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TELEVISÃO
A
telinha
está mais infantil
Os programas acabaram
com o apelo
à sensualidade.
Já não era sem tempo

Bruno Leuzinger
Fernando Seixas
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| Xuxa
ontem: decote e revólveres na mão |
Observe
a fotografia ao lado, tirada no tempo em que Xuxa tinha um programa
infantil apresentado pela Rede Manchete, em meados dos anos 80.
Note o decote até o cinto, as pernas expostas, também
até o cinto, e os dois revólveres que segura na mão
esquerda. Agora desvie o olhar para a foto abaixo de Xuxa, tirada
recentemente em seu programa infantil transmitido pela Rede Globo.
O decote desapareceu, as pernas estão cobertas e nas mãos
nada de arma. A apresentadora segura um livro. No tempo em que apresentava
o programa da Manchete, Xuxa era criticada porque aparecia seminua
na telinha. Vários artigos foram escritos sobre como a TV
explorava a sexualidade justamente naquela faixa da programação
que deveria ser educativa. Essa discussão perdeu força
porque todas as apresentadoras estão se vestindo de forma
mais recatada e reorientando os programas. Atualmente, Xuxa é
criticada pela razão oposta. Seu programa é considerado
infantil demais. A sensualidade que havia contaminado todas as seguidoras
de Xuxa sumiu do ar. Já não era sem tempo.
Divulgação/TV Globo
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| Xuxa
hoje: roupa fechada e livro na mão |
A
mudança faz com que os pais possam ficar um pouco mais descansados
quando deixam o filho diante da TV, pelo menos naquela faixa de
horário nitidamente infantil. No que diz respeito ao sexo,
o assunto parece estar sendo superado. Uma das razões para
a melhoria foi a expansão da TV a cabo, que dedica vários
canais exclusivos à programação infantil. As
crianças são o maior público do cabo. Hoje,
cerca de 3,5 milhões de residências brasileiras têm
assinatura. Há dez anos, eram apenas 400 000. A garotada
dispõe de seis canais inteiramente dedicados a ela, todos
em português, no ar 24 horas por dia. O Cartoon Network e
o Nickelodeon estão entre os campeões de audiência.
No ano passado, o Cartoon foi o canal mais visto da TV por assinatura,
com o índice de 12,6%. O Nickelodeon ficou em nono lugar,
com 8,2%. "A competitividade serviu para elevar o nível dos
programas", diz Flávio Rocha, diretor de programação
da Rede Globo.
Os
críticos agora voltam suas baterias contra outro problema
visível na televisão: a violência. Desenhos
como Dragon Ball Z apregoam lutas bárbaras do começo
ao fim. O protagonista de Dragon Ball, Goku, resolve tudo
no braço. Não é difícil ver o herói
socando seus oponentes até sair sangue. Presenciar cenas
de violência não é uma forma saudável
de entretenimento, mas seria hipocrisia dizer que Dragon Ball
é mais violento que Ultraseven e Ultraman,
cujos heróis arrancavam olhos e braços dos inimigos,
depois de ter destruído Tóquio inteira. A questão
central é que os críticos exigem das emissoras que
reduzam a exibição de cenas fortes, mas essa missão
cabe aos pais. São eles que controlam o botão liga-desliga
do controle remoto. Se o desenho está pesado demais, troquem
de canal. Melhor ainda, o pai pode desligar a televisão e
ir brincar com seu filho. Como é mais confortável
deixar a criançada diante da tela, em vez de agir os pais
reclamam. Criticam a TV em vez de a si mesmos.
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