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  O empurrão que falta para o país voltar a crescer


  Os brasileiros têm mais educação, mais saúde e mais renda
  A vida de 40% dos brasileiros melhorou de 1980 para cá
  Há 10 000 programas sociais tocados nas três esferas do governo
  A medicina nacional de padrão americano
  O Brasil de quem tem mais de 60
  A Igreja Católica perde terreno e surgem 7 milhões de pessoas sem religião
  Um milhão de brasileiros tentam a sorte em países vizinhos
 
 
  Nas grandes empresas, 1 000 pessoas disputam uma vaga
  As cidades não sabem como lutar contra os bandidos
  Por que a Justiça não consegue andar mais rápido
  Os negros têm expectativa de vida menor e adoecem mais
  O brasileiro está ficando mais alto


  O Brasil aprendeu que desenvolvimento econômico combina com meio ambiente


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Qualidade
é o próximo passo

As crianças já estão na escola. Agora, precisam aprender

Eduardo Tavares
Crianças num assentamento de trabalhadores rurais sem terra no Rio Grande do Sul: todas matriculadas

O Brasil permaneceu por muito tempo paralisado diante de uma cilada envolvendo dois conceitos: educação e renda. Os números mostram que, quanto menor for o grau de escolaridade de uma pessoa, mais baixa será sua renda. Acontece que, quanto mais baixa era a renda de uma família, menores eram as chances de um de seus integrantes estudar e ir à escola. Esse círculo vicioso em que pais em dificuldades econômicas produziam filhos de baixa escolaridade atrapalhou o progresso nacional até bem pouco tempo atrás. Em 1980, 80% das crianças em idade de estudar no ensino fundamental estavam matriculadas. Havia 4 milhões de crianças fora da escola. As pesquisas mais recentes falam em 97% das crianças na escola. É um dado assombroso por vários motivos, mas dois chamam mais a atenção. Primeiro porque o país conseguiu sair de uma armadilha que parecia intransponível. O outro é chocante. Em 1850, quando 90% dos brasileiros eram analfabetos, apenas 10% dos americanos estavam nessa situação. Para vencer o desafio de colocar as crianças na escola, os governantes ofereceram às famílias um auxílio em dinheiro. Quem mantém o filho matriculado recebe uma pequena quantia.

Passada essa etapa, a próxima será investir na melhoria da qualidade de ensino no Brasil. Entre os educadores cresce a percepção de que os números de matriculados são uma visão exclusivamente quantitativa do ensino, deixando de lado a qualidade das aulas. Vive-se num modelo em que os alunos vão à escola mas aprendem pouco. Apostando na qualidade, o Brasil poderá produzir uma segunda revolução no ensino, que será bem mais lenta que a primeira.

Hoje, os brasileiros permanecem na escola em média sete anos. Nesse patamar, o Brasil fica muito distante dos países desenvolvidos. Tomem-se como base duas crianças, uma brasileira e uma americana. Conforme as estatísticas, enquanto a brasileira estuda sete anos, a americana fica na escola por doze anos. A supremacia não é apenas quantitativa. "Os jovens no Primeiro Mundo têm uma educação de qualidade", afirma o sociólogo José Pastore. Se o Brasil investir em qualidade e tornar o ensino mais atraente, poderá elevar o patamar mínimo para nove anos. É preciso correr, pois o resto do mundo continua a investir no ensino. A Coréia do Sul quer garantir um mínimo de dezoito anos de estudo para toda a força de trabalho. Essa nova meta aumentará ainda mais a distância entre os dois países, caso o Brasil não tome providências.