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Qualidade
é o próximo passo
As
crianças já estão na escola. Agora, precisam aprender
Eduardo Tavares
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| Crianças
num assentamento de trabalhadores rurais sem terra no Rio Grande
do Sul: todas matriculadas |
O Brasil
permaneceu por muito tempo paralisado diante de uma cilada envolvendo
dois conceitos: educação e renda. Os números
mostram que, quanto menor for o grau de escolaridade de uma pessoa,
mais baixa será sua renda. Acontece que, quanto mais baixa
era a renda de uma família, menores eram as chances de um
de seus integrantes estudar e ir à escola. Esse círculo
vicioso em que pais em dificuldades econômicas produziam filhos
de baixa escolaridade atrapalhou o progresso nacional até
bem pouco tempo atrás. Em 1980, 80% das crianças em
idade de estudar no ensino fundamental estavam matriculadas. Havia
4 milhões de crianças fora da escola. As pesquisas
mais recentes falam em 97% das crianças na escola. É
um dado assombroso por vários motivos, mas dois chamam mais
a atenção. Primeiro porque o país conseguiu
sair de uma armadilha que parecia intransponível. O outro
é chocante. Em 1850, quando 90% dos brasileiros eram analfabetos,
apenas 10% dos americanos estavam nessa situação.
Para vencer o desafio de colocar as crianças na escola, os
governantes ofereceram às famílias um auxílio
em dinheiro. Quem mantém o filho matriculado recebe uma pequena
quantia.
Passada
essa etapa, a próxima será investir na melhoria da
qualidade de ensino no Brasil. Entre os educadores cresce a percepção
de que os números de matriculados são uma visão
exclusivamente quantitativa do ensino, deixando de lado a qualidade
das aulas. Vive-se num modelo em que os alunos vão à
escola mas aprendem pouco. Apostando na qualidade, o Brasil poderá
produzir uma segunda revolução no ensino, que será
bem mais lenta que a primeira.
Hoje,
os brasileiros permanecem na escola em média sete anos. Nesse
patamar, o Brasil fica muito distante dos países desenvolvidos.
Tomem-se como base duas crianças, uma brasileira e uma americana.
Conforme as estatísticas, enquanto a brasileira estuda sete
anos, a americana fica na escola por doze anos. A supremacia não
é apenas quantitativa. "Os jovens no Primeiro Mundo
têm uma educação de qualidade", afirma
o sociólogo José Pastore. Se o Brasil investir em
qualidade e tornar o ensino mais atraente, poderá elevar
o patamar mínimo para nove anos. É preciso correr,
pois o resto do mundo continua a investir no ensino. A Coréia
do Sul quer garantir um mínimo de dezoito anos de estudo
para toda a força de trabalho. Essa nova meta aumentará
ainda mais a distância entre os dois países, caso o
Brasil não tome providências.

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