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  O empurrão que falta para o país voltar a crescer


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  A vida de 40% dos brasileiros melhorou de 1980 para cá
  Há 10 000 programas sociais tocados nas três esferas do governo
  A medicina nacional de padrão americano
  O Brasil de quem tem mais de 60
  A Igreja Católica perde terreno e surgem 7 milhões de pessoas sem religião
  Um milhão de brasileiros tentam a sorte em países vizinhos
 
 
  Nas grandes empresas, 1 000 pessoas disputam uma vaga
  As cidades não sabem como lutar contra os bandidos
  Por que a Justiça não consegue andar mais rápido
  Os negros têm expectativa de vida menor e adoecem mais
  O brasileiro está ficando mais alto


  O Brasil aprendeu que desenvolvimento econômico combina com meio ambiente


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Caminho árduo rumo ao topo

Orlando Brito
Timothy A. Clary/AFP
Jovem em cerimônia de formatura: o salário dobra a cada ciclo de estudo concluído A modelo Gisele Bündchen, ícone da prosperidade: cachê de 200 000 reais para desfilar de biquíni

Mobilidade social é um termo neutro do universo das ciências sociais. Ele pode indicar algo positivo a respeito de um país caso as pessoas estejam ascendendo na pirâmide que define as classes sociais. E também pode ser negativo se o movimento for inverso. No Brasil, a taxa de mobilidade social positiva está entre as mais altas do mundo. O sociólogo José Pastore, especialista no assunto, lembra que, do universo dos que se movem, 80% subiram na escala social e 20% desceram. "A maioria das famílias brasileiras está em melhores condições que a geração anterior", diz. Segundo o IBGE, 40% das pessoas vivem melhor hoje que há vinte anos.

No limite, um país com tal mobilidade positiva deveria estar seguindo em direção a um modelo de sociedade homogênea e igualitária, algo como a Suécia, por exemplo. A classe que engloba os mais abastados, que era formada por 3,5% dos brasileiros no passado, hoje chega a 5%, segundo dados de Pastore. É um aumento expressivo, mas certas características próprias do funcionamento da sociedade brasileira sugerem que os próximos indicadores a respeito do assunto talvez não sejam tão animadores. A maioria dos brasileiros está subindo apenas um pouco. E o avanço social de algumas famílias está ligado ao fracasso de outras. Se o Brasil entrar numa fase de crescimento econômico, tudo muda. A base da transformação já está lançada. Todos os países que chegaram lá ampliaram a oferta de vagas no ensino superior, por exemplo. No Brasil, o número de matrículas triplicou na década, e o país está superando o atraso histórico em relação à Argentina.