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LEITE
MATERNO
Amamentei,
mas só um pouquinho
A maior parte das mulheres não está
disposta a dar o peito. Saiba por quê
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Há
um fosso separando teoria e prática quando o tema é
aleitamento materno. Nos seis primeiros meses de vida, o leite humano
deveria ser a única fonte de nutrição da criança.
Não é preciso dar ao bebê nada além do
peito. Nem água nem chá. O leite materno provê
100% das necessidades diárias de sódio, cálcio,
potássio, proteínas, vitaminas, sais minerais, gordura,
lactose, ferro, leucócitos e enzimas. A lista de benefícios
nutricionais é reforçada por vantagens de caráter
imunológico. Sabe-se que crianças amamentadas no seio
até o sexto mês estão mais protegidas contra
uma série de doenças, entre as quais infecções
respiratórias, diarréia, otites, meningite bacteriana
e alergias, além de alguns tipos de câncer. E que as
mulheres que amamentam também têm diminuído
o risco de vir a ter câncer de mama e de ovário. O
risco fica ainda menor para as que oferecem o peito por um período
de tempo mais longo. Isso sem falar dos ganhos de natureza emocional
que o aleitamento proporciona tanto à mulher quanto a seu
filho. Apesar disso, indicam as pesquisas, 40% das mães interrompem
o processo antes de seis meses.
Em alguns casos, os médicos observam que as mães trocam
o leite humano por fórmulas industrializadas por causa da
necessidade. Pode ser uma exigência de ordem médica.
Há mulheres que sentem dores muito fortes no peito, chegando
a apresentar sangramentos. A tarefa torna-se um flagelo e, nos casos
mais graves, convém que seja interrompida. Acontece de o
leite secar, ou ainda de o bebê não sugar o peito com
a força necessária, perdendo peso. Existem as razões
de caráter social. É o caso da mulher que não
pode se ausentar do trabalho pelo prazo legal da licença-maternidade.
Imagine uma profissional liberal, que só tem renda quando
trabalha e não consegue montar uma agenda que a deixe à
disposição do bebê nas horas certas. São
problemas conhecidos e catalogados pelos profissionais.
Infelizmente, dizem os especialistas, a maior parte das mães
que desistem de amamentar toma a decisão por razões
estranhas à medicina ou ao mundo dos negócios. "Percebo
logo quando estou diante de uma mamãe que dá desculpas
técnicas, mas na verdade se cansou de amamentar", diz o pediatra
Gláucio José Granja de Abreu. "Lamentavelmente, temo
que seja a maioria." Um dos motivos mais freqüentes para a
interrupção, na opinião dos especialistas,
entre os quais o doutor Gláucio, é que a amamentação
se equipara à gravidez em termos de complexidade. A diferença,
ponderam, é que a gravidez incomoda, cansa, mas a mulher
pode ir ao bar beber com os amigos, pode dançar e não
precisa se preocupar com a hora de voltar para casa. A barriga vira
uma característica física temporária. Apenas
na fase final, nos dois ou três últimos meses, é
que o cansaço mais forte aparece. É completamente
diferente com a amamentação. São seis meses
em que a mulher precisa adotar um estilo de vida novo. Nesse período,
o bebê tem direito a mamadas em intervalos que variam de duas
horas e meia a quatro horas. Não há tempo para a vida
a dois nem para os amigos. A tarefa exige dedicação,
paciência e tranqüilidade. Nem todas as mulheres estão
dispostas a pagar o preço.
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