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  O empurrão que falta para o país voltar a crescer


  Os brasileiros têm mais educação, mais saúde e mais renda
  A vida de 40% dos brasileiros melhorou de 1980 para cá
  Há 10 000 programas sociais tocados nas três esferas do governo
  A medicina nacional de padrão americano
  O Brasil de quem tem mais de 60
  A Igreja Católica perde terreno e surgem 7 milhões de pessoas sem religião
  Um milhão de brasileiros tentam a sorte em países vizinhos
 
 
  Nas grandes empresas, 1 000 pessoas disputam uma vaga
  As cidades não sabem como lutar contra os bandidos
  Por que a Justiça não consegue andar mais rápido
  Os negros têm expectativa de vida menor e adoecem mais
  O brasileiro está ficando mais alto


  O Brasil aprendeu que desenvolvimento econômico combina com meio ambiente


  Conheça mais sobre o Brasil na internet
 
     
   
   
 

Os que têm menos chances

Marcelo Carnaval
Luiz Braga
Crianças na favela da Rocinha: 23 milhões de miseráveis no Brasil A vendedora Maria Raimunda Santos Carvalho, entre a avó e a filha, em Belém, no Pará: até a mortalidade entre os negros é maior que entre os brancos

A respeito da miséria no Brasil se sabem duas coisas: o país tem um número elevado de pobres em relação a suas riquezas e a distância entre miseráveis e ricos é muito ampla. Surgiu uma novidade nessa área. Uma safra de estudos produzidos no fim da década de 90 chamou a atenção para um grande problema escondido no meio das cifras sobre a miséria. Descobriu-se que também existe uma enorme vala entre os pobres: a vala racial. No Brasil, os negros pobres têm muito menos chances de progredir que os brancos pobres. Essa tese foi comprovada em várias situações. Quando se pesquisou o mercado de trabalho, observou-se que o desemprego entre os negros é maior e que seus salários são mais baixos. Eles têm uma expectativa de vida menor e adoecem mais. Quando se divide a sociedade brasileira entre brancos e negros, emergem dois países. O Brasil dos brancos exibe características de país rico; o dos negros tem, quando se cotejam médias, os mesmos indicadores de uma nação africana. Quando lecionava, o presidente Fernando Henrique Cardoso dedicou-se a estudar o tema em suas aulas de sociologia. Segundo ele, o fenômeno é resultado da "herança escravista" do país. Existem dois sinais positivos. Um deles é que a primeira geração de negros chegou à classe média. O outro é que a sociedade passou a encarar o assunto. Alguns órgãos do governo já estabeleceram um regime de cotas para os negros. A validade do sistema de cotas gera bastante polêmica nos EUA. Mas o certo é que a discussão do problema ajudou a sociedade a buscar soluções. Dois dos principais assessores do presidente Bush são negros. No Brasil, um dos únicos negros no primeiro time do governo era Agílio Monteiro, chefe da Polícia Federal, que se afastou do cargo para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados.