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Os sinais do progresso
A
renda dos brasileiros aumentou:
o novo desafio é arrumar emprego
Kiko Ferrite

Aeronave em construção na Embraer: presença forte no mercado
mundial |
Para
se consolidar como nação industrial, o Brasil levou
cinqüenta anos. E teve apenas uma década para se inserir
na economia global. Nesse período, milhões de pessoas
foram demitidas por não se adequar às novas exigências
do mercado de trabalho. O operário viu a instalação
do tear a jato, quinze vezes mais rápido que a máquina
tradicional. No escritório, gerentes foram substituídos
por softwares e uma loja funciona hoje com a metade dos caixas em
decorrência da adoção dos códigos de
barras. Como se não bastasse o facão, 1 milhão
de empregos precisam ser criados todos os anos para abrigar os jovens
que chegam à idade de trabalhar. Esse processo, que é
irreversível na opinião dos especialistas, se faz
acompanhar de dois aspectos notáveis.
O primeiro é que, ainda que em ritmo menor que o desejável,
a população está colhendo uma parte dos frutos
da mudança na forma de aumento de renda e acesso a serviços.
Na média, o rendimento dos brasileiros cresceu 25% nos últimos
sete anos, depois que a inflação foi controlada. A
oferta de bens se ampliou. No fim da década de 80, havia
20.000 produtos disponíveis nas prateleiras dos hipermercados.
Esse número triplicou. Em apenas quatro anos as empresas
privatizadas entregaram 21 milhões de celulares e 26 milhões
de telefones fixos. Nos 25 anos anteriores de monopólio estatal
só haviam sido instalados 22 milhões de telefones
fixos. O número de residências equipadas com geladeira
subiu 70%. O segundo aspecto diz respeito à mudança
na imagem do Brasil perante o mundo. Ao fim do processo de abertura,
80% das 500 maiores empresas mundiais já fincaram sua bandeira
no país. O movimento também está ocorrendo
no sentido inverso. Um exemplo é o da Embraer, que montou
quatro fábricas no exterior, adquiriu a maior oficina de
conserto de aeronaves dos Estados Unidos e conquistou uma fatia
considerável do mercado mundial da aviação
comercial –
uma façanha, levando-se em conta que esse setor é
dominado por potências como a Boeing e a Bombardier.
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