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Edição Especial . 9 de outubro de 2002
 
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Quanto mais perto melhor

Estudar longe de casa e perder tempo
no trânsito muitas
vezes prejudica
o desenvolvimento da criança

Nahara Bauchwitz

 
E. Queiroga/Lumiar
Frota de vans do Boa Viagem: transporte próprio dá mais segurança

Moradora de Olinda, todos os dias Cláudia Galamba perde mais de trinta minutos no trânsito para levar sua filha Júlia, de 10 anos, ao Colégio Recanto, no bairro da Madalena. Na volta, quando o congestionamento na Avenida Agamenon Magalhães é maior, o percurso pode levar até uma hora. Apesar das dificuldades, Cláudia não abre mão de que a filha estude na escola que ela considera ideal. "Faço questão porque acho que a proposta da escola faz a diferença, independentemente da distância", afirma Cláudia. Para amenizar o cansaço do trajeto, ela procura conversar com a filha sobre as atividades escolares. "O tempo passa mais depressa e a gente coloca a conversa em dia", diz Cláudia.

Segundo os especialistas, é preferível que crianças de até 10 anos de idade estudem perto de casa. "Nessa fase da vida, é importante firmar vínculos afetivos e sociais no bairro em que a criança vive, que é a comunidade que ela conhece", afirma o professor do departamento de psicologia da Universidade Federal de Pernambuco Sylvio Ferreira. Para ele, a escola é mais que um ponto de encontro com os amigos. "Trata-se de uma extensão do bairro, e isso contribui para o bom estado emocional das crianças", diz o psicólogo.

De fato, estudar longe de casa pode interferir no desenvolvimento e no humor da criança, principalmente se ela tem de enfrentar todos os dias tráfego intenso e perder longo tempo dentro de um carro, muitas vezes com fome e irritada. Quem mora no Recife sabe bem o que isso significa. No início da manhã e no fim da tarde, os principais corredores da cidade ficam praticamente intransitáveis. "Estudar já é uma tarefa que esgota a mente e, quando associada ao cansaço provocado pelo trânsito, pode prejudicar o rendimento escolar e a estabilidade emocional da criança", explica o psicólogo Luiz Schettini.

Para o microempresário Marcos André Ribeiro Corrêa, o critério geográfico foi tão importante quanto a qualidade da escola quando optou por colocar a filha Rayana, 11 anos, no Instituto Helena Lubienska, a poucas ruas de sua casa. "É mais prático e seguro. Desde que ela entrou na escola, aos 3 anos, nunca tive de me preocupar com trânsito e em poucos minutos ela chega em casa", conta Marcos. Quando era menor, Rayana era levada pelo pai ao colégio. Agora, faz o caminho com um grupo de amigos, a pé.

Quando a escola fica longe e os pais não têm condições de levar os filhos pessoalmente, resta a opção do transporte escolar. Diariamente, cerca de 10.000 crianças e adolescentes circulam nesses veículos no Recife, segundo estimativa da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU). É um segmento que vem crescendo. No início de 2001, quando se deu a regulamentação do setor, a prefeitura do Recife tinha 383 veículos registrados realizando esse serviço. Neste ano, estão cadastrados 427.

Na hora de escolher o transporte escolar, os pais devem estar atentos a algumas questões importantes. Os veículos devem ter o selo de vistoria do Detran e da CTTU. Precisam ter ainda tacógrafo, cintos de segurança para todos os passageiros e placa vermelha. Os motoristas devem ter mais de 21 anos, habilitação na categoria D e curso de condutor escolar oferecido pelo Detran. Os pais devem verificar se ele possui o crachá que comprova seu cadastramento na CTTU. Os monitores não são obrigatórios, mas é conveniente apostar num transporte que ofereça esse serviço, principalmente para as crianças mais novas. O transporte escolar custa em média 90 reais por mês (ida e volta). "Infelizmente, existe um grande número de veículos irregulares circulando livremente e colocando em risco a segurança de crianças e adolescentes", afirma a presidente do Sindicato de Transporte Escolar de Pernambuco, Sandra Novaes. A Prefeitura do Recife oferece um número para denúncias ( 0800-811078). "Uma vez comprovada a ilegalidade, o veículo é apreendido e o dono do carro paga uma multa", explica Denilson Souza, diretor de transportes da CTTU. Alguns colégios, como o Boa Viagem, dispõem de transporte próprio, o que representa mais segurança para alunos e pais.

 
TOME NOTA
Mesmo que nenhuma escola próxima se enquadre no perfil que você procura para educar seu filho, algumas precauções podem tornar a vida dele mais fácil. Uma opção é escolher um estabelecimento que tenha fácil acesso. Se você for levá-lo pessoalmente, aproveite o tempo gasto no percurso para botar a conversa em dia, esclarecer dúvidas e até mesmo comentar a lição de casa e as dificuldades que ele enfrenta no colégio. Se a alternativa for o transporte escolar, certifique-se de que o veículo é cadastrado e vistoriado pela Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU).

 

 

     
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