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  O empurrão que falta para o país voltar a crescer


  Os brasileiros têm mais educação, mais saúde e mais renda
  A vida de 40% dos brasileiros melhorou de 1980 para cá
  Há 10 000 programas sociais tocados nas três esferas do governo
  A medicina nacional de padrão americano
  O Brasil de quem tem mais de 60
  A Igreja Católica perde terreno e surgem 7 milhões de pessoas sem religião
  Um milhão de brasileiros tentam a sorte em países vizinhos
 
 
  Nas grandes empresas, 1 000 pessoas disputam uma vaga
  As cidades não sabem como lutar contra os bandidos
  Por que a Justiça não consegue andar mais rápido
  Os negros têm expectativa de vida menor e adoecem mais
  O brasileiro está ficando mais alto


  O Brasil aprendeu que desenvolvimento econômico combina com meio ambiente


  Conheça mais sobre o Brasil na internet
 
     
   
   
 

A máquina está emperrada

Monica Zaratini/AE

Presos são controlados pela polícia após rebelião em São Paulo

No Brasil, a probabilidade de um assassino ser condenado e cumprir a pena até o fim é de apenas 1%. Nos Estados Unidos, essa taxa de risco é de 40%. A relação é a mesma em outras áreas do direito. Uma empresa que deve dinheiro à Receita Federal dispõe de mais de trinta recursos para retardar o processo e pode empurrar a causa por mais de dez anos. Em muitos casos, sai mais barato sonegar o imposto e guardar o dinheiro para discutir a questão nos tribunais. "O sistema favorece totalmente o devedor", diz o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Segundo os especialistas, o sistema judicial brasileiro é uma máquina emperrada que estimula a sonegação e o crime.

Não se deve pensar que o problema esteja somente nos tribunais. Existem várias engrenagens com defeito no sistema. Uma delas é de responsabilidade do Congresso Nacional. Os projetos de reforma do Código Penal e de outras legislações importantes se arrastam faz anos, apesar de haver consenso sobre a necessidade de alteração. Outro problema está na polícia, que não é treinada para produzir provas. A corporação é peça-chave na orientação de todo o processo. Infelizmente, é comum que alguns procedimentos da mesma investigação policial sejam feitos três vezes durante o processo. A primeira na delegacia, uma pelos promotores e outra pelos juízes. Finalmente, o problema dos tribunais. É freqüente encontrar magistrados com mais de 20.000 processos para julgar. Em grande parte das cortes os processos são repetidos, mas o juiz é obrigado a avaliar um por um. Também é usual a Justiça proferir até três decisões diferentes sobre a mesma matéria.