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MENINOS
E MENINAS
Garoto,
deixa
a boneca.
Filha, futebol
não!
Pais
e mães não devem reforçar
preconceitos ao lidar com as
diferenças que existem entre
meninos e meninas

Alice Granato
Pedro Rubens
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| Menino
de perna suja, com espada e bola, e menina toda arrumadinha:
a diferença tem limite |
Sobre
as diferenças entre meninos e meninas, a ciência já
descobriu que:
meninos apresentam níveis mais elevados de testosterona,
o que estimula neles um comportamento mais agressivo que o das meninas;
desde
o início, meninas controlam suas emoções mais
que meninos. Eles choram mais quando estão tristes, enquanto
elas dão preferência a chupar o dedo;
durante
as conversas, as filhas ficam mais tempo olhando para os pais do
que os meninos. Aos 4 meses, elas reconhecem mais rostos que eles;
meninas
estão mais preparadas para construir relacionamentos e interpretar
suas emoções;
meninos
comunicam-se por palavras em 60% do tempo. Os 40% restantes são
completados por barulhos feitos com a boca, reproduzindo ruídos
de socos, carros, motos, aviões. Meninas praticamente só
usam palavras e raramente imitam motores.
Como
se vê, meninos e meninas são diferentes e apresentariam
disparidades de comportamento ainda que criados na selva por gorilas,
feito Tarzan. Até chegar a essa conclusão, a ciência
consumiu décadas em debates, pois havia uma dúvida.
Um segmento de estudiosos achava que as crianças não
nasciam com diferenças cerebrais ou comportamentais perceptíveis.
Na opinião deles, tal distinção se manifestaria
apenas em decorrência das atitudes dos pais durante o processo
de criação dos filhos. O debate não acabou,
pois há grande divergência sobre o peso do DNA na determinação
do "destino" comportamental da criança. Os estudos, no entanto,
concordam em que a carga genética produz diferenças
menores do que a carga cultural exercida pela criação.
Um
trabalho feito nos Estados Unidos há alguns anos listou características
associadas pelos pais aos recém-nascidos. E elas variam conforme
o sexo. Meninas recém-nascidas costumam ser definidas pelos
pais no diminutivo. Elas são "fofinhas", "pequeninas", "delicadinhas".
Já os meninos muitas vezes são descritos no aumentativo
"lindão", "fofão". Conforme as crianças
crescem, diz o estudo, os pais especialmente o pai
as estimulam a brincar com brinquedos específicos para cada
sexo. O mesmo estudo descobriu que os pais passam mais tempo conversando
com as filhas do que com os filhos, mas dão a elas menos
autonomia do que a eles. Já em relação aos
meninos, os pais reforçam o extravasamento de emoções,
desde que não daquelas que possam ser tomadas como indicação
de fraqueza. Na parte referente à conclusão, o trabalho
sugere que os pais evitem tratar meninos e meninas de forma diferente.
"Os pais acabam desenvolvendo uma angústia tremenda quando
o menino é visto penteando uma boneca", comenta o psiquiatra
paulista Luiz Antônio Gonçalves, que trabalha há
trinta anos com infância e adolescência. "E essa ansiedade
é negativa."
E
por que os pais se preocupam tanto quando uma menina quer brincar
com espada ou o menino quer pentear a boneca? Porque estão
reproduzindo um raciocínio preconceituoso e tolo segundo
o qual a exposição do menino ou da menina ao campo
de interesses do sexo oposto pode influenciar a maneira como a criança
irá manifestar a sexualidade no futuro. Para lidar com a
diferença entre os sexos de forma positiva, os estudiosos
recomendam a adoção de três regras simples.
São elas:
Aceite
seu filho como ele é. Não tente moldar seu comportamento
segundo suas convicções pessoais, pois isso poderá
gerar frustrações mais adiante. Seu filho não
precisa gostar de luta nem sua filha tem de ser fã de maquiagem.
Não
reforce as diferenças. Meninos dão preferência
a jogos competitivos e meninas a brincadeiras cooperativas. Independentemente
do sexo de seu filho, apresente-o aos dois tipos de entretenimento.
Não
obrigue seu filho ou sua filha a brincar com crianças do
sexo oposto. Nos primeiros anos de vida, tanto meninos quanto meninas
preferem estar com crianças do mesmo sexo.
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