ALIMENTAÇÃO
Comer,
comer...
Como
enfrentar a inevitável guerra
para fazer seu filho se alimentar
direito, e na hora certa

Beatriz
Castro
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A atitude
das crianças à mesa é uma das principais fontes
de angústia dos pais. Quando vão ao pediatra, eles
escutam que é preciso garantir ao filho uma alimentação
balanceada, resultado da oferta de porções equilibradas
de carboidrato, proteína, vegetais e frutas. Ao tentar colocar
em prática as orientações do médico,
dá-se o desastre. A criança não quer brócolis,
recusa o ovo, diz que vai vomitar se comer o tomate. Dá até
saudade do tempo em que se criava um bebê apenas com leite
materno, ou quando, com 6 ou 7 meses, seu filho só tomava
papinha. A introdução da alimentação
sólida, igual à dos pais, que acontece depois de 1
ano de vida, exige mais convicção do que propriamente
firmeza. A tarefa central dos adultos não é garantir
que o filho coma tudo o que está no prato. Cabe a eles apenas
oferecer à criança um cardápio variado. E ela
escolhe o que vai querer. A conduta exige convicção
porque, se seu filho disser que não quer mais nada e o prato
ainda estiver cheio, você precisa estar pronto para dizer
a seguinte frase: "Muito bem, se a fome já acabou, pode sair
da mesa, mas saiba que não vai comer nada até a próxima
refeição". Além de falar isso, é preciso
cumprir. Os especialistas no assunto garantem que a repetição
do alerta e seu cumprimento farão com que a criança
pense duas vezes antes de interromper o almoço se ainda estiver
com fome.
Os
trabalhos científicos sobre alimentação mostram
que, na maior parte das vezes, são os pais os responsáveis
pelo comportamento impróprio dos filhos à mesa. Compreende-se
o que acontece. Os pais aprendem que a alimentação
equilibrada até os 5 anos é essencial para o desenvolvimento
físico e mental da criança (o que é verdade)
e que comer bem reduz o risco de contrair doenças (o que
também é verdade). Só que, em vez de manterem
a convicção da alimentação na hora certa,
da proibição da "boquinha", os pais se perdem entre
dois caminhos. Uma parte acaba tolerando a troca do alimento recusado
por outro já durante a refeição. Não
dá para admitir nenhum acordo que substitua a verdura pela
batata frita. Há os pais que adotam os jogos e a chantagem.
São aquelas cenas comuns em restaurante nas quais se vêem
adultos propondo aos menores barganhas variadas: "Se comer o feijão,
pode tomar sorvete" ou "se raspar o prato, vai ao cinema". Fuja
dessa prática. A criança precisa se alimentar pela
mesma razão por que toma banho. Trata-se de uma necessidade.
Em
alguns casos, os erros à mesa acontecem por preguiça
dos pais. Dá um trabalho indescritível vigiar pessoalmente
ou orientar a babá a verificar o que o menino comeu
e mais trabalho ainda dizer "não" algumas vezes durante a
tarde porque seu filho quer comer uma bolachinha fora de hora. Como
o lar não é um quartel, admitem-se algumas concessões,
desde que sejam pequenas. Uma delas é que as exigências
durante os fins de semana não precisam ser tão duras
quanto nos dias úteis. Se ele já jantou e você
está recebendo amigos em casa, é pouco razoável
proibi-lo de beliscar o pistache, por exemplo. Outra concessão
está ligada a preferências do garoto. Se seu filho
prefere frango grelhado ao ensopado, não há por que
não lhe agradar. Trocas são aceitas, mas sempre do
mesmo grupo alimentar. Preparados para a guerra?

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