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O Brasil depois
dos 60
Segundo
as estatísticas, até o início do século
passado um brasileiro que chegasse aos 40 anos tinha menos de uma
década de vida pela frente. Hoje, um brasileiro com 40 anos
viverá mais trinta. No Brasil, a população
com mais de 65 anos representava menos de 3% do conjunto de habitantes
em 1960. Atualmente, passa de 5%. Estima-se que em futuro breve
os idosos formarão um grupo mais populoso que o de crianças.
Vê-se que o país jovem já não está
tão jovem assim. E o Brasil vem se preparando de forma adequada
para enfrentar essa transformação?
O amadurecimento da sociedade produziu mudanças significativas
ao redor do mundo. A mais direta delas é a maneira como as
pessoas lidam com o dinheiro. Os indicadores mostram que nunca se
poupou tanto quanto agora, como forma de garantir uma velhice mais
bem assistida. Outra modificação importante que independe
de fronteiras se deu na indústria farmacêutica. Os
laboratórios passaram a destinar mais recursos a pesquisas
sobre drogas contra doenças típicas da velhice, como
o mal de Alzheimer. Essas são as notícias positivas.
Ocorre que, com o esticamento da terceira idade, há uma falsa
boa notícia que, mais cedo ou mais tarde, revelará
sua face negativa. Ela diz respeito ao equilíbrio das contas
da Previdência. Até a década de 60, para cada
brasileiro aposentado havia outros oito trabalhando. Ou seja, oito
contribuíam para que um se beneficiasse. Hoje a relação
é de dois para um. Muita gente acha que esse equilíbrio
é algo distante do cotidiano das pessoas -- coisa de burocrata!,
dizem --, mas ele não deve ser visto dessa forma. Para compensar
o rombo, em vários países as pessoas estão
sendo obrigadas a adiar a aposentadoria. Nos Estados Unidos, o projeto
é fazer o cidadão trabalhar até os 67 anos.
No Japão, para equilibrar as contas da Previdência,
a idade mínima exigida para a aposentadoria saltou de 60
para 65 anos. No Brasil, essa discussão vem sendo empurrada
com a barriga. Adivinhe quem vai pagar a conta mais tarde.
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