RECANTO
PROFESSORES
INSTALAÇÕES
ESPORTE
BILÍNGÜES
SEGURANÇA
TRANSPORTE
TRABALHO SOCIAL
MÉTODOS PEDAGÓGICOS
FICHÁRIO
   

MÉTODOS PEDAGÓGICOS

Caminhos para
o conhecimento

Na hora de escolher a escola,
há alguns fundamentos que os
pais precisam conhecer


E. Queiroga/Lumiar
Laboratório de informática do Apoio: escola quer que o aluno construa seu conhecimento

A qualidade do ensino de uma instituição não é garantida pela adoção de uma determinada teoria pedagógica. Podem existir escolas que em seu discurso demonstrem estar afinadas com as mais modernas propostas pedagógicas e que, na prática, deixem a desejar na formação de seus alunos. Ao mesmo tempo, estabelecimentos tradicionais, que utilizam uma metodologia mais conservadora, podem ter êxito em seus objetivos. Por isso, a pesquisa VEJA-Ipsos Marplan não levou em consideração em sua avaliação a filosofia que norteia as instituições. Na hora de escolher uma escola, entretanto, é fundamental conhecer profundamente os princípios pedagógicos adotados pelas diferentes instituições. É importante levar em conta também as expectativas que cada família nutre sobre a educação para seus filhos. Para alguns, a escola ideal é aquela que capricha na transmissão de informações, cobra numerosas tarefas de casa e mantém um calendário cheio de testes e provas que avaliam a apreensão dos conteúdos. Para outros, a escola deve estimular o espírito crítico, a criatividade e a capacidade do jovem de expressar seus pontos de vista. Com base nessas considerações, é possível traçar o perfil da instituição que melhor atende às expectativas de cada família.

Entre as teorias de aprendizagem, o construtivismo é a que goza de maior aceitação no momento. Pode-se dizer até que nove entre dez escolas se apresentam como construtivistas. Baseado em estudos do suíço Jean Piaget sobre o desenvolvimento do processo de aprendizagem das crianças, o construtivismo proposto pela psicóloga argentina Emilia Ferrero prega que o aluno precisa construir o próprio conhecimento. "O pressuposto básico é que o processo de aprendizagem concretiza-se em situações de interação entre aluno, colegas e educadores, assegurando a construção de significados a partir de relações entre o que eles já conhecem e o que estão aprendendo de novo", diz Rejane Maia, diretora pedagógica do Colégio Apoio. Ao contrário do que acontece na escola tradicional, em que o professor ensina e o aluno escuta, o construtivismo pressupõe uma parceria e uma troca de informações entre as duas partes envolvidas. "Como mediador, o professor precisa conhecer de perto os alunos para elaborar hipóteses que os ajudem a se desenvolver", acrescenta Rejane. Os materiais didáticos são produzidos segundo as necessidades da turma. Como as aulas não se repetem de um ano para o outro, é preciso haver uma colaboração estreita entre os mestres e a coordenação. Sem o investimento em muitas horas de reunião, é difícil ser fiel ao ideal construtivista. "Daí a preocupação com a formação continuada dos professores", conclui Rejane.

Outro pensador que influencia a prática das escolas é o psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934), que preconizava que o sujeito não nasce pronto nem é resultado exclusivo da ação do ambiente externo. Para ele, o desenvolvimento do indivíduo era resultado de uma interação permanente entre os processos internos e as influências do mundo exterior. Seu pensamento ficou sendo conhecido como sociointeracionismo. O Colégio Madre de Deus, em Boa Viagem, fundamenta sua pedagogia no pensamento de Vygotsky, incluindo em seu cotidiano procedimentos adotados pela médica italiana Maria Montessori, que defendia uma educação individualizada. Até a 4ª série do ensino fundamental, é comum encontrar grupos de alunos sentados no chão, realizando tarefas que exploram a coordenação motora fina, enquanto outros trabalham nas carteiras e a professora se dedica a dar atenção individualizada a um estudante em dificuldades. "A afetividade é um dos pilares de nosso trabalho", afirma a diretora Marlúcia de Sá.


E. Queiroga/Lumiar
Madre de Deus: afetividade e educação individualizada

Fundado em 1987, o Colégio Exponente adota o método Ramain, criado na França por Simonne Ramain com a colaboração de Germain Fajardo. A intenção é propiciar uma reestruturação mental global, levando em consideração aspectos intelectuais, motores, emocionais e sociais. "Para isso, propomos ao aluno situações que o levem a atuar de forma consciente", explica a diretora Maria Beliza Andrade. Os alunos aprendem a seguir quatro passos básicos: parar, ouvir, pensar e agir. Na prática, a metodologia se traduz em aulas sempre relacionadas ao cotidiano do aluno. No estudo de geometria, por exemplo, os alunos da 3ª série visitaram igrejas do Recife para identificar nelas formas geométricas como polígonos e linhas retas.

Além de pesquisar a orientação pedagógica das instituições, é bom que os pais prestem atenção ao currículo oferecido em cada uma. As Diretrizes Curriculares Nacionais, adotadas a partir de 1996, deram às escolas maior flexibilidade na hora de organizar seus currículos. Além da base comum, formada por linguagem, ciências da natureza, ciências humanas e matemática, um quarto do conteúdo fica a critério de cada escola. Enquanto um estabelecimento pode optar por caprichar nas aulas de música e arte, outro colégio pode oferecer dois idiomas estrangeiros e adotar filosofia como disciplina obrigatória em todas as séries. Os alunos do ensino médio do Bureau Jurídico, por exemplo, têm aulas de fundamentos do direito. Nas séries iniciais do ensino fundamental, o Neo Planos instituiu uma disciplina chamada "paz". "É uma discussão sobre valores éticos e filosóficos", explica o diretor Walevsky Adriano Lima. "Queremos formar militantes para a paz." Na 5ª e na 6ª série, a ecologia entra no currículo.

A última reforma de ensino também tratou de uma maior integração entre as disciplinas. O recurso mais utilizado para promovê-la são os chamados projetos interdisciplinares. Os alunos da 4ª série do Instituto Helena Lubienska realizaram neste ano um projeto sobre o tradicional Mercado São José. Estudaram a arquitetura do prédio, sua história, o modo de vida dos comerciantes e, depois, fizeram comparações entre o preço dos produtos vendidos no mercado e o de similares encontrados em um shopping center. Dessa maneira, trabalharam história, geografia, matemática, artes e ainda português, pois o resultado da pesquisa gerou relatórios escritos. O Ministério da Educação orienta as escolas também a tratar temas como sexualidade, ecologia e multiculturalismo de forma transversal, ou melhor, por intermédio de projetos que se relacionam com as diferentes disciplinas e podem ser retomados em diversos momentos da vida escolar. Os alunos aplaudem. "É muito mais fácil aprender a partir de situações concretas", diz Raíssa Viana, aluna da 7ª série do Apoio.

     
VEJA on-line | VEJA Educação
copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados