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TRANSPORTE
Quanto
mais perto melhor
Estudar
longe de casa e perder tempo
no trânsito muitas vezes
prejudica
o desenvolvimento da criança
Nahara
Bauchwitz
E. Queiroga/Lumiar
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| Frota
de vans do Boa Viagem: transporte próprio dá mais segurança |
Moradora
de Olinda, todos os dias Cláudia Galamba perde mais de trinta
minutos no trânsito para levar sua filha Júlia, de
10 anos, ao Colégio Recanto, no bairro da Madalena. Na volta,
quando o congestionamento na Avenida Agamenon Magalhães é
maior, o percurso pode levar até uma hora. Apesar das dificuldades,
Cláudia não abre mão de que a filha estude
na escola que ela considera ideal. "Faço questão porque
acho que a proposta da escola faz a diferença, independentemente
da distância", afirma Cláudia. Para amenizar o cansaço
do trajeto, ela procura conversar com a filha sobre as atividades
escolares. "O tempo passa mais depressa e a gente coloca a conversa
em dia", diz Cláudia.
Segundo
os especialistas, é preferível que crianças
de até 10 anos de idade estudem perto de casa. "Nessa fase
da vida, é importante firmar vínculos afetivos e sociais
no bairro em que a criança vive, que é a comunidade
que ela conhece", afirma o professor do departamento de psicologia
da Universidade Federal de Pernambuco Sylvio Ferreira. Para ele,
a escola é mais que um ponto de encontro com os amigos. "Trata-se
de uma extensão do bairro, e isso contribui para o bom estado
emocional das crianças", diz o psicólogo.
De
fato, estudar longe de casa pode interferir no desenvolvimento e
no humor da criança, principalmente se ela tem de enfrentar
todos os dias tráfego intenso e perder longo tempo dentro
de um carro, muitas vezes com fome e irritada. Quem mora no Recife
sabe bem o que isso significa. No início da manhã
e no fim da tarde, os principais corredores da cidade ficam praticamente
intransitáveis. "Estudar já é uma tarefa que
esgota a mente e, quando associada ao cansaço provocado pelo
trânsito, pode prejudicar o rendimento escolar e a estabilidade
emocional da criança", explica o psicólogo Luiz Schettini.
Para
o microempresário Marcos André Ribeiro Corrêa,
o critério geográfico foi tão importante quanto
a qualidade da escola quando optou por colocar a filha Rayana, 11
anos, no Instituto Helena Lubienska, a poucas ruas de sua casa.
"É mais prático e seguro. Desde que ela entrou na
escola, aos 3 anos, nunca tive de me preocupar com trânsito
e em poucos minutos ela chega em casa", conta Marcos. Quando era
menor, Rayana era levada pelo pai ao colégio. Agora, faz
o caminho com um grupo de amigos, a pé.
Quando
a escola fica longe e os pais não têm condições
de levar os filhos pessoalmente, resta a opção do
transporte escolar. Diariamente, cerca de 10.000
crianças e adolescentes circulam nesses veículos no
Recife, segundo estimativa da Companhia de Trânsito e Transporte
Urbano (CTTU). É um segmento que vem crescendo. No início
de 2001, quando se deu a regulamentação do setor,
a prefeitura do Recife tinha 383 veículos registrados realizando
esse serviço. Neste ano, estão cadastrados 427.
Na
hora de escolher o transporte escolar, os pais devem estar atentos
a algumas questões importantes. Os veículos devem
ter o selo de vistoria do Detran e da CTTU. Precisam ter ainda tacógrafo,
cintos de segurança para todos os passageiros e placa vermelha.
Os motoristas devem ter mais de 21 anos, habilitação
na categoria D e curso de condutor escolar oferecido pelo Detran.
Os pais devem verificar se ele possui o crachá que comprova
seu cadastramento na CTTU. Os monitores não são obrigatórios,
mas é conveniente apostar num transporte que ofereça
esse serviço, principalmente para as crianças mais
novas. O transporte escolar custa em média 90 reais por mês
(ida e volta). "Infelizmente, existe um grande número de
veículos irregulares circulando livremente e colocando em
risco a segurança de crianças e adolescentes", afirma
a presidente do Sindicato de Transporte Escolar de Pernambuco, Sandra
Novaes. A Prefeitura do Recife oferece um número para denúncias
(
0800-811078). "Uma vez comprovada a ilegalidade, o veículo
é apreendido e o dono do carro paga uma multa", explica Denilson
Souza, diretor de transportes da CTTU. Alguns colégios, como
o Boa Viagem, dispõem de transporte próprio, o que
representa mais segurança para alunos e pais.
TOME
NOTA |
Mesmo que nenhuma escola próxima se enquadre no perfil
que você procura para educar seu filho, algumas precauções
podem tornar a vida dele mais fácil. Uma opção
é escolher um estabelecimento que tenha fácil
acesso. Se
você for levá-lo pessoalmente, aproveite o tempo
gasto no percurso para botar a conversa em dia, esclarecer dúvidas
e até mesmo comentar a lição de casa e
as dificuldades que ele enfrenta no colégio. Se a alternativa
for o
transporte escolar, certifique-se de
que o veículo é cadastrado e vistoriado pela Companhia
de Trânsito
e Transporte Urbano (CTTU). |
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