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  O empurrão que falta para o país voltar a crescer


  Os brasileiros têm mais educação, mais saúde e mais renda


  O Brasil aprendeu que desenvolvimento econômico combina com meio ambiente
  Novas tecnologias ajudam a recuperar a natureza
  Empresários obtêm lucro sem destruir a floresta
  O país já tem 25% de território protegido
  A população indígena voltou a crescer
  O Brasil tem quinze cidades com mais de 1 milhão de habitantes
  O caos nas cidades onde falta tudo
 
 
  As grandes cidades procuram alternativas para se livrar do lixo
  Amazônia e Pantanal: os dois paraísos do Brasil


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O Brasil não é mais o vilão

As florestas e os animais estão mais protegidos, as cidades,
mais limpas e as empresas aprendem a tirar proveito dos
recursos naturais sem devastar a natureza

Araquém Alcântara

Os guarás-vermelhos, de volta à ex-imunda Cubatão: vitória depois que as indústrias passaram a instalar filtros

Nos anos 80 a preocupação com o meio ambiente já estava sendo traduzida em ações preservacionistas nos países ricos. No Brasil, o ritmo das agressões chegava ao auge. Esse descompasso atraiu a atenção do mundo para os desastres que se produziam tanto na Floresta Amazônica, por meio das queimadas e da derrubada ilegal de madeira, quanto nos grandes centros, por causa da poluição. Os casos de anencefalia em Cubatão entravam na lista das grandes tragédias ambientais da década, ao lado do derramamento de óleo no Alasca pelo petroleiro Exxon Valdez, da explosão do reator nuclear de Chernobyl e do vazamento de gás que matou 7.000 pessoas em Bhopal, na Índia. Encerramos aquela década no banco dos réus. Burocratas de Washington chegaram a condicionar a renegociação da dívida externa brasileira à preservação da Floresta Amazônica. O Brasil assustava o mundo. Em 1988, em um recorde histórico, sumiram 3 milhões de hectares de floresta na Amazônia uma mancha do tamanho do Estado de Alagoas. No Pantanal, 1 milhão de jacarés foram caçados em um só ano. Levantamentos revelaram centenas de espécies ameaçadas de extinção: tartarugas, micos e araras estavam desaparecendo. Em São Paulo, a qualidade do ar era considerada insatisfatória duas vezes por semana e os hospitais da cidade registravam índices alarmantes de doenças respiratórias. Todo o esgoto produzido na capital era despejado sem tratamento nos rios Tietê e Pinheiros, as maiores fossas a céu aberto do mundo. As indústrias colocavam sob risco regiões inteiras. Cubatão, no litoral de São Paulo, foi batizada de "vale da morte". A cidade vivia dentro de uma bolha de poluentes produzidos pelas petroquímicas e um número absurdo de crianças, vítimas de substâncias tóxicas, nascia sem cérebro. No passado, aceitava-se com tranqüilidade que o desenvolvimento econômico cobrava um preço do meio ambiente. Os países enriqueceram, desenvolveram-se, e seus cidadãos começaram a exigir um ambiente mais limpo. Hoje os londrinos respiram ar puro e podem até pescar no Tâmisa. Americanos e canadenses já gastaram 25 bilhões de reais em obras de limpeza na região dos Grandes Lagos. Países em desenvolvimento, como Polônia, Índia, China e Brasil, foram colocados diante do enorme desafio de enriquecer sob as ameaças de ONGs e reprimendas de nações ricas. O que parecia impossível aconteceu. Embora desde o fim da década de 80 até hoje a economia tenha dobrado de tamanho e a população crescido 20%, a Baía de Guanabara e o Rio Tietê estão mais limpos. Os raros guarás-vermelhos que haviam sido expulsos pela poluição estão de volta a Cubatão, a população de tartarugas, micos e peixes-bois voltou a aumentar e o ar das capitais está mais puro, apesar de o número de veículos em circulação ter dobrado. Há esperança quando se faz a coisa certa.