Publicidade
 
 
Edição Especial . 9 de outubro de 2002
 
CARTA AO LEITOR
APRESENTAÇÃO
CRITÉRIOS
RANKING
SANTA MARIA
RECANTO
PROFESSORES
INSTALAÇÕES
ESPORTE
BILÍNGÜES
SEGURANÇA
TRANSPORTE
TRABALHO SOCIAL
MÉTODOS PEDAGÓGICOS
FICHÁRIO
    TRABALHO SOCIAL

Lição do voluntariado

Ações filantrópicas mostram aos alunos
que é possível transformar a realidade

 
Fotos E. Queiroga/Lumiar
Alunos do Marista São Luís visitam asilo: incentivo à consciência social

Mostrar a crianças e adolescentes das classes média e alta a realidade de comunidades carentes e incentivá-los a atuar para tentar transformar essa condição. Para cumprir esse objetivo, o Colégio Marista São Luís desenvolve atualmente cinco projetos de solidariedade. Os alunos da 5ª série trabalham com crianças carentes da Organização de Auxílio Fraterno. Depois de uma preparação realizada na escola, os garotos visitam a entidade, levantam as necessidades mais urgentes e elaboram um plano de ação para obter os recursos necessários. Com apresentações de dança, teatro e música, os estudantes da 6ª série procuram mudar a rotina das 72 idosas do Abrigo Padre Venâncio. Os da 8ª visitam pacientes do Hospital do Câncer e do Instituto Materno Infantil de Pernambuco. "No fim de cada atividade, fazemos uma avaliação dos resultados e refletimos sobre o que foi aprendido", diz a professora de formação religiosa Maria do Socorro Aguiar.

Outra iniciativa da escola foi a Feira do Voluntariado, realizada em abril. Foram montados estandes nos quais eram apresentados os trabalhos feitos com cada uma das entidades assistidas. Depois de visitar a feira, os interessados podiam se inscrever e se engajar no trabalho com que mais se identificassem. O Marista São Luís mantém ainda um curso noturno gratuito para 200 alunos na própria sede da escola. "O colégio incentiva em seus alunos, de uma maneira muito clara, a consciência social", diz o ex-aluno Joaquim Pessoa Pinto. Formado em engenharia eletrônica, ele faz parte de um grupo de trinta ex-alunos que atuam com crianças carentes da creche Casa da Tia Lia. Pagam funcionários, dão assistência médica e psicológica e arrecadam alimentos. "No Marista São Luís aprendemos a não ficar passivos diante da situação dos menos favorecidos", afirma.

 
Aula de reforço escolar para crianças carentes: um dos projetos do Colégio Equipe

Fundado por freiras em 1896, o Colégio das Damas da Instrução Cristã já nasceu com uma forte preocupação social. Atualmente, o Damas mantém dois colégios gratuitos -- um de educação infantil e outro para a alfabetização de jovens e adultos. Em 2002, mais de 800 pessoas já foram atendidas. Paralelamente, a escola incentiva seus alunos a conhecer outras realidades da região metropolitana do Recife. Crianças e adolescentes convivem com mães, crianças e idosos carentes e são motivados a realizar campanhas de arrecadação de leite, enxovais, cestas básicas e roupas. Na primeira etapa, os alunos fazem um levantamento das carências da entidade a ser auxiliada. Depois, catalogam os dados e começam um trabalho de arrecadação de todos os itens necessários. Na Olimpíada Cultural, que ocorre anualmente, uma das atividades da competição é a arrecadação de alimentos e roupas para as entidades com as quais a escola trabalha. A preocupação em ajudar o próximo se estende também às pessoas que atuam no colégio. A taxa paga pelos alunos para participar dos jogos esportivos internos é revertida para a compra de casas para os funcionários mais necessitados. A iniciativa já beneficiou treze famílias. No Salesiano Sagrado Coração, alunos do ensino médio organizam atividades esportivas e de recreação para meninos de comunidades carentes nas tardes de sábado. Os voluntários também promovem palestras e formam grupos de catequese.

O trabalho social não está restrito aos colégios religiosos. Instituições leigas descobriram a importância de incentivar os alunos a se envolver nessas questões. No Colégio Equipe, por exemplo, são desenvolvidas atividades recreativas para crianças carentes todas as sextas-feiras. Atualmente são atendidos 78 meninos e meninas entre 4 e 13 anos. "Os alunos da 8ª série e dos dois primeiros anos do ensino médio participam como monitores e organizam o lanche da garotada", conta Valdo Luciano de Freitas, o "Nino", coordenador de disciplina do colégio e organizador do grupo de jovens. Aline Motta Guedes, da 8ª série, trabalha com um grupo de meninas de 8 a 14 anos. "Estou dando aula de dança popular. Elas são bastante agitadas, mas nos entendemos bem", diz a estudante. "É muito bom poder conhecer uma outra realidade e ajudar o próximo." Outro projeto do Equipe visa a dar reforço escolar a garotos da comunidade de Mangueira da Torre, vizinha ao colégio.

O Instituto Capibaribe, que teve como primeiro diretor o educador Paulo Freire, procura fazer com que seus alunos interfiram na realidade da cidade de forma bastante ambiciosa. No projeto Ponte a Ponte, os estudantes se mobilizaram para tentar reverter a degradação das margens do Rio Capibaribe, símbolo do Recife. Após um levantamento da situação, com mapas e fotos das fontes de poluição, os alunos fizeram uma proposta de recuperação ambiental. O projeto envolveu praticamente todas as disciplinas. Finalmente, voltaram a campo para conscientizar moradores, empresários e autoridades. Até uma passeata em defesa do rio foi organizada por eles. Neste ano, os alunos do Instituto Capibaribe fizeram um trabalho sobre a dengue. Depois de estudar as causas da doença, produziram e distribuíram à população panfletos explicando como evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença. "Incentivamos nossos alunos a participar de movimentos sociais e a interferir na vida da comunidade", afirma a diretora Monica Antunes Melo.

     
VEJA on-line | VEJA Educação
copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados