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Caminho árduo
rumo ao topo
Orlando Brito
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Timothy A. Clary/AFP
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| Jovem
em cerimônia de formatura: o salário dobra a cada ciclo de estudo
concluído |
A
modelo Gisele Bündchen, ícone da prosperidade: cachê de 200
000 reais para desfilar de biquíni |
Mobilidade
social é um termo neutro do universo das ciências sociais.
Ele pode indicar algo positivo a respeito de um país caso
as pessoas estejam ascendendo na pirâmide que define as classes
sociais. E também pode ser negativo se o movimento for inverso.
No Brasil, a taxa de mobilidade social positiva está entre
as mais altas do mundo. O sociólogo José Pastore,
especialista no assunto, lembra que, do universo dos que se movem,
80% subiram na escala social e 20% desceram. "A maioria das famílias
brasileiras está em melhores condições que
a geração anterior", diz. Segundo o IBGE, 40% das
pessoas vivem melhor hoje que há vinte anos.
No
limite, um país com tal mobilidade positiva deveria estar
seguindo em direção a um modelo de sociedade homogênea
e igualitária, algo como a Suécia, por exemplo. A
classe que engloba os mais abastados, que era formada por 3,5% dos
brasileiros no passado, hoje chega a 5%, segundo dados de Pastore.
É um aumento expressivo, mas certas características
próprias do funcionamento da sociedade brasileira sugerem
que os próximos indicadores a respeito do assunto talvez
não sejam tão animadores. A maioria dos brasileiros
está subindo apenas um pouco. E o avanço social de
algumas famílias está ligado ao fracasso de outras.
Se o Brasil entrar numa fase de crescimento econômico, tudo
muda. A base da transformação já está
lançada. Todos os países que chegaram lá ampliaram
a oferta de vagas no ensino superior, por exemplo. No Brasil, o
número de matrículas triplicou na década, e
o país está superando o atraso histórico em
relação à Argentina.
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