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A máquina
está emperrada
Monica Zaratini/AE

Presos
são controlados pela polícia após rebelião em São Paulo |
No
Brasil, a probabilidade de um assassino ser condenado e cumprir
a pena até o fim é de apenas 1%. Nos Estados Unidos,
essa taxa de risco é de 40%. A relação é
a mesma em outras áreas do direito. Uma empresa que deve
dinheiro à Receita Federal dispõe de mais de trinta
recursos para retardar o processo e pode empurrar a causa por mais
de dez anos. Em muitos casos, sai mais barato sonegar o imposto
e guardar o dinheiro para discutir a questão nos tribunais.
"O sistema favorece totalmente o devedor", diz o secretário
da Receita Federal, Everardo Maciel. Segundo os especialistas, o
sistema judicial brasileiro é uma máquina emperrada
que estimula a sonegação e o crime.
Não
se deve pensar que o problema esteja somente nos tribunais. Existem
várias engrenagens com defeito no sistema. Uma delas é
de responsabilidade do Congresso Nacional. Os projetos de reforma
do Código Penal e de outras legislações importantes
se arrastam faz anos, apesar de haver consenso sobre a necessidade
de alteração. Outro problema está na polícia,
que não é treinada para produzir provas. A corporação
é peça-chave na orientação de todo o
processo. Infelizmente, é comum que alguns procedimentos
da mesma investigação policial sejam feitos três
vezes durante o processo. A primeira na delegacia, uma pelos promotores
e outra pelos juízes. Finalmente, o problema dos tribunais.
É freqüente encontrar magistrados com mais de 20.000
processos para julgar. Em grande parte das cortes os processos são
repetidos, mas o juiz é obrigado a avaliar um por um. Também
é usual a Justiça proferir até três decisões
diferentes sobre a mesma matéria.
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