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Entre
o limite e a liberdade
Criar
os filhos não tem nada a ver com
a imposição de regras inflexíveis nem
com curvar-se diante de um reizinho
A
ciência ampliou o conforto na gravidez, graças aos
exames que analisam com qualidade jamais vista o avanço da
gestação e também detectam a ocorrência
de uma lista razoável de síndromes. A medicina aumentou
a tranqüilidade na primeira infância, pois diversas doenças
terríveis do passado foram eliminadas com a descoberta de
novas vacinas. E a escola passou a dividir de forma mais intensa
com os pais a tarefa de estimular o desenvolvimento motor, cognitivo
e emocional nas crianças. Tais contribuições
(confira-as em reportagens desta edição) dão
mais segurança ao pai e à mãe no processo de
criação dos filhos. Há, no entanto, um desafio
que os pais precisam enfrentar sem tanto apoio externo. Trata-se
de supervisionar e interferir no desenvolvimento integral da criança
de forma a transformá-la num adulto responsável, psicologicamente
equilibrado, generoso, criativo, feliz. A criança deve aprender
a ser tão segura que encare o mundo sem temor, mas não
tão auto-suficiente a ponto de imaginar que o mundo foi criado
apenas para apoiar seus pés.
Não
se assuste. A idéia não é propor aos pais que
debatam temas complexos e abstratos com seus bebês de colo
nem com seus garotos de 1, 3 ou 5 anos. Todos esses valores morais
serão desenvolvidos ao longo dos anos de maneira simples
por meio dos bons exemplos. E o primeiro deles está
ligado à adoção de limites claros. Criação
não é condicionamento nem adestramento, mas já
no primeiro mês o bebê deve saber que existe hora certa
para fazer suas refeições e dormir. Quando isso não
acontece, surgem problemas, às vezes graves, pois uma manifestação
básica da irresponsabilidade do adulto é não
chegar aos compromissos na hora certa. O embate dos pais para fazer
a criança comer e dormir na hora certa é tema de reportagem
desta edição especial. Outro limite que os pequenos
devem conhecer bem cedo é que maternidade não rima
com escravidão. Mesmo durante o período de licença,
a mãe tem o direito de cuidar de sua vida pessoal, de sair
com amigos. Mas ela faz isso muito pouco. Seja por falta de tempo,
seja porque se sente obrigada a estar 24 horas por dia à
disposição. Pois saiba que seu filho interpreta a
pronta aparição no quarto diante do primeiro choro
não como um gesto de doação, mas como uma obrigação.
Nesta revista, você vai conhecer o caso de oito mulheres que,
sem se descuidar do bebê, se preocuparam com a própria
individualidade, investindo em ginástica e em dieta para
voltar à forma e recuperar a auto-estima pós-parto.
Estabelecer
limites é vital, mas a maneira de fazê-lo é
fundamental. Diz-se que o trabalho de criação dos
filhos é um jogo cujas regras estão em constante mutação.
Mudam até no meio da partida. E quem muda as regras? O pai
e a mãe. Parece uma característica própria
do processo, mas é um defeito que está por trás
de uma série de conflitos. Não é adequado fechar
um compromisso com a criança e depois não cumprir.
Também não tem sentido proibir que seu filho faça
algo que estava autorizado a fazer até quinze dias atrás.
Limites não podem ser estabelecidos caso a caso, de forma
errática, sem se guiarem por uma lógica. Os pais em
geral não adotam essa postura por maldade, mas por desinformação.
Nesta edição, há um reportagem dedicada às
principais dúvidas dos adultos sobre criação.
A
literatura especializada em orientar a educação dos
filhos está completando cinqüenta anos. Nesse período,
mudou o papel da mulher no mundo e mudou também a família,
antes definida como uma unidade celular formada por pai, mãe
e seus filhos. Atualmente, surgiram as famílias-mosaico,
nas quais as relações de parentesco são definidas
não apenas por laços sanguíneos. (O
surgimento dessa nova família é também assunto
de uma reportagem desta revista). Tais transformações
interferiram de forma profunda no convívio com as crianças.
A mulher que trabalha fora e os pais separados acabam tendo menos
tempo para as crianças. Não só é preciso
trocar quantidade por qualidade como é fundamental dialogar
cada vez mais. Os pais já estão descobrindo que não
há modelos rígidos de educação. Há
regras básicas e uma incontável possibilidade de variações
em torno delas. Esta edição fala disso tudo: das verdades
essenciais e das adaptações que os pais podem fazer
de acordo com suas inclinações e seu estilo de vida.
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