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A chegada da
segunda geração
Amanecer Tedesqui/AE
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Cristiano Mascaro
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| A
família Dossa, que mora na Bolívia: 3 000 hectares de soja |
Bolivianos
no Brasil: em busca da prosperidade |
Os
movimentos migratórios oferecem uma boa idéia a respeito
das oportunidades que estão sendo criadas em um país.
Nos anos 30, a Europa enfrentou uma crise gigantesca e seus cidadãos
migraram em massa. Muitos vieram trabalhar em fazendas brasileiras.
Na década de 80, a crise econômica estimulou milhares
de brasileiros a tentar a sorte em cidades japonesas e americanas.
Os anos 90 inauguraram um novo ciclo migratório no país.
Desta vez, o Brasil está atraindo gente para fazer trabalho
urbano. Estima-se que nas últimas duas décadas tenha
entrado 1 milhão de estrangeiros no país, a maioria
da Bolívia, do Peru e da Coréia do Sul. Só
na cidade de São Paulo vivem mais de 100.000
estrangeiros recém-chegados. Da última leva, os coreanos
foram os primeiros a imigrar. Um trabalho do Núcleo de Estudos
de População da Universidade Estadual de Campinas
mostra que os pioneiros conseguiram prosperar e estão mandando
os filhos para a universidade.
Esses
são sinais de que a economia brasileira está se diferenciando
da dos outros países sul-americanos. Enquanto o Brasil vem
recebendo mão-de-obra, Venezuela, Argentina, Colômbia
e Bolívia estão perdendo levas de moradores. Mais
de 2 milhões de pessoas deixaram esses países na última
década para fugir das crises econômicas.
Há
também brasileiros saindo do Brasil, mas numa proporção
bem menor. As estatísticas revelam que o número de
brasileiros que deixaram o país atingiu 1 milhão nos
últimos dez anos. Parte deles está indo atrás
de oportunidades no campo não como empregados, mas
como patrões. Vastas áreas de terras nos países
vizinhos se acham em mãos de brasileiros. A produção
de soja no Paraguai e a de arroz no Uruguai já são
dominadas por egressos do Brasil. A família do agricultor
Alisson Dossa planta 3 000 hectares de soja na Bolívia. É
a última frente de migração escolhida pelos
brasileiros. Estima-se que existam pelo menos 1 000 famílias
brasileiras vivendo em território boliviano. Os brasileiros
encontram duas vantagens por lá. Dominam uma tecnologia que
os vizinhos não conhecem e conseguem comprar terras mais
baratas.
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